PURIM!!!!!

O MÊS DE ADAR

Adar, na Meguila de Ester, é caracterizado como “o mês que foi transformado para eles (os Judeus)”. Esta é a razão pela qual todo o mês e não unicamente o dia de Purim, é alegre.

O costume dos Chassidim é de não jejuar no dia 7 de Adar, dia da Hilula de Moshé. Pelo contrário, este dia é considerado propício e pode se retirar do mesmo as forças espirituais para o Retorno a D’us (Tshuva).

O SIGNIFICADO de PURIM

Purim representa a alegria sem limite, a “superioridade da luz que segue à escuridão”. De fato, a vitória permite transformar a adversidade de modo que os Judeus, cuja vida estava anteriormente em perigo, dominaram o país e superaram tudo que se opunha à revelação da santidade no mundo. Mais ainda, uma tão grande realização não foi obtida contrariando as leis da natureza, pelo contrário, o Nome de D’us não aparece na Meguila de Ester, e uma leitura rápida permite ver na mesma apenas o concurso de circunstâncias.

Precisamente por isso, Purim é o dia mais feliz do ano. Durante as três festas da peregrinação, Pessah, Shavuot e Sucot, o tribunal delegava emissários em todos os lugares para verificar se a alegria não levava a excessos. Nada disso ocorria em Purim e “somos levados a nos embriagar em Purim até não saber mais a diferença entre “maldito seja Haman” e “bendito seja Mordehai”, já que todos os acontecimentos de Purim ocorreram durante festas acompanhadas de vinho. É por isso que Iom Kipur é apenas “Kipurim”, isto é, como Purim e Purim é mais elevado que Kipur. De fato, no dia de Kipur, um Judeu só pode se elevar a D’us esforçando-se em parecer um anjo, já que Kipur é um dia de jejum, totalmente consagrado à oração e ao retorno a D’us, Tshuvá, e cortando-se do mundo. Já no dia de Purim, a Divindade se revela no meio da matéria, e é um dia de alegria sem limite, em que é obrigatório fazer uma festança, comendo e bebendo muito. Deste modo, é possível elevar-se a D’us sem cortar-se do mundo material.

A hassidut chama a atenção sobre o fato do rei Ahashverosh fazer alusão a D’us, “o Rei que possui o princípio e o fim”. É por isso que se diz “esta noite, o sono do Rei foi perturbado”. Durante a noite do exílio, D’us não “dorme”, consagrando-se em todos os momentos à proteção do Seu povo.

O JEJUM DE PURIM

JEJUAR: este ano na quinta-feira, dia 1 de março, desde o amanhecer até a saída das 3 estrelas deve-se jejuar.

Como lembrança dos três jejuns consecutivos que os judeus da Pérsia se impuseram para implorar a misericórdia divina, por que estavam sendo ameaçados de extermínio por Haman que odiava os judeus e que era o maldito e primeiro ministro do rei Assuero. Este jejum é denominado “jejum de Ester” por ter sido ela, a própria rainha, que disse a Mordehai: “Vai juntar todos os judeus presentes em Shoshan e jejuem na minha intenção”(Meguilat Ester 4,16).

Nesta quinta 1 de março, dia de jejum, antes da reza da tarde (Minha) precisa dar três moedas de ½ real (50 centavos), para recordar a contribuição anual que os judeus faziam para  O Templo de Jerusalém (o Beit Hamikdash, que seja reconstruído em breve, Amem), durante o mês de Adar.

Na reza da AMIDA e na oração depois da refeição (Bircat Hamazon) acrescenta-se um parágrafo especial para  Purim começando com as palavras “AL HANISSIM” (sobre os milagres).

O QUE FAZER PARA CELEBRAR PURIM

SÃO 5 MITZVOT:

1/ ESCUTAR a leitura da Meguila (o Livro de Ester) na noite de Purim e no dia de Purim, este ano, a primeira  leitura da Meguilat Ester será no final do Shabat, na noite de sábado 3 de março, e a segunda leitura da meguila será no dia Domingo 4 de março. A Meguila nos conta e nos faz reviver o grande milagre de Purim.

2/ ENVIAR  um presente composto de um mínimo de dois tipos de pratos prontos para o consumo para pelo menos um amigo. (homem para homem, mulher para mulher). Isso se chama: “Mishloah Manot”. È melhor mandar os presentes comestíveis por um intermediário. Cada um dos presentes comestíveis deve pesar pelo menos  30 gramas para os sólidos e 8,6 cl. para os líquidos.

3/ DAR caridade (Tzedaka) para pelo menos 2 pessoas necessitadas. Isso se chama “Matanot Laevionim”.

4/ COMER antes do por do sol de Domingo 4 de Março, o banquete de Purim (uma refeição copiosa) e alegrar-se sem limite com o espírito festivo da festa de Purim.

A História de Ester

Uma jovem denominada Hadassa

Vocês conhecem o arbusto que chamamos “murta” ou “mirto” em português e “Hadass” ou “Hadassa” em hebraico? Ele é muito bonito durante o dia mas muito mais ainda quando cai a noite. Suas folhas preenchem o ar com um doce perfume e suas florzinhas, todas brancas, brilham como estrelas.

Vivia há muito tempo na Pérsia uma encantadora moça judia, uma órfã, que tinha sido criada por seu primo, o bom Mordechai. Ela se denominava Hadassa, porque possuía a beleza dos “Hadassim”. Seu nome persa era Ester.

Nesta época aconteceu que Assuero, rei da Pérsia, ofereceu um grande festim aos príncipes e aos governantes do seu reino, que se dirigiram todos a Suss, a capital. Nessa cidade também moravam Mordechai e Ester. Nunca houve uma festança tão esplêndida! Aconteceu nos jardins do palácio. O piso era de mármore colorido, verde, branco e preto. Preciosas cortinas azuis e brancas estavam penduradas em pilastras de mármore. Os convidados, deitados em camas de ouro e prata, bebiam em taças de ouro.

No interior do palácio, a rainha Vashti oferecia um festim às mulheres dos príncipes. Na Pérsia daqueles tempos homens e mulheres não costumavam assistir juntos ao mesmo banquete.

No sétimo dia, quando o coração do rei se regozijava com o vinho, ele ordenou à rainha Vashti que se apresentasse diante dele, para que todos seus convidados pudessem admirar a beleza da sua mulher. Mas Vashti não aceitou comparecer.

O rei ficou muito zangado e perguntou aos príncipes: “O que fazer com a rainha Vashti, que se recusa a obedecer às minhas ordens?”

Os príncipes responderam: “Não é só frente ao rei que a rainha Vashti agiu mal, mas também frente a todos os homens do reino. Quando suas esposas ficarem sabendo o que a rainha fez, elas também recusarão obedecer aos seus maridos. Se for do agrado do soberano, que a coroa seja retirada da rainha Vashti e que seja dada a outra mulher, mais digna dela.”

O rei Assuero, que era todo-poderoso mas não muito sábio, ouviu o conselho dos príncipes. Ele enviou mensageiros para todas as terras do seu amplo reino, à procura das mais belas moças. Todas deviam ser apresentadas diante dele e aquela que mais lhe agradasse se tornaria rainha no lugar de Vashti.

Quando Ester ouviu falar do decreto real não quis mais sair do seu quarto, com medo que os mensageiros do rei a escolham para levá-la ao palácio. Mas sua beleza era por demais conhecida. Um dia os enviados do rei bateram na porta de Mordechai e Ester foi levada ao palácio.

