11. Vaygash, e ele se aproximou...


B’SD

Kol Hamoshiach

PARASHAT VAIGASH

Conteúdo da Parashá:

Þ  Iehuda afronta Iossef

Þ  Iossef se revela aos seus irmãos

Þ  Serach revela a Iaacov que Iossef está vivo

Þ  Iaacov vai para o Egito

Þ  Iossef apresenta seus irmãos e seu pai ao Faraó

Þ  A atitude de Iossef frente aos egípcios durante os anos de fome

Ve Et Iehuda shalach lefanav el Iossef, lehorot lefanav Goshna; vaiavou Erets Goshen (Bereshit 46, 28)

E a Iehuda enviou antes dele a José, para preparar [o caminho] antes dele, em Goshen; e foram à terra de Goshen.

Iaacov manda Iehuda na frente para orientar. O Talmud explica que orientar significa para fundar uma Ieshivá. Uma Ieshivá é o que sustenta, o cerne de uma comunidade judia, espiritual e fisicamente (Beit Hacnesset, onde se reza, e Beit Hamidrach, onde se estuda): isto é válido para qualquer lugar do mundo, em todos os séculos, em Israel ou fora de Israel, com ou sem Beit Hamicdash.

O Rebe pergunta: porque mandar Iehudá para cumprir essa tarefa? Acaso Iossef já não estava lá e era um tsadic, um talmid chacham? Ele não poderia fundar a Ieshivá?

O Rebe responde: tem um passuc do Tanach que diz Rav Hadomé Lemalach Hashem Tsevaot. Aprendemos com ele que um rabino é como um anjo do Exército de D’us.

Iossef era, perante sua própria pessoa, um grande tsadic, um talmid chacham, tinha a maior perfeição, era completo, íntegro. Mas ele era o Vice-Rei do Egito e isto fazia com que estivesse ocupado uma parte significativa do dia com afazeres da vida mundana e não poderia ensinar a Torá.

Isto quer dizer que não se aprende com quem está ocupado mas com quem é “Domé Le Malach Hashem Tsevaot”, com quem se parece com um anjo, entendendo que anjo é alguém que não tem ligação nenhuma com a vida mundana, que só estuda Torá e reza, alguém que não trabalha e que é sustentado pela comunidade, não tendo contato com a vida mundana, e que está fora do mundo.

Iaacov sabia que para ensinar as gerações futuras seria preciso alguém afastado das coisas do mundo.

Se acontecer o contrário, em vez de ensinar a água boa, a Torá, poderia chas veshalom ensinar o ruim.

Da mesma forma, também, se um mestre não caminha pela via certa, mesmo sendo um grande erudito e se todas as pessoas precisassem dele, a instrução não deve ser recebida dele, até que eles reforme, como está escrito: “pois os lábios do sacerdote manterão o conhecimento, e eles buscarão a lei da sua boca, pois ele é o anjo do Senhor dos Exércitos”(Michá 2:7). Os sábios explicam este texto da seguinte forma: “Se o mestre é como um anjo do Senhor dos Exércitos, eles podem buscar a Lei da sua boca; mas se ele não o é, então não podem buscar a Lei da sua boca.”

Um discípulo que não está assim qualificado e, não obstante, toma decisões, é “estúpido, mau e vaidoso” (Ética dos Pais 5:9). Sobre ele está escrito: “porque a muitos feriu e derrubou” (Provérbios 7:26). Por outro lado, um sábio que está qualificado e que se abstém de tomar decisões, nega o escrito: “Até mesmo os mas fortes foram suas vítimas” (Provérbios 7:26). Os estudantes de nível precário que adquirirem conhecimento insuficiente da Torá e ainda assim buscam se engrandecer diante do ignorante e entre os seus concidadãos, colocando-se acima deles e presumindo julgar e tomar decisões em Israel – estes são aqueles que multiplicam o sofrimento, devastam o mundo, extinguem a luz da Torá e danificam o vinhedo do Senhor dos Exércitos. De tais, disse em sua sabedoria Salomão: “Apresam-se de nós, as raposas, as raposinhas que devastam nossas vinhas” (Cantar dos Cantares 2-L5)

É sabido que o dia 5 (hei) de Tevet é o dia em que os livros da biblioteca de Chabad foram devolvidos ao seu legítimo dono.

