HAYOM YOM, O DIA DE HOJE!

Tradução autorizada para a língua portuguesa pela Kehos Publication

Traduzido por Rachel Catran, editado pelo Rabinato do Rio de Janeiro,

nos jornal semanais Kol Hamoshiah e A folha do Rabinado,  de 1997 até 2002

 O mês de MAR-Heshvan

QUINTA 7/10 -  01 Cheshvan

 Rosh Chodesh 

      Meu pai (o Rebe Rashab) disse para alguém durante uma entrevista que estava dando:

      “Desde que D’us disse a Avraham nosso pai “Vá embora do teu país” e que o versículo indica “e Avraham foi para o sul”, começou a época da transformação da matéria no mundo. Em função dos decretos da Divina Providência, o homem se dirige ao local onde as partículas de Divindade que ele deve purificar estão esperando sua liberação.

      Os Justos, que são dotados de visão podem determinar o local em que estas partículas de Divindade os esperam. Eles se dirigem a elas, portanto, por iniciativa própria. Para os homens comuns, ao contrário, Aquele que é a causa de todas as causas suscita as circunstâncias necessárias para que cheguem ao local em que encontrarão as partículas divinas às quais devem trazer elevação.

 

SEXTA  02 Cheshvan, 8 OCT

       Extraído de um discurso do meu pai (o Rebe Rashab) proferido na saída do Shabat Lech Lechá (189):

      Nos primeiros anos após se tornar Rebe, o Admor Hazaquen declarou publicamente: “é preciso viver com o tempo”.

      Por intermédio do seu irmão, Rabi Iehuda Leib, os Chassidim mais idosos descobriram o que o Rebe queria dizer: deve se viver com a Sidrá da semana e a Parashá de cada dia. Não somente deve se estudar esta Parashá, cada dia, como também se viver com ela.

 

SHABAT 03 Cheshvan, 9/10

  (Continuação do discurso precedente):

      Bereshit é uma Sidrá alegre embora seu fim não seja tão agradável. Noach descreve o dilúvio, mas o fim da Sidrá é alegre, já que se assiste ao nascimento do nosso pai Avraham.

      A semana que é verdadeiramente alegre é da Parashá Lech Lechá: vivem-se todos os dias da mesma na companhia de Avraham, o primeiro que se consagrou à propagação da Divindade no mundo. E esta abnegação que foi a característica de Avraham, ele a deu como herança a cada judeu.

 

 

domingo 04 Cheshvan, 10/10  

      O estudo diário da Torá é indispensável para a vida, não somente para a alma daquele que o pratica mas também para as da sua família. Graças a ele, a atmosfera da casa respira a Torá e a piedade.

 

SEGUNDA 05 Cheshvan, 11/10  

      Os judeus são comparados às estrelas que brilham no firmamento. Com sua luz, aquele que erra na penumbra da noite não se perderá. Cada judeu, homem ou mulher, possui suficiente força moral e espiritual para influenciar seus amigos e conhecidos para colocá-los num raio de luz.

 

Terça  06 Cheshvan, 12/10

      Quando o Admor Hazaquen quis abençoar o Rabino Iecutiael Lipler para que ele seja rico, este se recusou, com medo que a opulência o desvie do estudo da Chassidut e do serviço de D’us.

      Quando quis abençoá-lo para ter uma longa vida, ele respondeu:

      “Com a condição que ela não esteja constituída dos anos de um camponês, que “tem olhos mas não vê, ouvidos mas não ouve”: não se vê a Divindade e não se percebe a Divindade.”

 

Quarta  07 Cheshvan, 13/10

      Os passos a serem seguidos, após a doação da Torá, são os seguintes: é preciso realizar primeiro a circuncisão do corpo, depois a da língua e finalmente a do coração: ação, palavra e pensamento.

      Nosso pai Avraham, que vivia antes da outorga da Torá, começou por reconhecer seu Criador pelo pensamento, depois propagou a Divindade (no mundo) com a palavra, e finalmente se circuncidou pela ação.

