Esther a rainha

ESTHER A RAINHA
A História de Ester

Uma jovem denominada Hadassa

Vocês conhecem o arbusto que chamamos “murta” ou “mirto” em português e “Hadass” ou “Hadassa” em hebraico? Ele é muito bonito durante o dia mas muito mais ainda quando cai a noite. Suas folhas preenchem o ar com um doce perfume e suas florzinhas, todas brancas, brilham como estrelas.



Vivia há muito tempo na Pérsia uma encantadora moça judia, uma órfã, que tinha sido criada por seu primo, o bom Mordechai. Ela se denominava Hadassa, porque possuía a beleza dos “Hadassim”. Seu nome persa era Ester.

Nesta época aconteceu que Assuero, rei da Pérsia, ofereceu um grande festim aos príncipes e aos governantes do seu reino, que se dirigiram todos a Suss, a capital. Nessa cidade também moravam Mordechai e Ester. Nunca houve uma festança tão esplêndida! Aconteceu nos jardins do palácio. O piso era de mármore colorido, verde, branco e preto. Preciosas cortinas azuis e brancas estavam penduradas em pilastras de mármore. Os convidados, deitados em camas de ouro e prata, bebiam em taças de ouro.



No interior do palácio, a rainha Vashti oferecia um festim às mulheres dos príncipes. Na Pérsia daqueles tempos homens e mulheres não costumavam assistir juntos ao mesmo banquete.



No sétimo dia, quando o coração do rei se regozijava com o vinho, ele ordenou à rainha Vashti que se apresentasse diante dele, para que todos seus convidados pudessem admirar a beleza da sua mulher. Mas Vashti não aceitou comparecer.

O rei ficou muito zangado e perguntou aos príncipes: “O que fazer com a rainha Vashti, que se recusa a obedecer às minhas ordens?”

Os príncipes responderam: “Não é só frente ao rei que a rainha Vashti agiu mal, mas também frente a todos os homens do reino. Quando suas esposas ficarem sabendo o que a rainha fez, elas também recusarão obedecer aos seus maridos. Se for do agrado do soberano, que a coroa seja retirada da rainha Vashti e que seja dada a outra mulher, mais digna dela.”



O rei Assuero, que era todo-poderoso mas não muito sábio, ouviu o conselho dos príncipes. Ele enviou mensageiros para todas as terras do seu amplo reino, à procura das mais belas moças. Todas deviam ser apresentadas diante dele e aquela que mais lhe agradasse se tornaria rainha no lugar de Vashti.

Quando Ester ouviu falar do decreto real não quis mais sair do seu quarto, com medo que os mensageiros do rei a escolham para levá-la ao palácio. Mas sua beleza era por demais conhecida. Um dia os enviados do rei bateram na porta de Mordechai e Ester foi levada ao palácio.



Ester se torna rainha


Provenientes de todos os cantos do império belas moças haviam sido reunidas no palácio, na casa das mulheres. Ester foi a última a chegar ali.

Todos os olhares se voltaram para ela. As moças cochichavam:

“Ela não possui nenhuma majestade!”, disse a grande princesa de olhos azuis vinda do Norte.

“E nenhum refinamento!” acrescentou a pequena princesa dos olhos negros, que vinha do Sul. “Ela é uma qualquer.”

“E sua aparência! Ela é tão pálida!” disse ainda uma moça cuja pele parecia uma pétala de rosa.



Tudo isso era verdade. Entretanto Ester tinha uma certa graça e um charme particular que lhe atraíam a simpatia de todos. Os servidores do palácio gostavam muito dela. O guardião da casa das mulheres fazia tudo para ser agradável a ela.



Antes de aparecer diante do rei, as moças deviam ficar uns doze meses na casa das mulheres, para realçarem a sua beleza. Elas se untavam com água de cheiro e perfumes diversos, como era costume da época.