Ester se torna rainha

Provenientes de todos os cantos do império belas moças haviam sido reunidas no palácio, na casa das mulheres. Ester foi a última a chegar ali.

Todos os olhares se voltaram para ela. As moças cochichavam:

“Ela não possui nenhuma majestade!”, disse a grande princesa de olhos azuis vinda do Norte.

“E nenhum refinamento!” acrescentou a pequena princesa dos olhos negros, que vinha do Sul. “Ela é uma qualquer.”

“E sua aparência! Ela é tão pálida!” disse ainda uma moça cuja pele parecia uma pétala de rosa.

Tudo isso era verdade. Entretanto Ester tinha uma certa graça e um charme particular que lhe atraíam a simpatia de todos. Os servidores do palácio gostavam muito dela. O guardião da casa das mulheres fazia tudo para ser agradável a ela.

Antes de aparecer diante do rei, as moças deviam ficar uns doze meses na casa das mulheres, para realçarem a sua beleza. Elas se untavam com água de cheiro e perfumes diversos, como era costume da época.

No final desses doze meses, o guardião da casa das mulheres convocou todas as moças e lhes disse: “Vocês podem escolher tudo o que vocês quiserem dentre os tesouros do palácio. Expressem o vosso desejo. Seja um enfeite ou outra coisa qualquer, vocês a levarão quando forem ver o rei e depois isso lhes pertencerá.”

As moças pediram sedas raras, véus bordados, xales tão finos quanto teias de aranha, amuletos e pedras preciosas: diamantes, pérolas, rubis, safiras. A princesinha dos olhos sombrios encomendou um vestido de penas de colibri; a moça com a pele de pétala de rosa insistiu para ser precedida por escravas com a pele mais negra que carvão, quando fosse ver o rei.

Uma por uma, as moças foram se apresentando ao rei, resplandecentes de beleza, maravilhosamente enfeitadas. Só Ester não tinha pedido nada. Ela apareceu diante do soberano modesta e doce, vestida com um simples vestido branco.

E o rei Assuero escolheu Ester entre todas as moças. E colocou na sua cabeça a coroa real e a proclamou rainha.

Haman conspira contra os judeus

Todo dia Mordechai vinha sentar na porta do palácio, para estar bem perto de Ester, se ela precisasse de alguma coisa dele. Ninguém no palácio sabia que ele era um parente da rainha porque ele havia pedido a Ester para não falar da sua família. Havia no palácio gente hostil aos judeus e Mordechai temia que aconteça alguma desgraça com Ester, se alguém soubesse que ela era judia.

Um dia em que, de acordo com seu costume, Mordechai estava sentado na porta do palácio ele ouviu dois oficiais da corte fazendo um projeto para matar o rei. Eles falavam uma linguagem desconhecida em Suss e pensavam que ninguém os compreendia. Mas Mordechai tinha aprendido as línguas das setenta nações do mundo e ele entendeu tudo o que eles diziam. Ele mandou então um mensageiro para a rainha Ester para informá-la sobre essa conspiração. A rainha informou o rei. Fez-se uma investigação que confirmou o fato e os dois culpados foram mortos.

Pouco tempo depois, o rei Assuero encheu de honrarias um certo Haman, homem orgulhoso e arrogante, e lhe deu as mais altas funções do reino.

Era uma delícia para Haman ver todo mundo se prosternando até o chão diante dele, quando passava pela porta real. Só Mordechai não se prosternava.

Os servidores do rei lhe perguntaram: “Porque você não se prosterna diante de Haman?”

“Eu sou judeu”, respondeu Mordechai, “e só me prosterno diante de D’us”.

Quando Haman ficou sabendo dessa resposta, foi dominado por um ódio louco. Castigar Mordechai não lhe bastava. Ele decidiu exterminar todo o povo de Mordechai, matar todos os judeus do reino.

Ele foi, então, dizer ao rei Assuero: “Há um povo disperso em todas as províncias do teu reino. Suas leis são diferentes das leis de todas as outras nações e ele não observa as leis do rei. Se é do agrado do rei, que ele dê a ordem de destrui-lo e eu pagarei dez mil talentos de prata ao intendente do tesouro real.”

O rei Assuero -- que era muito poderoso, mas certamente muito pouco sábio -- não se deu ao trabalho de saber se Haman dizia a verdade. Ele lhe disse: “Esses judeus estão nas suas mãos. Faz deles o que você achar melhor”.

Imediatamente Haman mandou o escrivão do rei redigir um édito. Este édito proclamava que o décimo quarto dia do mês de Adar, todos os judeus do reino, homens, mulheres e crianças, deveriam ter a vida salva. O decreto recebeu o selo real e os mensageiros o levaram para as províncias mais afastadas do reino.

Mordechai estava sentado na porta real quando os mensageiros saíram do palácio. Oprimido com a terrível notícia, ele foi para casa. No trajeto encontrou três crianças judias que voltavam da escola.

“Qual é o versículo que vocês aprenderam hoje?” perguntou-lhes Mordechai, já que os estudantes aprendiam todo dia outro versículo bíblico.

O primeiro menino respondeu: “Não tema de um medo súbito nem dos perigos que os maus te trazem.”

O segundo disse: “Deixa-os conspirar, sua trama vai fracassar, porque D’us está conosco.”

O terceiro disse: “Este é o meu versículo: ‘Eu sou o Eterno que vos criou. Em verdade, Eu vos salvarei’.”

Quando Mordechai ouviu essas palavras da boca das crianças, ficou envergonhado por ter perdido tão rápido a esperança.

Ele enviou palavras de conforto aos judeus de Suss, que se haviam fechado em suas casas onde só choravam e se lamentavam.

“Jejuem e orem para o Eterno”, mandou dizer Mordechai. Depois se cobriu com a vestimenta do luto, um saco coberto de cinza e foi andando pelas ruas da cidade até os portões do palácio.

Ester não tinha ainda ouvido falar do édito real contra os judeus. Ela se encontrava em seus apartamentos quando uma serva fiel correu para lhe dizer: “teu primo Mordechai está diante do palácio vestido com um saco coberto de cinzas.”

Ester ficou logo aflita. Ela disse à sua escrava: “Vai correndo perguntar-lhe o que isso significa. Porque ele veio até o palácio com roupa de luto?”

A criada voltou rapidamente com uma cópia do édito real e um pedido de Mordechai: “Ester, vá falar com o rei e implorar-lhe pela vida do teu povo.”

Mas havia na Pérsia uma severa lei: ninguém, nem mesmo a rainha, tinha o direito de apresentar-se diante do rei sem ter sido convocado. E todos sabiam disso no país.

Ester disse às servas: “Expliquem ao meu primo Mordechai que há trinta dias que não fui chamada diante do rei. Se vou ter com ele sem ter recebido a ordem, os guardas me matarão – salvo se o rei me salvar estendendo-me seu cetro de ouro.”

Mordechai mandou responder a Ester: “Não vai pensar que só você entre todos os judeus vai escapar do destino do seu povo, por estar na casa do rei. Se você calar, os judeus obterão sua libertação por algum outro meio, mas você e a sua família perecerão. E quem sabe se não foi por uma circunstância como essa que você se tornou rainha?”