Pergunta-se o seguinte: se até agora não se usaram os sfarim para expandir o judaísmo, chas veshalom não precisa devolvê-los ao seu legítimo dono.

Como a contenda foi julgada e a decisão tomada favorável para a volta dos livros, o que deve se fazer é exatamente o contrário: USAR MAIS os livros para fazer judaísmo.

No Iud Tet Quislev o Alter Rebe estava preso por expandir a parte íntima da Torá. Quando o Baal Shem Tov foi visitá-lo na prisão, ele perguntou se deveria parar de divulgar a parte profunda da Torá. A resposta foi não, pelo contrário. Convenceram-se no julgamento feito contra ele lá em cima e resolveram que ele deveria continuar nessa mesma linha, isto é não deveria deixar de revelar e de expandir a Torá profunda.

O mesmo aconteceu com os sfarim devolvidos ao seu legítimo dono. Estes estavam em grande perigo (de ir para outros), houve um julgamento, houve um vencedor e a conclusão é que deve aumentar mais ainda a divulgação dos mesmos revelando a verdadeira vítima e isto vai ajudar a trazer em breve a luz de Mashiach Amén.

A confrontação entre Iehudá e Iossef !!!!!

Iossef agarra Biniamin e diz: “Ele será meu escravo, mas vocês, podem voltar em paz para a casa do vosso pai!”

Mas Iehudá respondeu: “Acaso você pensa que estaremos em paz na casa do meu pai se voltarmos sem Biniamin?” Ele se aproximou de Iossef, pronto para recuperar Biniamin por três métodos diferentes: rezando para Hashem para pedir Sua ajuda; tentando apaziguar Iossef com palavras se este método se revelasse mais eficaz; e ele recorreria até à guerra aberta se fosse preciso.

Neste momento Iehudá estava prestes a dar sua vida por Biniamin pensando: “Talvez o sacrifício da minha vida possa expiar o fato de ter enganado meu pai quando vendemos Iossef.”

Iehudá proferiu um terrível rugido de cólera que soou e foi ouvido num raio de quatrocentos parsaot. Chushim, o filho de Dan, sentiu que seu tio estava aflito. Ele correu para ajudar Iehudá. A terra se contraiu milagrosamente e ele chegou imediatamente no Egito. Agora Iehudá e Chushim berravam juntos, como um leão e uma hiena.

Quando os irmãos viram a cólera de Iehudá, seus ânimos também se aqueceram e eles bateram no chão com os pés, fazendo rodopiar montículos de terra.

Ao ver a cólera de Iehudá em brasas, Iossef foi presa de medo. “Ai de mim!, pensou, ele vai me matar!”

Quais eram os sinais da fúria de Iehudá?

Alguns diziam que dos seus olhos escorria sangue. Outros, que os pêlos do seu peito se erguiam e perfuravam as cinco camadas da sua vestimenta. Ou que ele colocava barras de ferro na boca e as reduzia a pó moendo-as com os dentes.

Iehudá tomou uma pedra que pesava quatrocentos shéquel. Com força lançou-a para o céu com a mão direita e a recuperou com a mão esquerda. Depois a esmagou com o pé.

Com medo de ser morto, Iossef começou a mostrar sua força a Iehudá. Ele deu um golpe na pilastra de mármore que formava a base do seu trono, destroçando-a em mil pedaços.

Iehudá quis então tirar sua espada, mas não pode desembainhá-la. “Este homem deve ser um tsadic, observou. É por isso que Hashem está do seu lado.”