No final desses doze meses, o guardião da casa das mulheres convocou todas as moças e lhes disse: “Vocês podem escolher tudo o que vocês quiserem dentre os tesouros do palácio. Expressem o vosso desejo. Seja um enfeite ou outra coisa qualquer, vocês a levarão quando forem ver o rei e depois isso lhes pertencerá.”

As moças pediram sedas raras, véus bordados, xales tão finos quanto teias de aranha, amuletos e pedras preciosas: diamantes, pérolas, rubis, safiras. A princesinha dos olhos sombrios encomendou um vestido de penas de colibri; a moça com a pele de pétala de rosa insistiu para ser precedida por escravas com a pele mais negra que carvão, quando fosse ver o rei.

Uma por uma, as moças foram se apresentando ao rei, resplandecentes de beleza, maravilhosamente enfeitadas. Só Ester não tinha pedido nada. Ela apareceu diante do soberano modesta e doce, vestida com um simples vestido branco.

E o rei Assuero escolheu Ester entre todas as moças. E colocou na sua cabeça a coroa real e a proclamou rainha.

Haman conspira contra os judeus


Todo dia Mordechai vinha sentar na porta do palácio, para estar bem perto de Ester, se ela precisasse de alguma coisa dele. Ninguém no palácio sabia que ele era um parente da rainha porque ele havia pedido a Ester para não falar da sua família. Havia no palácio gente hostil aos judeus e Mordechai temia que aconteça alguma desgraça com Ester, se alguém soubesse que ela era judia.



Um dia em que, de acordo com seu costume, Mordechai estava sentado na porta do palácio ele ouviu dois oficiais da corte fazendo um projeto para matar o rei. Eles falavam uma linguagem desconhecida em Suss e pensavam que ninguém os compreendia. Mas Mordechai tinha aprendido as línguas das setenta nações do mundo e ele entendeu tudo o que eles diziam. Ele mandou então um mensageiro para a rainha Ester para informá-la sobre essa conspiração. A rainha informou o rei. Fez-se uma investigação que confirmou o fato e os dois culpados foram mortos.



Pouco tempo depois, o rei Assuero encheu de honrarias um certo Haman, homem orgulhoso e arrogante, e lhe deu as mais altas funções do reino.

Era uma delícia para Haman ver todo mundo se prosternando até o chão diante dele, quando passava pela porta real. Só Mordechai não se prosternava.

Os servidores do rei lhe perguntaram: “Porque você não se prosterna diante de Haman?”

“Eu sou judeu”, respondeu Mordechai, “e só me prosterno diante de D’us”.

Quando Haman ficou sabendo dessa resposta, foi dominado por um ódio louco. Castigar Mordechai não lhe bastava. Ele decidiu exterminar todo o povo de Mordechai, matar todos os judeus do reino.

Ele foi, então, dizer ao rei Assuero: “Há um povo disperso em todas as províncias do teu reino. Suas leis são diferentes das leis de todas as outras nações e ele não observa as leis do rei. Se é do agrado do rei, que ele dê a ordem de destrui-lo e eu pagarei dez mil talentos de prata ao intendente do tesouro real.”

O rei Assuero -- que era muito poderoso, mas certamente muito pouco sábio -- não se deu ao trabalho de saber se Haman dizia a verdade. Ele lhe disse: “Esses judeus estão nas suas mãos. Faz deles o que você achar melhor”.

Imediatamente Haman mandou o escrivão do rei redigir um édito. Este édito proclamava que o décimo quarto dia do mês de Adar, todos os judeus do reino, homens, mulheres e crianças, deveriam ter a vida salva. O decreto recebeu o selo real e os mensageiros o levaram para as províncias mais afastadas do reino.

Mordechai estava sentado na porta real quando os mensageiros saíram do palácio. Oprimido com a terrível notícia, ele foi para casa. No trajeto encontrou três crianças judias que voltavam da escola.