 

quinta-feira 08 Cheshvan, 14/10

      A palavra Mitsva tem a mesma etimologia que Tsavta, uma amarra, uma ligação. Aquele que cumpre a Mitsva se liga à Essência Divina, que está na origem deste Mandamento. É o sentido da expressão “a recompensa da Mitsva é a própria Mitsva”, já que a possibilidade de se unificar com a Essência de D’us, que ordenou a Mitsva,é em si uma recompensa.

      Entenderemos isso por meio de um exemplo concreto:

      Um homem extremamente simples é por natureza profundamente submisso diante da ciência e da grandeza dos eruditos, a ponto de não sentir mais sua própria existência. O sábio, por sua vez, não tem consciência da existência deste homem simples, como se não fosse ele próprio um ser humano. Não que ele o despreze ou o rejeite, D’us nos livre. Este seria um sentimento condenável. Na verdade, ele se considera incapaz de ter uma relação com ele, ou algo em comum com ele.

      Ora, quando este sábio manda o homem simples realizar um certo trabalho para ele, ele lhe confere com isso uma existência aos seus próprios olhos. O homem simples, por sua vez, adquire a consciência da sua própria existência já que ele se descobre capaz de prestar um serviço ao sábio e foi até este que o pediu. O próprio sábio toma conhecimento da existência do simples, a ponto de ter-lhe dado uma ordem. Assim, esta injunção é capaz de unificar o sábio, tão elevado, e o homem simples; a analogia com nosso assunto está bem clara.

      Por outro lado, é evidente, em função desta imagem, que a natureza própria da injunção importa pouco. Sua importância pode ser capital ou insignificante.

 

Sexta  09 Cheshvan, 15/10

Quando meu pai (o Rebe Rashab) tinha quatro ou cinco anos, ele foi ao seu avó (o Tsémach Tsédec) durante o Shabat Vaierá e começou a chorar, perguntando-lhe:

      “Por que D’us se revelou ao nosso pai Avraham e Ele não se revela para nós?

      O Tsémach Tsédec respondeu-lhe:

      “Quando um Judeu, um Tsadic, decide se circuncidar com a idade de noventa e nove anos, ele merece que D’us se revele para ele.”

Shabat  10 Cheshvan, 16/10

 O Rebe (o Admor Hazaquen), quando evocava o mundo espiritual de Atsilut, utilizava o termo “lá em cima”.

      Conta-se também que quando ele escrevia esta palavra, ele era invadido por uma intensa emoção a ponto de não poder escrever mais do que “Atsi”.

 

domingo 11 Cheshvan, 17/10

   Em Torá Or, no discurso que começa por “Ptach Eli” (Parashat Vaierá), no parágrafo que começa por “Vehiné Hatsimtsum”, se diz:

      “Shabechi Einaim Hi Mecor Bechi Quelim”

      É preciso ler:

      “Shehem Bechi Einaim UMecor Bechi Quelim”

      Na mesma referência, no discurso que começa por “Ereda Na”, no parágrafo que começa por “Vehiné BaZohar”, em vez de “Dofi Meshotetim”, deve se ler “Dofi Meshotetot”.

      Com respeito ao discurso que começa por “Ptach Eli”, existem notas que meu pai (o Rebe Rashab) começou a redigir durante o inverno 5652 (1891).

      (Estas notas foram editadas em 5741-1981).

 

 

Segunda  12 Cheshvan, 18/10

    Esta é uma das primeiras explicações que o Admor Hazaquen deu (elas eram então chamadas “palavras”):

      “Ouve Israel”, um judeu sente que “o Eterno é nosso D’us”, que nossa força e nossa vida   transcendem a natureza e que

      “o Eterno é Um”.

      (Com respeito a isso, ver 15 de Sivan e 3 de Tishrei).

 

Terça  13 Cheshvan, 19/10

 

      O Baal Shem Tov tinha o costume de ensinar a Guemara aos seus discípulos. Ele dava o seu ensinamento com uma grande fineza e muita erudição. Ele incluía no mesmo o Rambam, o Alfassi, o Rosh e outros comentários dos Rishonim que se referiam ao tratado objeto do estudo.