Ester mandou, então responder a Mordechai: “Vá! Reúne todos os judeus de Suss e ordena-lhes que jejuem e orem por mim. Do meu lado, jejuarei, eu e minhas criadas. E depois vou me dirigir ao rei e se devo morrer, morrerei.”

Ester salva seu povo

O rei Assuero estava sentado sobre seu trono, rodeado por seus cortesãos. De repente, todos os olhares se voltaram para o pátio interno: na entrada se erguia a rainha Ester, vestida com a indumentária real, escoltada por suas criadas. Os guardas tiraram a espada mas ela não prestou atenção. O rei nunca a havia visto tão linda. Ele lhe estendeu o cetro, e ela se aproximou e tocou a sua ponta. Os guardas devolveram suas espadas nas bainhas.

O rei então falou: “O que você tem, Ester e o que você pede? Mesmo se fosse a metade do meu reino, eu o outorgaria a você.”

“Se é do agrado do rei,” respondeu Ester, “que o rei venha assistir hoje, com Haman, à festa que lhe preparei.”

Depois voltou aos seus apartamentos.

O rei, acompanhado de Haman, se dirigiu à festa para a qual Ester os havia convidado.

De novo o rei lhe perguntou: “O que deseja a Rainha Ester? Mesmo se fosse a metade do meu reino, eu o outorgaria a você.”

Ester respondeu: “Se achei graça aos olhos do rei, que o rei e Haman retornem amanhã, porque lhes prepararei outra festa.”

Haman saiu do palácio de Ester satisfeito e com o coração feliz. Mas a cólera o invadiu quando passou pela porta do rei e percebeu que Mordechai não se levantou diante dele nem se inclinou. Ele correu para casa e disse à sua mulher, Zeresh, e aos seus dez filhos:

“Não somente o rei me colmou de honras e riquezas e me colocou acima de todos os príncipes, como também a rainha Ester me convidou hoje para a sua festa. Isso, entretanto, não me basta. Não poderei gozar minha felicidade enquanto ver o judeu Mordechai sentado diante da porta do palácio.”

Sua mulher, Zeresh, lhe disse então: “Manda preparar uma forca, com a altura de cinqüenta côdeas (cerca de 25 metros). Amanhã de manhã vai pedir licença ao rei para mandar enforcar Mordechai nela.”

“Teu conselho me agrada”, disse Haman. E mandou logo construir a forca.

Esta noite, o rei se agitava no leito, sem poder conciliar o sono. Ele pediu que seu criado lesse passagens do Livro dos anais, onde se consignavam todos os acontecimentos. O servidor abriu o livro exatamente na passagem que contava a conspiração dos dois oficiais contra o rei e a intervenção de Mordechai que, ao denunciá-los, salvara a vida de Assuero.

“Que honrarias Mordechai recebeu em recompensa?” perguntou o rei.

“Nenhuma. Nada foi feito para ele”, respondeu o servidor.

O rei ficou muito aflito.

Enquanto isso Haman esperava, desde que o sol nasceu, na porta do rei: estava com tanta pressa para obter a autorização para mandar enforcar Mordechai!

O rei percebeu que havia alguém atrás da porta e perguntou:

“Quem está no pátio?”

“É Haman”, respondeu seu servo.

“Que entre”, lhe disse o rei.

Haman entrou e o rei lhe fez a seguinte pergunta: “Me diga, Haman, o que se deve fazer para um homem que o rei quer ter o prazer de honrar?”

Haman se deteve, pensando: “Quem além de mim pode o rei querer honrar?”

Ele então respondeu: “Que este homem seja vestido com a indumentária real, que ele suba no próprio cavalo do rei, que ele leve uma coroa na cabeça. E que ele percorra as ruas da cidade com um dos mais nobres senhores andando diante dele e proclamando: ‘É assim que se trata um homem que o rei quer honrar’.”

“Muito bem, corra, Haman”, disse o rei. “Vai separar as roupas e o cavalo de que você falou e tudo o que você propôs é para você fazer com Mordechai, o judeu.”

Haman foi constrangido a obedecer ao rei. Ele foi então obrigado a vestir Mordechai com as roupas do rei, fazê-lo subir no próprio cavalo do rei e fazê-lo percorrer as ruas da cidade gritando bem alto diante dele: “É assim que se trata um homem que o rei quer honrar.”

As pessoas olhavam estupefatas.

Depois Mordechai voltou para a porta do palácio.

Enquanto isso Haman voltava rapidamente, cabisbaixo, para casa. Contou à mulher Zeresh tudo que tinha ocorrido, esperando que ela o console.

Mas Zeresh lhe disse: “Se você começou a cair diante de Mordechai, a queda vai certamente prosseguir.”

Ainda estavam falando quando chegou um servidor do rei e Haman teve que sair correndo para a festa da rainha.

Durante essa festa, o rei repetiu: “Qual é o teu pedido, Rainha Ester? Mesmo se for a metade do meu reino, você vai obtê-lo.”

Esta vez, Ester respondeu: “O meu rei, se achei graça aos seus olhos, que minha própria vida seja poupada, bem como a do meu povo. Porque meu povo e eu, fomos vendidos para sermos exterminados, sacrificados e aniquilados.”

O rei olhou para Ester, estupefato: “Quem é esse, onde está ele, este que ousou fazer um tal projeto?” exclamou.

Ester apontou para Haman: “É ele o inimigo, é Haman, esse malvado!”

Apavorado, Haman se precipitou aos pés da rainha, suplicando-lhe que poupe a sua vida.

O rei, invadido pela cólera, saiu da festa e ordenou que prendessem Haman.

Neste momento o governador do palácio se adiantou e disse:

“Haman mandou construir uma forca de cinqüenta côdeas para Mordechai.”

“Que ele seja enforcado ali”, ordenou o rei.

Foi assim que o judeus foram salvos.

ME CONTA UM HISTORIA DE PURIM!

A Alegria que salva ...

Era Purim. Rabi Eleazar Rokeach estava na cabeceira da enorme mesa preparada na sua casa para comemorar a festa. Em torno dele estavam os membros da sua família, as autoridades da comunidade e muitos convidados que faziam questão de festejar os gloriosos acontecimentos de Purim na sua companhia.

Rabi Eleazar não somente era um erudito da Torá, cuja fama ultrapassava as fronteiras, mas também um profundo conhecedor da Cabala sendo sua sabedoria reconhecida por judeus e não judeus na Holanda. Antes de instalar-se em Amsterdam em 1690, tinha sido Rav das cidades de Brodie e Cracóvia, na Polônia.

Quando chegou em Amsterdam os judeus da comunidade o acolheram com todas as honras e até a rainha da Holanda mandara cunhar uma moeda especial reproduzindo o rosto do Rav.

Na sua mesa havia todo tipo de peixes e carnes, bolos e doces, como é costume na festa de Purim. Além do mais, o Rav e sua família haviam recebido inúmeros pacotes de “Mishloach Manot” (Envio de alimentos), entre os quais numerosas garrafas de vinho e de licor para poder cumprir o adágio talmúdico: “Um homem deve beber em Purim a ponto de não distinguir mais entre ‘Maldito seja Haman’ e ‘Bendito seja Mordechai’. ”

Após cada prato, Rabi Eleazar dava explicações sobre a Meguila (Rolo com o relato dos fatos ocorridos em Purim). As palavras de Torá jorravam da sua boca e todos ouviam atentamente com que felicidade ele falava passando da Guemara ao Rambam, do Shulchan Aruch aos Midrachim; o vinho corria solto e a alegria alcançava seu auge.