Ele mudou de tática e começou a dizer palavras tranqüilizantes e suplicou Iossef para libertar Biniamin. “Por favor, meu mestre, declarou, desejo fazer uma pergunta. Eu propus que fossemos todos seus escravos; porque você recusou e porque você só quer Biniamin? Se você precisa de um escravo mais vale que ele seja mais velho; é melhor tomar Reuven, que é mais velho que Biniamin. E se você precisa de alguém forte, eu sou mais forte que Biniamin. Porque você está mais interessado em Biniamin que em todos os outros irmãos? Suspeito que teus motivos devem ser indignos!

Saiba que Biniamin é inocente! Você o acusou injustamente. A primeira vez, foi você mesmo que colocou o dinheiro nas nossas bolsas, e desta vez, foi você que ocultou tua taça de prata na bolsa de Biniamin. Não pensa que o mal que você fez vai ficar impune! Deixa as palavras do teu servidor entrarem no teu coração e ouve bem. Você por acaso sabe que a avô desse Biniamin foi detida pelo Faraó por uma noite e que como conseqüência disso o rei e todo seu séquito foi atingido por uma praga? Toma cuidado se você não quer que te aconteça o mesmo! Acaso você sabe que a mãe desse Biniamin morreu porque seu pai pronunciou uma maldição? Uma maldição do pai dele e você também vai morrer. E você sabe que dois de nós destruíram a grande cidade de Shechem? Nós o fizemos por causa de uma moça, e faremos certamente o mesmo por Biniamin, que é chamado ‘o bem amado de Hashem’.

Você não disse que você é temente de D’us? Acho que você não teme a D’us! Você é como o Faraó. Da mesma maneira que ele você decreta leis perversas, da mesma maneira você inventa regras injustas. Se Biniamin roubou sua taça de prata, o que da a você o direito de mantê-lo como seu escravo? Se você subscreve a nossa lei, que é a lei da Torá, ele deve pagar o dobro, já que a Torá ensina que um ladrão deve reembolsar o dobro do valor da mercadoria roubada. E de acordo com a lei egípcia, você pode tirar do ladrão tudo o que ele possui. Mas o que você pretende é que Biniamin seja seu escravo e isso não está de acordo com nenhuma dessas leis!”

Virando-se para os irmãos, Iehudá ameaçou: “Se tirar minha espada, começo com o vice-rei e acabo com o Faraó!” Ele pensava que Iossef não entendia suas palavras porque o intérprete não estava ao lado.

A Iossef ele disse: “Meu mestre perguntou aos seus servidores: ‘Vocês têm um pai ou um irmão?’ Porque você nos questionou com respeito ao nosso irmão? Milhares de pessoas vieram aqui para comprar trigo e você não escrutou nenhum deles. Será que viemos para casar com sua filha para sermos interrogados a respeito da nossa família? Ou será que você quer casar com nossa irmã? Apesar disso fomos educados e não guardamos segredos de você. Nós respondemos que tínhamos um velho pai e um jovem irmão, o último dos filhos, que seu irmão morreu e que ele ficou sozinho, sem a mãe, e que o seu pai o ama.”

Iehudá temia que ao mencionar a existência de outro irmão perdido o soberano lhe dissesse para trazer esse irmão também; por isso disse que Iossef havia morrido.

Iehudá prosseguiu: “E você disse aos seus servidores: ‘tragam-no para que eu o veja!’ Pensamos que você era um rei que mantém a palavra mas agora você diz: “ele será meu escravo”. Será essa a maneira de olhar para ele? Dissemos então ao meu mestre: ‘O menino não pode abandonar seu pai. Ele não costuma viajar; ele poderia morrer no caminho, da mesma maneira que sua mãe morreu durante uma viagem.’ Voltamos para a casa do seu servidor, nosso pai, e lhe repetimos suas palavras.”

“Seu servidor, meu pai, não queria enviar o mais jovem e nos disse: ‘Vocês sabem que minha esposa me deu dois filhos. Um me deixou e certamente foi morto; não o vi mais desde então. Se vocês me levarem este também, e que alguma desgraça aconteça com ele, vocês teriam feito minha avançada idade descer dolorosamente na tumba! Enquanto Biniamin está ao meu lado, me consolo da perda da sua mãe e do seu irmão, mas se ele morrer, vai me parecer que os três morreram no mesmo dia’.