      O Baal Shem Tov traduzia o texto em Idish. Quando ensinou o tratado Erquin, e chegou à afirmação dos nossos Sábios (15B) de acordo com a qual “uma linguagem tripla mata três pessoas”, o Baal Shem Tov explicou:

      “A maledicência mata todos os três, aquele que é o seu autor, aquele de quem se fala e aquele que a escuta. Claro, esta morte só tem uma dimensão espiritual. Mas ela é ainda mais grave que um crime físico.”

      (A “linguagem tripla” é a do homem que espalha uma maledicência. Ele age assim como “terceira pessoa”, intermediária entre o autor do propósito e o que o escuta).

 

Quarta  14 Cheshvan, 20/10

  “D’us prepara os passos do homem”. Cada judeu recebe uma missão espiritual que ele precisa cumprir durante sua vida. Ele deve se consagrar à construção do Santuário de D’us aqui em baixo. Cada um, onde ele se encontra, qualquer que seja seu lugar de residência, deve, com todas suas forças, procurar o meio de “ganhar sua vida” espiritualmente, da mesma maneira que a ganha materialmente.

      É assim porque “Ele deseja seu caminho”. É isso que se diz de Avraham: “Eu o amei... (com a finalidade de que a ordene à sua descendência depois dele)... e que eles guardem a via de D’us.”

      De fato existem duas vias, a da natureza e a que a transcende. D’us construiu o mundo de modo tal que ele possa, aos olhos do homem, ser percebido através de um quadro natural: esta via é a de Eloquim. A Torá e as Mitsvot são o véu de Avaiá, a revelação do que transcende a natureza no seio desta natureza. É por isso que D’us outorga ao povo judeu, no ciclo da natureza, o que a ultrapassa.

 

Quinta  15 Cheshvan, 21/10 

      A Neshamá espera, lá em cima, o momento em que vai poder ter o mérito de descer num corpo físico. Porque ela tem consciência de tudo o que ela poderá cumprir aqui em baixo. Ela até poderá sentir o prazer de D’us! Então, porquê atrasá-la?

 

Sexta  16 Cheshvan, 22/10

       O pensamento é a vestimenta e o servidor do intelecto e dos sentimentos. Mas mesmo quando ela não usa o intelecto ou o sentimento, ela continua funcionando, meditando. Nesses casos, entretanto, ela já não tem nenhum conteúdo. Mais do que isso, ele conduz à depravação.

      Explica-se que os pensamentos estranhos ou até os maus pensamentos aparecem sempre que a cabeça está vazia. Quando intelecto funciona, o pensamento pode servi-lo. Então ela não se consagra mais a idéias insensatas, desprovidas de qualquer substância.

 

Shabat  17 Cheshvan, 23/10 

      É preciso ocupar totalmente seu tempo e aceitar o jugo da Torá. Cada instante, cada dia que passa não é simplesmente um dia mais, é uma fase da vida.

      Os dias se sucedem, como o dizem nossos Sábios (Ierushalmi Berachot, capítulo 1, Halachá 1) “um dia começa e um dia acaba, um Shabat..., um mês..., um ano...”. Meu pai (o Rebe Rashab) disse, citando o Admor Hazaquen:

      “Um dia de verão e uma noite de inverno, é um ano inteiro”.

 

Domingo  18 Cheshvan, 24/10

 

      Na Torá Or, na Parashá “Chaié Sará”, no fim do parágrafo que começa com “Lehachin ..............................” tem um erro de impressão. É preciso ler:

 

 

Segunda  19 Cheshvan, 25/10

       Esta é uma resposta que o Admor Hazaquen deu, durante uma entrevista que ele outorgou:

      “A Chassidut é o Shemá Israel. A palavra Shemá está composta pelas iniciais de uma frase que significa ‘elevem vossos olhos para o alto’.

      Diz-se realmente para o alto e não para os céus. Porque “para o alto” significa sempre mais alto, até um nível que transcende o espírito mas está intelectualmente compreendido por ele.

      É por isso que este versículo conclui com ‘e olhem Quem criou tudo isso’.”