De repente batem na porta. Três soldados da rainha, uniformizados, querem conversar com o Rav sobre um problema urgente. Eles entram, pedem desculpas por interromperem a refeição mas  dizem ser necessário transmitir uma notícia de parte da rainha: uma grande desgraça estava ameaçando o país.

De fato, havia sido constatada uma brecha num dos diques. Como se sabe, a Holanda é um país plano que conquistou terras do mar, os aterros ou “polders”, que estão sempre à mercê de uma inundação. Foi por isso que os holandeses haviam construído diques que impediam a água do mar de invadir o seu país. Quando uma brecha não era reparada de imediato, províncias inteiras ficavam submersas pelas águas!

Por isso a rainha havia mandado seus soldados pedirem a Rabi Eleazar que “fizesse alguma coisa” para salvar o país. Os emissários tinham ouvido falar da grande devoção do Rabi e esperavam vê-lo trancando-se num quarto, afastando-se da multidão e rezando.

Em vez disso, Rabi Eleazar pediu que se sentassem em volta da mesa e lhes serviu comida e bebida.

“Tragam todas as garrafas de vinho e de licor que se encontram na bodega!” pediu Rabi Eleazar. Os convidados se entreolhavam, espantados. Num instante a mesa foi coberta com garrafas e frascos. “Agora, meus amigos, vamos cumprir como se deve as Mitsvot da festa!”

Momentos depois todos os convidados estavam mais que felizes; se cantava em voz alta e se dançava em volta das mesas ... Até o velho Rav se levantou e estimulou um por um, para que ficassem ainda mais alegres; batia com as duas mãos e ritmava a música e as danças.

Os três soldados da rainha estavam sufocados por se encontrarem ali, naquilo que parecia uma assembléia de festeiros mais do que ‘embebidos’ no álcool! Pensaram, quem sabe, erramos o endereço ... Ou talvez o Rav não era o grande erudito que parecia ...

Discretamente saíram da casa, indignados e chocados. Chegando no palácio da rainha, foram recebidos com grande alegria. Antes mesmo de poderem abrir a boca, a rainha lhes anunciou que sua missão havia sido coroada de êxito.

Num tempo muito menor que o previsto os operários tinham conseguido obstruir a brecha e consolidar o dique. Só houvera uns poucos danos materiais a serem deplorados. Os três emissários foram obrigados a constatar que efetivamente, a rapidez dos socorros tinha sido intensificada exatamente no momento em que eles se encontravam na casa do Rabi.

Confusos, contaram à rainha o que havia ocorrido na casa do Rav. Por sua vez a rainha ficou muito surpresa, primeiro com a conduta do Rav, mas também com a exata “coincidência” dos dois eventos.

Alguns dias mais tarde, Rabi Eleazar foi convidado para o palácio real, para que a rainha pudesse agradecer sua preciosa ajuda mas também para pedir-lhe explicações sobre sua atitude.

Depois das habituais palavras de cortesia, a rainha fez a pergunta que queimava seus lábios. Rabi Eleazar arvorou um amplo sorriso. Seus olhos brilhavam, demonstrando inteligência e confiança em D’us.

“Nós, os judeus, temos um caráter especial, disse. Quando há um problema que mostra que D’us não está contente com o comportamento dos homens, nos esforçamos em obedecer aos Seus mandamentos com mais fervor ainda para que Ele afaste de nós todos os perigos.”

A rainha ouvia o Rabi com muita atenção. Ele prosseguiu: “Naquele dia era Purim. Este é um dia em que é preciso estar mais alegre que de costume, e até ficar embriagado. Se eu tivesse me comportado como vocês esperavam, se eu tivesse rezado, suplicado, jejuado, não somente não teria obedecido a ordem de D’us mas teria transgredido Sua vontade. É por isso que quando me dei conta do grave perigo que ameaçava o país, pedi aos judeus que me rodeavam que aumentassem ao máximo a alegria para despertar a piedade do Todo-Poderoso.”

As palavras de Rabi Eleazar agradaram à rainha que o demonstrou efusivamente pedindo que o acompanhassem para casa carregado de presentes e com uma escolta real.

PALAVRAS DE NOSSOS SÁBIOS COM RESPEITO A PURIM

PORQUE UM DECRETO DE EXTERMINAÇÃO CONTRA O POVO JUDEU?

Porque os Judeus estavam ameaçados de extermínio nesta época?

* Porque tinham se prosternado diante da estátua de Nabucodonosor.

- Porque tinham participado da festança não casher de Assuero (Tratado Meguila).

A FESTANÇA DE ASSUERO (Achashverosh)

*  “No terceiro ano do seu reinado ele organizou uma festança”(Ester 1, 3). O terceiro ano em que se deteve a reconstrução do Templo(Beit Hamicdash) por sua culpa, como está dito: “Sob o reinado de Assuero, desde o princípio do seu reinado, foi enviada por escrito uma acusação contra os habitantes da Judéia e de Jerusalém”. (Ezra 4, 6) (Midrash Raba).

*  “E a rara magnificência da sua grandeza”(Ester 1, 4), isso nos ensina que Assuero revestiu a vestimenta do sumo sacerdote (Cohen Hagadol), da qual está escrito: “para a glória e a magnificência”.

*  “Utensílios que apresentavam uma grande variedade”(Ester 1, 7), se tratava dos utensílios do Templo (Beit Hamicdash); Assuero tinha se dado conta, por seus cálculos, que já haviam passado 70 anos e se os Judeus não haviam sido ainda libertados, eles já não o seriam mais e tirou então todos os Utensílios do Templo (Beit Hamicdash) e os usou. (Tratado Meguila).

*  “A toda a população presente em Shushan, a capital, tanto aos grandes quanto aos pequenos”(Ester 1, 5). Haman disse a Assuero: “O D’us de Israel odeia a depravação, decretemos que venham todos comer, beber e se entregar à libertinagem”. Quando Mordechai viu isso, ele proclamou: “Não vão comer na festa de Assuero, ele só os convidou para que se percam”. Mas não o ouviram e foram todos, comeram, beberam e sua conduta foi depravada. (Midrash Raba).

*  “O sétimo dia, ... ele ordenou trazer Vashti”(Ester 1, 10-11), era Shabat e os judeus comiam, bebiam e estudavam a Torá, enquanto os não Judeus se entregavam à libertinagem, era assim a festa desse incrédulo. (Tratado Meguila).

ASSUERO (Achashverosh)

Este mesmo Assuero”(Ester 1, 1), o mesmo na sua maldade, do princípio ao fim. (Tratado Meguila)

- Porque tudo o que Assuero fez de bem para Ester, Mordechai e os Judeus emanava de D’us, já que ele mesmo, Assuero, era mau do princípio ao fim e isto está mencionado no princípio da Meguila, para fazer saber que tudo que é contado vem de D’us. (Maharal)

O REI – O SANTO BENDITO SEJA ELE

* Toda vez que está escrito na Meguila “o Rei”, sem outra especificação (sem Assuero), pode se tratar também do Rei do universo, o Santo Bendito Seja Ele.

