7. Ki Tavo


B’SD

Kol Hamoshiach

PARASHAT QUI TAVÓ

Conteúdo da Parashá:

·  A mitsva de trazer as primícias da colheita ao Beit Hamicdash - Bicurim

·  Duas vezes a cada sete anos, o judeu deve declarar que separou todos os maassarot (dízimos) como está prescrito - Vidui maasser

·  Moshé resume: a finalidade do estudo da Torá é sua observância. Ele promete que os judeus receberiam os elogios de todas as nações.

·  A mitsva de escrever a Torá sobre pedras monumentais ao entrar em Israel

·  A mitsvá de pronunciar as bênçãos e as maldições sobre o Monte Guerizim e sobre o Monte Eval

·  Diferenças entre as bênçãos e as repreensões citadas aqui e aquelas da Parashá Bechucotai

·  A repreensão divina

·  A finalidade da repreensão

·  Moshé repete com força que D’us fez todos os milagres no Egito e no deserto com a finalidade de incitar poderosamente os judeus a serem fieis à Torá.

“Raboteinu Falam”:

Rabi Iossi conta: “Toda minha vida me interroguei sobre este versículo: ‘Andarás às cegas, tateando na escuridão!’ Porque na ‘escuridão’? Um cego tateia mesmo em pleno dia!

“Até que encontrei em plena noite um homem cego com uma lanterna ‘Para que pode te servir esta lanterna, homem’, perguntei, ‘você não pode vê-la!’

“Ele me explicou: ‘Quando carrego a luz, outras pessoas percebem a minha presença e podem me indicar os acidentes do terreno, os buracos e outros obstáculos no meu caminho.’”

A Torá prediz que se os Judeus a abandonarem serão “cegos na escuridão”. Além da confusão de estarem (espiritualmente) perdidos, não terão ninguém que os ajude e os aconselhe.

Resumo da Parashá:

Aniversário do nascimento do Rabi Israel Baal Shem Tov (1698)

e do Rabi Shneur Zalman de Liadi (1745)

“Escolheste D’us e D’us te escolheu”. Este versículo que nossa parashá cita, que nos fala da entrada e da instalação do povo judeu na terra de Israel, alude a duas etapas no serviço do homem ao seu criador. Quando somos apanhados pelos deveres do mundo material que estão, de acordo com a expressão do Tania “cheios de clipot (forças do mal)”, é bom lembrar que nós “escolhemos”; de acordo com a primeira explicação de Rashi, isso quer dizer que D’us nos “tirou” e nos “separou”; apesar de estarmos num mundo material, somos capazes de transcender.

Mas, se apesar disso a pessoa falha na sua missão e transgride o caminho da Torá e das Mitsvot, precisa então ver a segunda explicação de Rashi: “é um termo que expressa a beleza, como no versículo: “os artesãos do mal serão bonitos”; pela Tshuva (o retorno a D’us) podemos transformar nossos erros em bem, os artesãos do mal também serão bonitos, a pessoa consegue transformar suas faltas em méritos.

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As primeiras palavras da Parashá Tavó são as seguintes: “Quando chegares ao país que o Eterno, teu D’us, te da como herança, quando tenhas te apossado dele e que nele te tenhas estabelecido, tomarás das primícias de todas as frutas da terra... e te dirigirás ao local que o Eterno, teu D’us, tenha escolhido para nele fazer reinar Seu Nome”(Dvarim 26: 1-3).

Rashi comenta: “isto nos ensina que eles (os judeus) não eram obrigados a trazer (como oferenda) os primeiros frutos antes de terem conquistado e feito a partilha de todo o país”.

A oferenda dos primeiros frutos constituía, da parte do povo judeu, um gesto de gratidão para D’us por tê-lo conduzido para Erets Israel e ter-lhe permitido gozar da sua riqueza. Este gesto provava, então, que os judeus não eram ingratos. Podemos fazer-nos a seguinte pergunta: antes mesmo que toda a terra de Israel tenha sido inteiramente conquistada e dividida, muitos judeus já tinha recebido o seu respectivo quinhão de terra. Por que estes judeus não deveriam oferecer imediatamente os frutos da sua colheita? Por que não deveriam eles agradecer a D’us pelo bem que Ele lhes havia feito, já que a falta de agradecimento teria podido ser considerada como sinal de ingratidão?