“Qual é o versículo que vocês aprenderam hoje?” perguntou-lhes Mordechai, já que os estudantes aprendiam todo dia outro versículo bíblico.

O primeiro menino respondeu: “Não tema de um medo súbito nem dos perigos que os maus te trazem.”

O segundo disse: “Deixa-os conspirar, sua trama vai fracassar, porque D’us está conosco.”

O terceiro disse: “Este é o meu versículo: ‘Eu sou o Eterno que vos criou. Em verdade, Eu vos salvarei’.”

Quando Mordechai ouviu essas palavras da boca das crianças, ficou envergonhado por ter perdido tão rápido a esperança.

Ele enviou palavras de conforto aos judeus de Suss, que se haviam fechado em suas casas onde só choravam e se lamentavam.

“Jejuem e orem para o Eterno”, mandou dizer Mordechai. Depois se cobriu com a vestimenta do luto, um saco coberto de cinza e foi andando pelas ruas da cidade até os portões do palácio.

Ester não tinha ainda ouvido falar do édito real contra os judeus. Ela se encontrava em seus apartamentos quando uma serva fiel correu para lhe dizer: “teu primo Mordechai está diante do palácio vestido com um saco coberto de cinzas.”

Ester ficou logo aflita. Ela disse à sua escrava: “Vai correndo perguntar-lhe o que isso significa. Porque ele veio até o palácio com roupa de luto?”

A criada voltou rapidamente com uma cópia do édito real e um pedido de Mordechai: “Ester, vá falar com o rei e implorar-lhe pela vida do teu povo.”

Mas havia na Pérsia uma severa lei: ninguém, nem mesmo a rainha, tinha o direito de apresentar-se diante do rei sem ter sido convocado. E todos sabiam disso no país.

Ester disse às servas: “Expliquem ao meu primo Mordechai que há trinta dias que não fui chamada diante do rei. Se vou ter com ele sem ter recebido a ordem, os guardas me matarão – salvo se o rei me salvar estendendo-me seu cetro de ouro.”

Mordechai mandou responder a Ester: “Não vai pensar que só você entre todos os judeus vai escapar do destino do seu povo, por estar na casa do rei. Se você calar, os judeus obterão sua libertação por algum outro meio, mas você e a sua família perecerão. E quem sabe se não foi por uma circunstância como essa que você se tornou rainha?”

Ester mandou, então responder a Mordechai: “Vá! Reúne todos os judeus de Suss e ordena-lhes que jejuem e orem por mim. Do meu lado, jejuarei, eu e minhas criadas. E depois vou me dirigir ao rei e se devo morrer, morrerei.”

Ester salva seu povo


O rei Assuero estava sentado sobre seu trono, rodeado por seus cortesãos. De repente, todos os olhares se voltaram para o pátio interno: na entrada se erguia a rainha Ester, vestida com a indumentária real, escoltada por suas criadas. Os guardas tiraram a espada mas ela não prestou atenção. O rei nunca a havia visto tão linda. Ele lhe estendeu o cetro, e ela se aproximou e tocou a sua ponta. Os guardas devolveram suas espadas nas bainhas.

O rei então falou: “O que você tem, Ester e o que você pede? Mesmo se fosse a metade do meu reino, eu o outorgaria a você.”

“Se é do agrado do rei,” respondeu Ester, “que o rei venha assistir hoje, com Haman, à festa que lhe preparei.”

Depois voltou aos seus apartamentos.

O rei, acompanhado de Haman, se dirigiu à festa para a qual Ester os havia convidado.

De novo o rei lhe perguntou: “O que deseja a Rainha Ester? Mesmo se fosse a metade do meu reino, eu o outorgaria a você.”

Ester respondeu: “Se achei graça aos olhos do rei, que o rei e Haman retornem amanhã, porque lhes prepararei outra festa.”