HAMAN

Como sabemos que Haman é mencionado na Torá? Do que está dito: (Gênese 3): “Da árvore que te mandei não comer, comeste?”(Tratado Chulin).

* Por este primeiro pecado, a morte e o sofrimento foram decretados no mundo. Através deste versículo aprendemos que quando se cometem pecados o resultado é uma provação ou a morte.

* “Memuchan disse:” (Ester 1, 16) – se trata de Haman, o amalequita que estava pronto para o castigo. (Midrash Raba)

* “O rei retirou o seu anel” (Ester 8, 2) – o fato de tirar seu anel fez mais do que todas as profecias com respeito ao povo judeu, já que nenhum profeta conseguiu trazer de volta o povo para o caminho reto, enquanto que este gesto de tirar o anel o permitiu. (Tratado Meguila).

MORDECHAI

Um homem judeu”(Ester 2,5) – que estudava a Torá todos os dias, não se havia contaminado com alimentos proibidos, não havia participado da festa de Assuero e estava pronto a dar sua vida para D’us, ao não prosternar-se diante de Haman. É por isso que ele mereceu o nome de “judeu” (Ialcut Shimoni).

HADASSA, É ESTER

*  Hadassa (o mirto); igual ao mirto que exala um bom perfume, assim os seus atos eram belos (Midrash Raba)

*  Ester – Ashtar em Persa = uma estrela brilhante, a corça da aurora”. (Tratado Meguila).

*  Graças ao mérito do pudor de Rachel, esta mereceu que Shaul seja seu descendente. E graças ao mérito do pudor e da discrição de Shaul, do qual se diz: “E a coisa referente à realeza ela não falou dela”, este mereceu que saia dele Ester que era pudica e discreta – “Ester não revelou”. (Tratado Meguila)

*  Ela ficou a mesma Ester, tanto na sua juventude como na sua velhice, tanto antes quanto depois da sua ascensão à realeza. (Ialcut Shimoni)

*  Onde se menciona Ester na Torá?

Ocultarei minha face neste dia por causa de todo o mal que ele fez”(Deuteronômio 31) – Ester, da palavra ASTIR = ocultarei. (Tratado Chulin)

Há dois ocultamentos: - um da misericórdia (de D’us), e é então que ocorrem todas as desgraças do

decreto contra os Judeus;

- um da face (de D’us) durante a libertação (Nachmanides)

*  O decreto de exterminação parecia ser devido a Mordechai, que não havia se prosternado diante de Haman; e a libertação também ocorreu por causa de um milagre oculto, parecendo resultar da natureza das coisas. Esta é a razão pela qual o nome de D’us não é mencionado uma só vez em todo o rolo de Ester.

“ELES CONFIRMARAM E ACEITARAM”

Os Judeus confirmaram e aceitaram”(Ester 9), confirmaram o que já haviam aceito.

Na revelação do Sinai, se diz: “Eles ficaram no pé da montanha” (Êxodo 19, 16): isso nos ensina que o Santo Bendito Seja Ele inverteu a montanha sobre os Judeus como uma bacia e lhes disse: “Se aceitarem a Torá, é bom, e se não, aqui será o vosso túmulo”.

Na época de Assuero ele a aceitaram novamente, por vontade própria, e por amor a D'us, graças ao milagre. (Tratado Shabat).

* Está escrito “Ele aceitou” no singular (em vez de “eles aceitaram”), já que da mesma maneira que no monte Sinai, isso ocorreu unanimemente, como um só homem.

Quando confirmaram e acrescentaram as Mitsvot de Purim, de livre e espontânea vontade, sem decreto ou obrigação da parte de D’us, provaram o essencial, a saber, que sua aceitação da Torá era voluntária. (Maharal)

* O jejum, o arrependimento e a oração no momento do decreto e a alegria expressa frente a D’us pelo reconhecimento e o acréscimo de Mitsvot, no momento da libertação, se fizeram pela convicção que era a mão de D’us que havia realizado tudo isso. Eles reconheceram que não havia nisso tudo nenhum acaso, e sim um milagre velado – prova do seu amor e da sua observância da Torá por vontade própria.

É por isso que este livro se chama “Meguilat Ester”, “a revelação do que está oculto”. MEGUILA da palavra GUILUI = revelação e ESTER da palavra HESTER = o que está oculto.

* “Eu esperei o Eterno que ocultou a Sua face da casa de Iaacov e tive esperança nEle”(Isaias 8);  não há hora mais grave que aquela sobre a qual está escrito: “Eu velarei Minha face deles,” (Deuteronômio 31), e a partir deste momento, esperei nEle. (Ialcut Shimoni)

Para os Judeus, houve luz e júbilo, alegria e honra” (Ester 8, 16).

(Laiehudim haita Ora Vesimcha Vesason Veicar)

luz” – da Torá, Ora

júbilo” – Iom Tov, Simcha

alegria”- a circuncisão, Sasson

“e honra” – os Tefilin, Icar. (Tratado Meguila)



A LIÇÃO DE PURIM

No dia da festa de Purim, escutando a Meguila e meditando sobre a história contada, é preciso que recordemos alguns detalhes e fatos importantes que se produziram nesta época:

Um certo Haman aparece e publica um decreto cuja finalidade é o massacre e a exterminação de todos os Judeus numa data determinada. Enquanto isso, a rainha Ester pede a Mordechai para reunir todos os Judeus e jejuarem dizendo que ela se dirigiria ao rei para que o terrível decreto fosse anulado. Mordechai reuniu dezenas de milhares de crianças judias e ensinou-lhes a Torá: ele lhes mostra como fazer a oferenda do Omer quando o Templo Sagrado (Beit Hamicdash) for reconstruído. Todas as crianças estão tão entusiasmadas com o novo ensinamento que Mordechai lhes deu que exclamam, frente ao perigo mortal: “Ficaremos com você e com a Torá nos bons e nos maus dias”. Neste mesmo dia os decretos perdem sua validade. A queda de Haman já está assegurada e os Judeus são salvos, apesar de só serem informados disso alguns meses depois.

A experiência dos nossos ancestrais serve de lição para todos. É preciso compreender que um dos meios mais eficazes de fazer os Haman de todos os tempos fracassarem, assegurando sua queda e trazendo luz e alegria ao nosso povo é REUNIR CRIANÇAS JUDIAS PARA ENSINAR-LHES A TORÁ E O JUDAISMO. É preciso lhes dizer que a verdadeira e completa liberação depende inteiramente de nós, já que tão logo nós, judeus, retornemos à Torá com um arrependimento total, seremos imediatamente libertados por nosso Justo Mashiach. É preciso lhes dizer também que nosso Templo Sagrado (Beit Hamicdash) será reconstruído proximamente e que devemos ser dignos e preparar-nos para servir Hashem (D’us) no Grande Santuário. O dia em que as crianças Judias estejam penetradas deste espírito e exclamem: “Ficaremos com Você, Torá, na vida ou na morte” – este dia nossa Torá nós ensina, todos os Haman serão vencidos e veremos novamente os Judeus vivendo na luz, na alegria, na satisfação e no respeito. Que possamos ver isso se realizando em breve em nossos dias.

Há 2353 anos, em cada geração, os Judeus celebram ano trás ano a festa de Purim. Para os inimigos de Israel, para os Haman de todos os tempos, esta festa de Purim é uma advertência solene. Para nós, esta festa maravilhosa nos da outra vez coragem e fé sem fim e fortifica nossa devoção e nossa ligação com nosso grande D’us misericordioso. E ao mesmo tempo, ela é o sinal precursor e certo da nossa libertação, que não tardará a chegar.