 

Terça  20 Cheshvan, 26/10

 

·       É a data de nascimento do Rebe Rashab, em 5621 (1860), ano denominado “Quitrá”, a coroa, pelo Tsémach Tsédec. Ele recebeu o nome de Admor Haemtsaí e a metade do nome do pai do Tsémach Tsédec.

      Todo ano, no dia do seu aniversário, meu pai (o Rebe Rashab) fazia um discurso chassídico. Mas ele o fazia em segredo, exceto quando era um Shabat.

      Durante o seu último aniversário celebrado neste mundo, ele pronunciou um discurso introduzido por “Natata Gam”. Quando o concluiu, ele me disse:

      “Durante o dia do nosso aniversário, devemos pronunciar um discurso chassídico. Possa D’us te dar de presente recitar Chassidut durante teu aniversário, mas que isto seja para o bem e para a misericórdia.”

      Foram necessários sete anos para isso se realize.”

      (O valor numérico de Quitra é 5621. O Admor Haemtsaí se chamava Rabi Dov Ber e o pai do Tsémach Tsédec, Rabi Shalom Shachna.

      O último aniversário do Rebe Rashab neste mundo foi celebrado em 1919. Rabi Iossef Itschac encabeçou os Chassidim em 1920 e, sete anos depois, em 1927, ele foi liberado, no mesmo dia do seu aniversário, dia 12 de Tamuz, das prisões bolsheviques. Nesta ocasião ele pôde fazer um discurso chassídico).

 

Quarta  21 Cheshvan, 27/10

      O serviço de D’us da oração permite que se introduza a compreensão do cérebro no sentimento do coração. Depois, ele aplica, um e outro no comportamento concreto, no cumprimento das Mitsvot com temor de D’us e na aquisição de traços de caráter positivos.

 

Quinta  22 Cheshvan, 28/10 

      Este é um dos comentários do Maguid de Mezeritch, que o Admor Hazaquen ouviu quando foi a Mezeritch pela primeira vez, do final do verão de 5524 (1764) até a festa de Pessach 5525 (1765):

      “ ‘Eu fiz a terra e, sobre esta, criei o homem’. ‘Eu’ designa a Essência divina, imperceptível e oculta, até mesmo para as criaturas mais elevadas. Esta foi ocultada por uma série de contrações com o fim de suscitar e de criar anjos e mundos no infinito. Graças a esta infinidade de contrações, ‘Eu fiz a terra’ material. E ‘sobre esta, Eu criei o homem’, que é a finalidade da criação. Por outro lado, ‘Barati’, ‘Eu criei’, é a do homem. De fato, ‘Barati’ tem o valor numérico de 613 e as 613 Mitsvot são a razão de ser do homem.

      O Pardess explica, em nome do Sefer Habahir, que ‘o Atributo da Bondade dito diante do Santo bendito seja Ele: Mestre do mundo, desde que Avram se encontrasobre a terra, não é mais necessário que eu cumpra minha missão já que Avram a faz em meu lugar’

      Deste modo, Avraham, alma revestida de um corpo, recebia convidados com a finalidade de propagar a Divindade neste mundo inferior. E esta atividade era infinitamente mais elevada que as realizações do  Atributo da Bondade, Chessed do mundo espiritual de Atsilut.

      Mais ainda, a intervenção deste Atributo diante do Santo bendito seja Ele, expressou o ciúme de Chessed de Atsilut, que invejava a obra de Avraham, possa ele descansar em paz.”

 

Sexta  23 Cheshvan, 29/10

      O Tsemach Tsedec foi detido vinte e duas vezes durante a conferência rabínica de Petersburgo, em 5603 (1843), devido à sua oposição à exigência do governo de modificar a educação.

      O ministro perguntou-lhe:

      “Não seria isso uma rebelião contra as autoridades?”

      O Tsemach Tsedec respondeu:

      “Aquele que se revolta contra as autoridades é passível de morte física. Aquele que se revolta contra a Realeza celestial é condenado à morte espiritual. Qual é a pena mais grave?”

 

Shabat  24 Cheshvan, 30/10

 Nos reinos materiais, é preciso olhar para aqueles que possuem menos do que nós e agradecer a D’us pelos Seus benefícios.