Todos os membros do povo judeu estão ligados uns aos outros. Enquanto um só judeu não tivesse ainda recebido a parte da terra que lhe correspondia, todos os outros não poderiam sentir alegria e felicidade autênticos. Já que esses agradecimentos se expressavam pelo aporte dos primeiros frutos, expressão de gratidão por excelência, frente à extraordinária Bondade de D’us (é por isso que as primeiras frutas escolhidas são precisamente aquelas que fazem o elogio de Erets Israel) isto não poderia ser feito antes da conquista e da partilha total da terra de Israel.

O princípio que acabamos de enunciar tem uma relação particularmente estreita com Chai Elul, décimo oitavo dia do mês de Elul, aniversário de duas grandes luminárias: o Baal Shem Tov e o Baal Hatania, dois dos fundadores mais eminentes do movimento chassídico. Um dos princípios fundamentais da chassidut, na verdade a sua pedra angular, é o conceito do amor ao próximo judeu e da unidade intrínseca do povo judeu.

Evoca-se este conceito, como acabamos de explicá-lo, no início da parashá Tavo, que lemos ou no próprio dia Chai Elul, ou no Shabat que o precede ou no que o segue imediatamente.

Como chegar da maneira mais perfeita ao amor e à unidade do povo judeu?

Quando duas ou mais pessoas se unem, por mais profunda que seja a sua ligação, a unidade absoluta só pode ser alcançada na medida em que elas se mantêm como entidades intrinsecamente diferentes, cuja união é algo que se acrescenta ao seu ser essencial.

Fica claro, então, que a unidade do povo judeu, por natureza verdadeira e essencial, a ponto de se dizer na sentença bíblica: “amarás o próximo como a ti mesmo” provém do fato de todos os judeus, sem exceção, pela fonte comum das suas almas, fazem um verdadeiro todo único e indivisível.

Entretanto, a verdadeira unidade do povo judeu se expressa mais particularmente quando seus membros, não obstante sua individualidade e as diferenças fundamentais inerentes à sua personalidade, apesar de tudo, estão fundidos num só corpo irredutível.

Na realidade, se a unidade do povo judeu não se manifestasse através da pluralidade e da diversidade dos seus membros, isto provaria que esta unidade não surge verdadeiramente da essência do seu ser, já que a “essência” do indivíduo deve se manifestar em todos os aspectos mínimos da sua personalidade.

É esta então a razão profunda pela qual o povo judeu não devia trazer suas primícias antes da conquista e da partilha total da terra. Esta condição prévia e essencial valoriza o amor e a unidade absolutos e verdadeiros no seio do povo judeu, a ponto tal que um judeu não podia realmente dar livre curso à sua alegria enquanto seu próximo não tinha obtido ainda sua parte em Erets Israel.

Ao adotar este princípio de amor ao próximo, mereceremos, nós também, “chegar ao país” de novo, conduzidos por nosso justo Mashiach, muito rapidamente e em nossos dias.

18 de Elul CHAI ELUL

A vida em Elul

Toda a vitalidade do mês de Elul está contida no dia 18 do mês e 18, em hebraico, se diz

(Chai), vivo.

O Rebe Raiats dizia em nome dos chassidim de antigamente, sobre o aumento do dia 18, que este dia introduz a vitalidade do mês. O que é o mês de Elul? É a retificação do ano que passou por meio da Tshuvá e esta Tshuvá ocorre no mês de Elul; então mereceremos no ano que vem um ano bom e doce.

Dia 18 de Elul introduz toda a vitalidade que vamos precisar para fazer o trabalho próprio do mês e em geral, vai dar a força para fazer a Tshuvá.

Mas essa Tshuvá não a fazemos como um robô, de maneira repetitiva; precisamos de uma motivação própria, profunda e adequada. E não só isso, precisamos vitalidade e vigor                  (Chaiut).

Chai Elul é o dia do nascimento do Baal Shem tov. É o seu nascimento físico e o aniversário da sua alma, que desceu no seu corpo nesse dia, após tantos anos. O Baal Shem Tov revelou a Chassidut em geral. Mais tarde o Admor Hazaquen fundou a Chassidut Chabad. E seu aniversário é também Chai Elul.

Nesse dia é a revelação da Chassidut em geral e da Chassidut Chabad em particular e esse dia traz toda a vitalidade às coisas do mês de Elul.

Mas há algo que não compreendemos. A vitalidade está ligada a Simchá, alegria. Se é assim, como querem estar mais alegres no mês de Elul, mês em que deve se fazer Tshuvá? Como introduzir a vitalidade no mês de Elul?