PALAVRAS DOS NOSSOS SÁBIOS COM RESPEITO A AMALEC

“Recorda o que te fez Amalec no caminho quando saíeis do Egito; que te encontrou pelo caminho e feriu todos os desfalecidos que ficavam atrás de ti, e tu estavas sedento e cansado; e Amalec não temeu a D’us. Quando, pois, o Eterno teu D’us, te der descanso de todos os teus inimigos em redor, na terra que o Eterno, teu D’us te está dando por herança para possuí-la, apagarás a memória de Amalec de debaixo dos céus; não te esquecerás.”

A ESTRATÉGIA DE AMALEC

Ele atacou de surpresa toda tua gente, que estava enfraquecida” (Deuteronômio 25). Essav disse a Amalec: “Como me cansei para matar Iaacov e não consegui, é você que tem que me vingar!” Amalec lhe respondeu: “Como posso acabar com ele?” Essav lhe disse: “Tenha em conta a seguinte regra: quando veres que eles se enfraquecem moralmente, aproveita para atacá-los”. (Ialcut Shimoni).

-  “que te surpreendeu no caminho”, Rabi Iehuda disse: - ele te esfriou (te sujou), outra tradução da palavra carecha (car = frio).

Os Sábios dizem: ele te esfriou na presença das nações do mundo; pode se comparar isso a uma banheira de água fervendo na qual ninguém pode entrar, mas vem um temerário e pula dentro; apesar de ter se queimado, ele a resfriou para os outros... Da mesma maneira, quando os Judeus saíram do Egito, todos os povos os temiam, como está dito: “Agora tremem os chefes de Edom; os valentes de Moav foram tomados de terror, consternados todos os habitantes de Canaan” (Êxodo 15, 15). Basta então que Amalec ataque os judeus, mesmo que sofra perdas, ele está contribuindo para diminuir o terror que eles inspiravam a essas nações.

-  “Amalec era o primeiro dos povos, mas seu futuro está dedicado à perdição”. (Números 24, 20): o primeiro a fazer a guerra a Israel e destinado a perecer pelos Judeus. (Rashi).

A ORAÇÃO E A GUERRA

Quando Moshé estava com os braços levantados, os Judeus dominavam” (Êxodo 17, 11).

Eram por acaso as mãos de Moshé que faziam a guerra?

Isso nos ensina que: enquanto os Judeus dirigiam seus olhares para o céu e se submetiam ao seu Criador, eles ganhavam a guerra, e quando não o faziam, sucumbiam. (Mishna Rosh Hashana).

Moshé disse a Iehoshua: sai para combater Amalec. E Moshé, Aarão e Chur subiram ao topo do monte.”(Êxodo 17, 10)

Moshé deu a ordem a Iehoshua para combater Amalec para que ele possa orar, os braços elevados para o céu, e isto, do alto da colina para que todos possam vê-lo e que sua confiança em D’us aumente sua força. (Nachmanides).

COM RESPEITO À FALTA DE CONFIANÇA EM D’US

“... por causa da briga dos judeus, e porque eles tinham provocado o Eterno dizendo: “veremos se o Eterno está conosco ou não!” (Êxodo 17, 7).

-  Este versículo da Torá precede a guerra com Amalec para ensinar: “Estou permanentemente entre vocês e à disposição de vocês para todos os vossos problemas e vocês ousam dizer: “será que D’us está ou não está entre nós?”. Eu juro que o cão (Amalec) virá morder vocês e gritareis a Mim e sabereis então onde Eu estou”.

Isto pode ser comparado a um homem que carrega seu filho sobre os ombros e vai passear; seu filho deseja um objeto e pede: “Papai, me compra esse objeto” e seu pai lhe da o objeto, e assim repetidas vezes. Eles encontram alguém a quem a criança pergunta: “Você viu meu pai?” Seu pai lhe responde: “Não sabes onde estou?” Ele o tira de sobre os ombros e um cão vem mordê-lo... (Rashi, Êxodo).

PELO FATO DE TEREM PROFANADO O SHABAT

Se o povo Judeu tivesse observado o primeiro Shabat, nenhuma nação teria tido influência sobre ele, como está dito: “Era o sétimo dia, e alguns do povo foram para a colheita” (Êxodo 16, 27) e logo depois “Veio Amalac”. (Tratado Shabat).

AMALEC PARA RECORDAR OS PECADOS

Isso pode ser comparado a um rei que possuía um vinhedo e o havia cercado e tinha colocado um cão feroz. O rei disse: “Qualquer um que venha e abra a cerca será mordido pelo cão!

O filho do rei veio, abriu a cerca e foi mordido; cada vez que o rei quer recordar ao filho seu erro, ele lhe diz: “Recorda o cão que te mordeu!”

Assim, toda vez que o Santo Bendito Seja quer recordar a falta dos Judeus, o que o povo fez em Refidim, dizendo: “Será que D’us está entre nós ou não?”, Ele lhes diz “Recorda o que Amalec te fez.”

A JUSTIÇA E A PIEDADE NA SUA JUSTA PROPORÇÃO

O Rei Shaul recebeu, ele também, a ordem de destruir Amalec. Ele fez uma guerra vitoriosa contra ele mas poupou a vida do seu rei, Agag, bem como a do gado, que ele queria sacrificar, contrariamente à ordem de D’us. Esta desobediência lhe custou o trono de Israel em favor do Rei David.

- “Shaul teve pena de Agag” (Shmuel 1, 15) – Qualquer um que seja misericordioso com respeito aos que são cruéis, acabará sendo cruel com os que são misericordiosos; está de fato escrito mais adiante: “Eles passaram pela espada Nov, a cidade dos sacerdotes”, o exército de Shaul provocou um massacre de inocentes. (Ialcut Shimoni).

O COMBATE DE AMALEC

-  Contra o Santo Bendito Seja – “Eles não temiam D’us”.

-  Contra a Torá – “Ele te profanou no caminho”.

-  Contra Israel – “Ele combateu o povo Judeu”.

Eles queimaram a Torá, destruíram o Templo e mataram os Judeus.

O COMBATE CONTRA AMALEC

-  Por D’us – “Guerra de D’us contra Amalec

-  Pela Torá – “Apagarás a lembrança de Amalec

-  Para Israel – “Iehoshua enfraqueceu Amalec

Se um membro das nações do mundo vem para se converter, aceita, mas se for descendente de Amalec, não. (Ialcut Shimoni).

“Recorda o que te fez Amalec no caminho quando saíeis do Egito; que te encontrou pelo caminho e feriu todos os desfalecidos que ficavam atrás de ti, e tu estavas sedento e cansado; e Amalec não temeu a D’us. Quando, pois, o Eterno teu D’us, te der descanso de todos os teus inimigos em redor, na terra que o Eterno, teu D’us te está dando por herança para possuí-la, apagarás a memória de Amalec de debaixo dos céus; não te esquecerás.”

“Recorda” verbalmente, “não esquece” mentalmente:

1)  A Torá nos obriga a fazer desaparecer a lembrança de Amalec.

2)  A Torá nos obriga também a recordar constantemente seus crimes e sua cilada, bem como a mencioná-los verbalmente para suscitar nossa inimizade com respeito a eles, já que nos está proibido esquecer seu ódio por nós. (Maimônides).