      Nos reinos espirituais, é preciso olhar para aqueles que são mais elevados que nós e implorar a D’us para receber o discernimento necessário para imitar o seu exemplo, bem como a força para elevar-se mais alto.

      (Ver a esse respeito dia 30 de Sivan).

 

domingo 25 Cheshvan, 31/10

 

      A Divina Providência conduz a cada um do lugar em que ele reside para reforçar nele o Judaísmo e espalhar a Torá.

      Quando se lavra e se semeia, isso cresce.

      (Este dia comemora o decesso do Rabino Menachem Mendel Hacohen Horenstein, marido da Rabanit Cheina, filha de Rabi Iossef Itschac. Ele deixou este mundo em 5703 (1942). Possa D’us vingar o seu sangue.

      Foi nesta mesma data que em 5748 (1987), a corte de apelação federal de Nova York confirmou que a propriedade dos livros e dos manuscritos de Rabi Iossef Itschac voltava para a biblioteca da associação dos Chassidim Chabad.)

 

Segunda  26 Cheshvan, 01/11 

      O caminho da verdade implica num perfeito conhecimento do próprio caráter e numa plena consciência dos próprios defeitos e qualidades.

      Quando se conhecem os seus defeitos, se toma a peito corrigi-los efetivamente não se livrando da obrigação unicamente com suspiros.

      (Com respeito a isto ver dia 23 de Tevet).

 

Terça  27 Cheshvan, 02/11  

      Rabi Aizic Halevi de Homil contou:

      “Quando fui a Lyozna lá encontrei Chassidim idosos que haviam sido discípulos do Maguid e do Rabi Menachem Mendel de Horodoc. Eles tinham o costume de dizer:

      ‘Ama um judeu e D’us te amará. Faz o bem a um judeu e D’us te fará o bem. Aproxima um judeu de ti e D’us te aproximará d’Ele’ ”

 

Quarta  28 Cheshvan, 03/11 

      O conceito de Providência divina pode ser definido da seguinte maneira:

      Ela rege os mínimos detalhes do movimento das diferentes criaturas. Ela constitui a vitalidade de cada uma e está na base da sua existência. Mais do que isso, ela sublinha o fato que cada movimento tem uma implicação profunda na finalidade global determinada à criação. É somando e unindo todas as ações individuais que se cumpre a Vontade profunda de D’us, na origem de toda a criação.

      Que o homem medite, então. Se o movimento de uma planta é comandado pela Divina Providência e intervém na finalidade da criação em seu conjunto, quanto mais o é para a espécie humana em geral e para Israel, a nação que está próxima d’Ele, em particular.

 

quinta-feira 29 Cheshvan, 04/11

      Não há palavras para descrever o grande mérito daqueles que se encarregam da tarefa sagrada que consiste na leitura dos Tehilim na presença de um Minian. Grande é a satisfação que decorre disso lá em cima, como o estabelecem nossos livros sagrados. Dá-se um breve resumo disso no fascículo sobre a leitura pública dos Tehilim (Covets Michtavim, 1)

      Que grande é a vossa felicidade, povo de Israel. Graças a isso sereis abençoados, vós, vossas esposas, vossos filhos e vossas filhas, possa D’us outorgar vida longa a vocês. Tereis saúde e prosperidade material, em abundância. É pelo mérito de vocês que a comunidade de Israel em que viveis, no seio de todo o povo judeu, será salva em todas as necessidades materiais e espirituais.”

      (Ver com respeito a isso dia 13 de Tamuz).

20 de Mar-Cheshvan

Foi num 20 de Mar-Cheshvan que o Rebe Rashab nasceu. Todo ano, no seu aniversário, ele ia ver o avó, o Tsémach Tsédec, para pedir a sua benção.

            Quando tinha 4 ou 5 anos, no dia 20 de Mar-Cheshvan ele foi ver o seu avó; lá chegando, caiu em prantos:

            “Porque choras?” perguntou-lhe o Tsémach Tsédec.

            “Estudei no Chumash”, respondeu-lhe, “na Parashá Vaierá, que D’us se revelou a Avraham. É por isso que estou chorando: porque D’us não se revela também para mim?”