Se eu voltar para seu servidor, meu pai, sem o rapaz, ele vai certamente morrer e seus servidores terão feito descer a velhice do seu servidor, meu pai, com dor, na tumba.”

Quando Iossef ouviu falar da dor do seu pai, teve dificuldade em se conter e precisou sentar.

“Você não deixa de falar, disse a Iehudá. Porque você age dessa maneira, como o único porta-voz dos seus irmãos? Porque eles não dizem nada?”

- “Teu servidor se responsabilizou pessoalmente em garantir a vida do rapaz”, respondeu Iehudá. “Eu disse ao meu pai: ‘Se eu não o trouxer de volta, perderei minha parte nos dois mundos!’ Como posso retornar à casa do meu pai sem o menino?”

Iossef respondeu: “Seu outro irmão não era um ladrão e não tinha feito mal nenhum e apesar disso você disse ao seu pai: ‘ele foi despedaçado por um animal’. Neste caso você pôde certamente dizer ao seu pai com respeito a este irmão que ele roubou e que agiu erradamente: ‘ele foi devorado’. Diz a ele: ‘a corda seguiu a caçamba!’ Porque você não tomou em consideração o sofrimento do seu pai quando vendeu o outro irmão por vinte peças de dinheiro?”

Quando Iehudá ouviu isso, começou a berrar e a chorar e disse: “Como posso voltar para casa do meu pai se Biniamin não está comigo? Você inventou uma acusação atrás da outra contra nós, primeiro nos acusou de sermos espiões, depois nos disse que havíamos vindo descobrir os pontos fracos do país, e ainda que havíamos roubado sua taça de prata. A cada vez que eu jurei que éramos inocentes, fiz um juramento sobre a vida do meu pai, o justo; e a cada vez você me devolveu o juramento, e você jurou sobre a vida do miserável Faraó, dizendo que nós éramos culpados. Qual dos dois juramentos é superior?

Só me resta desembainhar a espada e encher o Egito de cadáveres!”

Iossef respondeu: “Se você tirar a espada, vou amarrá-la no teu pescoço!

-  Abrirei bem grande a tua boca com uma pedra!

-  Encherei a tua boca com uma pedra!

-  Mas o que diremos ao nosso pai?

-  Digam-lhe: ‘a corda seguiu a caçamba’

-  Mas sua acusação é falsa!

-  E a sua, quando você vendeu Iossef, não era falsa também?

-  O fogo de Shechem queima no meu coração. Faremos por Biniamin a mesma coisa que fizemos por Diná!

-  Apagarei o fogo no seu coração recordando a história de Tamar!

-  Tingirei de sangue as praças do mercado do Egito!

-  Vocês são tintureiros profissionais! Vocês não tingiram uma roupa no sangue para mostrá-la ao vosso pai?”

A cólera de Iehudá atingiu um ponto culminante: ele estava pronto para matar ou morrer. Ele disse a Naftali, que era ágil como uma gazela, “Corre e conta o número de distritos que tem no Egito!”

Naftali voltou dizendo: “Contei doze sessões”.

- “Está bem”, disse Iehudá, “vou destruir três e cada um de vocês será responsável por uma. Assim estaremos certos que ninguém sobreviverá em todo o Egito!”

Iossef mandou imediatamente uma mensagem ao Faraó para que ele envie trezentos soldados para impedir que seus irmãos destruíssem o país. Quando os soldados chegaram, Iehudá gritou tão forte que os príncipes no palácio do Faraó caíram por terra, os animais da vizinhança abortaram, Iossef caiu do seu trono e o Faraó também. Os dentes dos trezentos soldados caíram e eles fugiram para nunca mais voltarem.

Iossef soube que não podia esperar mais tempo: ele precisava se revelar aos seus irmãos se não queria que eles destruíssem todo o Egito.