3)  Nossos mestres instituíram a leitura pública da Parashá de “Zachor”, no Shabat que precede Purim:

-  para justapor o dever de apagar a lembrança de Amalec ao de apagar a lembrança de Haman que era ele mesmo descendente de Amalec.

-  E para fazer preceder a mitsvá de recordar os crimes de Amalec à de apagar sua lembrança, cuja realização ocorreu em Purim. A Torá menciona primeiro “Recorda” e logo depois “apagarás”, e é assim também na Meguila de Ester onde está escrito que se deve “comemorar e celebrar estes dias de geração em geração”(Ester 9, 28).

4)  Pela leitura da Parashá “Zachor”, se cumpre este mandamento positivo, e é por isso que convém ouvir bem a leitura desta Parashá e prestar atenção a cada palavra e a cada letra, bem como ter a intenção de cumprir esta mitsvá.

5)  Convém também ouvir bem as bênçãos da Torá antes desta leitura e pensar em cumprir esta obrigação. É por isso que não se deve chamar uma criança para a Torá quando se faz a leitura da Parashá Zachor.

HISTORIA DE PURIM

CAIU NA PRÓPRIA ARMADILHA

Há mais de trezentos anos, vivia em Viena, capital da Áustria, Rabi Samson Wertheimer, um Rabino que tinha grande fama. Era conhecido não somente por suas riquezas e as funções importantes que ocupava na Corte mas também, e principalmente, por sua sabedoria e a nobreza do seu caráter. Ministro das Finanças do país, gozava da confiança do soberano que o mantinha a par de todos os segredos de Estado. Quando estourou a guerra com a Espanha, ocupou-se também de fornecer às forças armadas austríacas grande parte das armas de que precisava.

Com muita influência na Corte, fez tudo o que pode para reduzir a opressão da que seus irmãos judeus eram vítima. Ao mesmo tempo, a grande fortuna que possuía lhe permitia dar livre curso à sua generosidade e ajudar os pobres e necessitados. Ele estava orgulhoso de ser judeu e aqueles que espalhavam calúnias sobre o povo de Israel e suas tradições encontravam nele um inimigo feroz. Sua piedade e sua bondade o fizer ser amado por todos os seus correligionários.

Nesta época, certo bispo (não duvidar que era um descendente do malvado Haman) conseguira insinuar-se nos favores do soberano. Que este outorgasse tantas honras e confiança a um judeu parecia inconcebível. Fez de tudo para tentar desacreditar o Rabi Samson. Mas por mais que fizesse, não o conseguiu.

Perseverando no seu ódio, o bispo foi um dia ver o rei dizendo-lhe:

- Majestade, todas as finanças do reino estão nas mãos de um judeu. Vossa Majestade está seguro da sua honestidade? E sua fidelidade para Vós, será a toda prova? Ele possui uma grande fortuna, como será que a conseguiu? Estas são perguntas que vêm naturalmente ao espírito mais objetivo...

- Minha confiança neste homem é total, respondeu o rei. Mas o senhor que duvida da mesma. Poderia me dar uma prova da sua falta de probidade?

Prova traiçoeira

- Majestade, estou convencido que este judeu abusa de vossa confiança. Mas isso não seria nada se eu não tivesse também o meio de provar que minhas acusações têm fundamento. De fato, paguei um dos meus contadores do Ministério das Finanças para que me entregasse uma cópia das contas pessoais do nosso Ministro. Quando a recebi, não acreditei no que via. Se vós soubesses que bela fortuna vosso grande tesoureiro amassou! Tive então uma idéia. Se vossa Majestade assim o deseja, comece a perguntar-lhe, por curiosidade, a quanto ascende esta fortuna. Se o número que ele der corresponder ao dos seus livros, serei obrigado a reconhecer que o homem não tem nada a esconder e que é, portanto, honesto. Se pelo contrário, o valor declarado por ele é inferior ao que resulta dos seus registros, tereis a prova que ele é um sem-vergonha. Neste último caso, basta se dirigir a mim para o castigo. Não haverá mais merecido. Aqui está, Majestade, a cópia das contas.

- Muito bem, disse o rei, quero submeter Rabi Samson a este teste, e o senhor verá por si mesmo que nada justificava suas suspeitas.

- Que vossa Majestade me permita nesta ocasião formular um pedido, tornou a falar o bispo. Se a prova demostrar que Wertheimer mentiu, eu peço que ele seja queimado vivo. E como neste caso o quanto antes melhor, porque vossa Majestade não daria já as ordens para preparar a fogueira? A sentença poderia assim ser executada no ato.

O rei cedeu. Apenas o bispo se retirou, mandou preparar a fogueira. E deu também aos carrascos outra ordem: agarrar qualquer pessoa, independente de quem seja, que viesse perguntar se a ordem do rei tinha sido executada e atirá-la no fogo sem outro procedimento.

O bispo deixara o palácio no auge da satisfação. Finalmente poderia livrar-se do seu inimigo judeu. Por seu lado, o rei mandou chamar imediatamente o seu Ministro das Finanças, Rabi Samson Wertheimer. Tomou cuidado para não alertá-lo da gravidade que a circunstância tinha para ele e começou falando de outro assunto dando-lhe, pelo contrário, um aspecto de segurança, e até de amizade. E de palavra em palavra, chegou a indagar sobre a situação material do seu interlocutor. Usou um tom de solicitação. Rabi Wertheimer teria, neste ponto de vista, tudo o que precisava? Considerava-se satisfeito?

- D’us seja louvado, não tenho nenhum motivo para me queixar, respondeu humildemente Rabi Samson.

Teria o bispo razão?

- O senhor presta grandes serviços à coroa e ao país, devo reconhecê-lo, insistiu o rei, será que se considera suficientemente recompensado pela sua dedicação? É verdade que o senhor tem fortuna própria. Mas ... tudo depende do valor que ela tem, acrescentou o soberano com um ar que parecia natural.

- Falando com vossa Majestade, não posso permitir-se ser impreciso; mas me é difícil dar no ato um valor exato.

- O! Não chegamos aos detalhes de centavos, interrompeu o rei. Qual é a importância aproximada que me pode adiantar, e da qual esteja absolutamente seguro?

Rabi Samson Wertheimer pensou um pouco e depois disse o valor que achava mais próximo da verdade.

O número que ele deu se aproximava à décima parte daquele que, de acordo com seus livros, representava sua fortuna real. O bispo tivera então razão. A estupefação do soberano foi cedendo pouco a pouco lugar à cólera. Não havia nenhuma dúvida que o Ministro, que se apresentava tão humildemente diante dele, que ele acreditava ser fiel, e a quem outorgou toda a sua confiança, o enganara. Provas suplementares eram supérfluas. O castigo não deveria demorar.

Sem perder mais tempo para se acalmar, o rei pediu a Rabi Samson Wertheimer para ir ao lugar onde mandara preparar a fogueira e para fazer aos carrascos a seguinte pergunta: “fora a ordem do soberano executada?”

Um Impedimento Imprevisto

Rabi Samson foi cumprir sua missão. O pensamento que ele estava indo para uma morte certa nem de leve passava pela sua cabeça.

A fogueira estava a uma certa distância da cidade. No caminho, Rabi Samson cruzou por um judeu que ficou particularmente feliz por reencontrá-lo.