TSHUVÁ é lamentar-se das coisas do passado e o compromisso, a decisão de fazer o bem no futuro. Quando se faz Tshuvá, se está no ‘amargor’; como estar então na alegria?

O Rambam diz que devemos fazer qualquer mitsvá com alegria. Quando cumprimos qualquer mitsvá estamos realizando a vontade de D’us. Agora me digam, quem é aquele que não está alegre ao fazer a vontade de Hashem, Bendito Seja? A Tshuvá é também uma mitsvá. E está bem claro que cada mitsvá, inclusive a Tshuvá, deve se fazer na alegria, já que ao cumpri-la estamos realizando a vontade de D’us. Faz-se uma mitsvá, qualquer que seja, é o bastante para ficarmos felizes!

Graças à Chassidut e à sua luz o dia 18 de Elul transforma o amargor de uma Tshuvá em alegria. A Simchá não está, portanto em contradição com o amargor.

Concretamente, como fazer Tshuvá com alegria? O Admor Hazaquen diz no Tania que o choro está fixo num lado do meu coração e a alegria está fixa do outro lado do meu coração. Realiza-se ao mesmo tempo e no mesmo lugar duas coisas opostas: Amargor e alegria. Quando um judeu faz Tshuvá e se empenha contra seu Ietser Hará, ele sente amargura sobre os atos passados. Mas quando chega o momento da alegria? Quando ele se aproxima de D’us e sabe que D’us quer perdoá-lo; ele tem a certeza que D’us vai perdoá-lo. ESTE É O MOTIVO DA SUA ALEGRIA.

E IRÁS POR SEUS CAMINHOS

Nossa parashá, qui Tavó, relata sobre o mandamento: “e andarás pelos Seus caminhos” (Dvarim XXVIII:9). O Rambam inclui este mandamento como um dos 613 e explica que ele consiste em se parecer com D’us e fazer como Ele, de acordo com o que cada um pode e suas possibilidades, como diz o midrash: “do mesmo modo que Hashem é chamado misericordioso (         ), seja você também misericordioso; do mesmo modo que Hashem é chamado clemente (            ), seja você também clemente; do mesmo modo que Hashem é chamado benevolente (           ), seja você também benevolente.

O Rambam nunca enumera os mandamentos gerais, que não tenham uma aplicação particular e detalhada. Os mandamentos de ordem geral, do tipo: “Minhas Mitsvot, guarde-as” ou “Sereis Santos”, estas o Rambam não as inclui no número das 613 mitsvot, por serem de ordem geral. São ensinamentos e caminhos em geral para o conjunto das mitsvot.

Sendo assim, porque incluir o mandamento acima citado “e andarás pelos Seus caminhos” entre as 613 mitsvot? E porque este e não os outros? Este mitsvá parece ser também geral. Há uma ordem divina de se parecer com Hashem como se pode - com nossos próprios meios - sempre, em qualquer situação e a ser aplicado para cada um dos mandamentos divinos. Mas o ambam considera este mandamento particular e o enumera, já que o ensinamento que dele se tira é particular e contém alguma coisa a mais, uma novidade que não é aparente nos outros mandamentos. Qual é esse mais - esta novidade?

“E andarás”: a novidade está em que cada judeu deve cumprir os mandamentos de modo a “ir”. Acontece às vezes que um judeu cumpre um mandamento mas fica no lugar em que estava antes, ele não se mexeu. O cumprimento deste mitsva não operou nele nenhum movimento, nenhuma evolução, nenhum ascenso. Este ensinamento vem definir que quando cada judeu cumpre as mitsvot, isto deve provocar um movimento. Deste modo, os mandamentos provocam com que ele abandone a situação precedente em que estava e a subir para uma etapa superior, e assim por diante. O “movimento” é aquilo que se deve ganhar no cumprimento das mitsvot. Como chegamos a isso? Como um judeu pode chegar a cumprir um mandamento de modo a “ir”? é graças a “em Seus caminhos”. Quando um judeu cumpre cada mitsvá como um caminho de Hashem - quando ele cumpre cada mitsvá com a finalidade de se parecer com Hashem, então acontece dentro dele o movimento de ascensão “e andará”, e ele progride e avança na sua vida graças às mitsvot. Esta é a novidade, a luz contida neste mandamento “e andarás pelos Seus caminhos”.