            O Tsémach Tsédec respondeu-lhe: “quando um judeu, um Tsadic, com a idade de 99 anos, decide se circuncidar, ele merece que D’us se revele para ele”.

            A criança aceitou a resposta e parou de chorar.

            Esta história aconteceu com uma criança mas sabemos que tudo que contam nossos Rabinos se aplica também a nós e contém um ensinamento válido para cada um.

            Neste caso, devemos destacar duas coisas:

1) uma criança chorou por que D’us não se revelou para ela como o havia feito para Avraham.

2) Avraham mereceu esta revelação por que fez a sua circuncisão com 99 anos.

            Qualquer judeu, mesmo aquele que só sabe poucas coisas e que nem estuda, mesmo aquele cujos conhecimentos e ações se comparam às de uma criança, pode reclamar com D’us porque Ele não se revelou a ele, como o Rebe Rashab que, bem novo, ficou chorando e reclamou com todas as suas forças para receber esta revelação.

            De fato ele não se limitou a chorar. Ele quis mesmo que D’us se revelasse para ele, do mesmo modo como Ele aparecera para Avraham quando este havia alcançado um nível muito elevado após a sua circuncisão.

            Por outro lado, é preciso se preparar bem para isso. Qualquer judeu pode pedir a revelação de D’us mas para obtê-la é preciso ter feito um esforço. Avraham, ele próprio, só mereceu que D’us lhe apareça após a sua circuncisão, após retirar tudo que não estava indo.

            Do mesmo modo, um judeu deve retirar todo o mal dele. Deste modo ele poderá conseguir que D’us se revele para ele.

20 de Mar-Cheshvan

 

            O dia 20 de Mar-Cheshvan é o aniversário do nascimento de Rabi Shalom Dov Ber, o quinto Rebe de Lubavitch.

 

            Um dia, um judeu foi ver o Rebe Shalom Dov Ber para lhe pedir uma bênção. Este homem estava numa situação muito difícil e precisava verdadeiramente desta bênção. Ele contou ao Rebe tudo o que estava lhe acontecendo... mas o Rebe lhe respondeu: “Não posso fazer nada! não posso nada por você!”

            O homem saiu do escritório do Rebe e caiu em prantos. Andando, não podia parar de chorar. Foi assim que ele encontrou Rav Zalman Aharon, o irmão mais velho do Rebe Shalom Dov Ber. Este lhe perguntou o motivo pelo qual tanto chorava e o homem lhe contou sua história e o que o Rebe acabava de lhe responder...

            Rav Zalman Aharon entrou imediatamente no escritório do Rebe e lhe disse: “Como é possível? Um judeu vem pedir uma bênção e o Rebe lhe responde que não pode ajudá-lo?! Este homem está derramando lágrimas quentes, tal o seu sofrimento!”

            O Rebe pediu que fizessem entrar este judeu no seu escritório pela segunda vez. O homem entrou e o Rebe o abençoou. A bênção se realizou e o homem saiu da desgraça.

***

            Esta história é surpreendente:

- porque o Rebe não lhe deu logo a sua bênção?

- porque provocou tanta dor para este judeu antes de atender ao seu pedido?

            É porque este judeu não merecia uma bênção tão grande. É por isso que o Rebe não pode dá-la e lhe respondeu: “não posso te ajudar”.

            Esta resposta do Rebe rompeu o coração do homem. Este chorou, derramou todo o seu coração diante de D’us. E assim se tornou digno da bênção de D’us.

            Após o choro deste judeu, o Rebe pode abençoá-lo e a bênção pode se realizar.

            O que quer dizer tudo isso?

            Internamente, todos os judeus são bons e querem respeitar as Mitsvot (mandamentos divinos). Mas às vezes, apesar de tudo, um judeu pode cometer um erro; e já não será mais digno da bênção de D’us. Seu amor próprio o faz esquecer o que ele é verdadeiramente, um judeu, e lhe esconde a gravidade do seu erro. Mas a tristeza, a pena, afastam este amor-próprio. E aparece então o bem, escondido no fundo do judeu, e este bem lhe permite receber todas as bênçãos de D’us.