- Digno Rabi, disse, tenho um filho que nasceu há 8 dias. A cerimônia da circuncisão deve acontecer hoje mesmo e eu não estou encontrando um Mohel. Faça-me a graça de vir comigo para cumprir esta santa Mitsvá.

Às inúmeras qualificações que possuía, Rabi Samson, já entendemos, agregava a de Mohel. Estava sempre disposto a encarregar-se desta grande Mitsvá, cujo cumprimento ele transformava em obrigação voluntária. Desta vez, a circunstância era difícil. O que fazer?

- O rei me encarregou de uma missão, não posso demorar sua execução ... disse sem graça.

Mas o judeu insistiu: “Eu sou enviado do Rei dos reis! Se existe um ato que não pode ser atrasado, é exatamente a Mitsvá sagrada da Circuncisão! Caro Rabi, não o deixarei antes que tenha concordado com meu pedido.”

O Rabi não hesitou por muito tempo. Uma grande Mitsvá se apresentava a ele, estava perfeitamente consciente disso, e ele não escaparia da sua execução. Acompanhou então o judeu.

Os convidados enchiam já a casa. Rabi Samson foi recebido com alegria e com o respeito que lhe era devido. Concluída a cerimônia, serviu-se uma grande refeição em honra à Mitsvá. Comeu-se, bebeu-se e congratulou-se.

Na Fornalha!

Mal tomou um copo de vinho, Rabi Samson teve uma vertigem. Foi convidado para deitar um pouco. Mas tão logo deitou um pouco, adormeceu profundamente.

Isso durou um longo tempo. Respeitou-se seu sono...

Esta noite, o bispo não pode conciliar o sono. Soubera que o rei não somente mandara seu Ministro de Finanças para a morte como também confiscara todos seus bens. Estava no auge da alegria. “Preciso de qualquer maneira assegurar-me, pensou; ainda estou a tempo de ver os ossos do judeu queimando”. Levantou-se, vestiu-se e com um sorriso demoníaco, dirigiu-se ao lugar onde tinha sido erguida a fogueira.

- Vim ver com meus próprios olhos se as ordens do rei foram executadas! Disse alegremente aos carrascos.

- Ah! Só esperávamos por você, responderam os carrascos.

A ordem foi Executada

Agarraram o bispo e, sem considerar seus protestos e seus gritos, amarraram-no e o jogaram vivo na fogueira.

Enquanto isso, Rabi Samson finalmente acordou. Tinha passado da meia noite. Recordou a missão que o rei o havia incumbido; e tê-la negligenciado o fez sentir-se mal. Mas o que fazer a essa hora: tinha que esperar até a manhã seguinte para cumpri-la.

Voltou para casa e encontrou a família numa agitação extrema. Por ordem do rei, tudo o que Rabi Samson possuía acabava de ser lacrado. Uma apreensão geral reinava.

Na manhã seguinte, logo após as preces da manhã, Rabi Samson apressou-se em ir ver se a ordem do rei havia sido executada.

- Claro que fora executada! E ao pé da letra! Responderam os carrascos. E ambos acrescentaram: precisava ver como o coitado do homem tremia! Mas ele recebeu o merecido. Para mim ele sempre foi um vil impostor!

Rabi Samson ouvia, imóvel, mas não estava entendendo nada. Correu para o palácio e ficou estupefato ao observar que o rei o olhava como se voltasse do outro mundo.

Salvo de uma Morte Certa

Este desculpou-se por ter sido impedido de cumprir sua missão na véspera. Um assunto muito urgente o havia obrigado a remeter para o dia seguinte o que teria feito no mesmo dia se houvesse podido. Entretanto a ordem do rei havia sido executada, apressou-se em dizer e o bispo fora castigado. Depois, sem esperar, Rabi Samson informou ao soberano seu profundo espanto: todos seus bens, - bens honestamente adquiridos – haviam sido confiscados ... Qual fora o motivo de tão severa medida?

Subitamente o rei explodiu numa enorme manifestação de riso. Incapaz de se conter, riu por muito tempo. Não podendo proferir uma palavra, abraçou Rabi Samson e o apertou contra seu coração. Ainda ria tanto que tinha lágrimas nos olhos.

Cada vez mais intrigado, Rabi Samson olhava para o rei e pacientemente esperava que este lhe explicasse o mistério todo.

Quando finalmente o soberano pôde falar, contou detalhadamente ao seu Ministro a história da acusação que este havia sido objeto e da que por pouco teria sido a vítima. Era um milagre, acrescentou, que o Rabi ainda estivesse vivo, já que escapara com justiça da morte. E o mais incrível era que o bispo caíra na armadilha que cuidadosamente preparara para o ministro judeu nela perecendo ...

- Agora tenho a prova que o senhor é um homem virtuoso e justo; e que vosso D’us, que é tão Grande, o salvou de uma morte tão certa quanto imerecida, disse o soberano com gravidade. Agora bem, porque me escondeu a verdade e me deu informações inexatas sobre sua fortuna?

A Riqueza Real

- D’us não permita que eu minta ao meu rei. Quando o rei me perguntou a quanto se elevava a fortuna que eu tinha a certeza de possuir, não me era possível dar a cifra que surgia dos meus livros. Isso pela simples razão que este valor, mesmo estando em minhas mãos, não me pertencia em forma definitiva. Ontem era meu e eis que hoje foi confiscado. Os únicos valores que tenho verdadeiramente a certeza de possuir são aqueles consagrados à caridade; somente esses não podem de maneira nenhuma ser tirados de mim. é um velho costume meu dar um dízimo das minhas rendas aos pobres; foi justamente o valor que eu declarei ter.

A explicação agradou extremamente ao rei.

- Após o ocorrido e o que me acaba de dizer, o mínimo que posso fazer é levantar o confisco dos seus bens, coisa que fiz injustamente. Além disso, lhe devo uma reparação por todo o aborrecimento causado e que o senhor não merecia de jeito nenhum.

- Majestade, fui suficientemente recompensado ao receber vossa confiança e vossa amizade, respondeu Rabi Samson. Gostaria entretanto de aproveitar vossa oferta rogando que me permita construir uma grande Sinagoga em Viena, onde meus irmãos poderão fazer suas devoções e servir a D’us.

A petição foi imediatamente deferida. Uma imponente Sinagoga erigiu-se logo na capital. Foi conhecido pelo nome de “Sinagoga de Rabi Samson”.

Rabi Samson Wertheimer consagrou sua vida ao estudo da Torá, à caridade e às boas ações. Em sua vida, fez muito bem aos seus irmãos judeus e ao seu país e na sua morte legou uma grande parte da sua fortuna a um fundo que levou seu nome e que continuou sua obra. O “Fundo Wertheimer” existiu até a primeira guerra mundial. Os socorros que dispensou ajudaram muitos judeus a superarem sua miséria.

Rabi Samson Wertheimer nasceu em Worms em 1658 e morreu em Viena com a idade de 66 anos. Foi introduzido na corte imperial por seu amigo, Rabi Samuel Oppenheimer, financista célebre em sua época. Ambos deram assistência ao Imperador Leopoldo 1º . Após a morte de Oppenheimer, Rabi Samson o substituiu e ocupou as funções de conselheiro financeiro. Permaneceu nessas funções durante o reinado do Imperador Joseph.

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