Haman saiu do palácio de Ester satisfeito e com o coração feliz. Mas a cólera o invadiu quando passou pela porta do rei e percebeu que Mordechai não se levantou diante dele nem se inclinou. Ele correu para casa e disse à sua mulher, Zeresh, e aos seus dez filhos:

“Não somente o rei me colmou de honras e riquezas e me colocou acima de todos os príncipes, como também a rainha Ester me convidou hoje para a sua festa. Isso, entretanto, não me basta. Não poderei gozar minha felicidade enquanto ver o judeu Mordechai sentado diante da porta do palácio.”

Sua mulher, Zeresh, lhe disse então: “Manda preparar uma forca, com a altura de cinqüenta côdeas (cerca de 25 metros). Amanhã de manhã vai pedir licença ao rei para mandar enforcar Mordechai nela.”

“Teu conselho me agrada”, disse Haman. E mandou logo construir a forca.

Esta noite, o rei se agitava no leito, sem poder conciliar o sono. Ele pediu que seu criado lesse passagens do Livro dos anais, onde se consignavam todos os acontecimentos. O servidor abriu o livro exatamente na passagem que contava a conspiração dos dois oficiais contra o rei e a intervenção de Mordechai que, ao denunciá-los, salvara a vida de Assuero.

“Que honrarias Mordechai recebeu em recompensa?” perguntou o rei.

“Nenhuma. Nada foi feito para ele”, respondeu o servidor.

O rei ficou muito aflito.

Enquanto isso Haman esperava, desde que o sol nasceu, na porta do rei: estava com tanta pressa para obter a autorização para mandar enforcar Mordechai!

O rei percebeu que havia alguém atrás da porta e perguntou:

“Quem está no pátio?”

“É Haman”, respondeu seu servo.

“Que entre”, lhe disse o rei.

Haman entrou e o rei lhe fez a seguinte pergunta: “Me diga, Haman, o que se deve fazer para um homem que o rei quer ter o prazer de honrar?”

Haman se deteve, pensando: “Quem além de mim pode o rei querer honrar?”

Ele então respondeu: “Que este homem seja vestido com a indumentária real, que ele suba no próprio cavalo do rei, que ele leve uma coroa na cabeça. E que ele percorra as ruas da cidade com um dos mais nobres senhores andando diante dele e proclamando: ‘É assim que se trata um homem que o rei quer honrar’.”

“Muito bem, corra, Haman”, disse o rei. “Vai separar as roupas e o cavalo de que você falou e tudo o que você propôs é para você fazer com Mordechai, o judeu.”

Haman foi constrangido a obedecer ao rei. Ele foi então obrigado a vestir Mordechai com as roupas do rei, fazê-lo subir no próprio cavalo do rei e fazê-lo percorrer as ruas da cidade gritando bem alto diante dele: “É assim que se trata um homem que o rei quer honrar.”

As pessoas olhavam estupefatas.

Depois Mordechai voltou para a porta do palácio.

Enquanto isso Haman voltava rapidamente, cabisbaixo, para casa. Contou à mulher Zeresh tudo que tinha ocorrido, esperando que ela o console.

Mas Zeresh lhe disse: “Se você começou a cair diante de Mordechai, a queda vai certamente prosseguir.”

Ainda estavam falando quando chegou um servidor do rei e Haman teve que sair correndo para a festa da rainha.

Durante essa festa, o rei repetiu: “Qual é o teu pedido, Rainha Ester? Mesmo se for a metade do meu reino, você vai obtê-lo.”

Esta vez, Ester respondeu: “O meu rei, se achei graça aos seus olhos, que minha própria vida seja poupada, bem como a do meu povo. Porque meu povo e eu, fomos vendidos para sermos exterminados, sacrificados e aniquilados.”

O rei olhou para Ester, estupefato: “Quem é esse, onde está ele, este que ousou fazer um tal projeto?” exclamou.

Ester apontou para Haman: “É ele o inimigo, é Haman, esse malvado!”

Apavorado, Haman se precipitou aos pés da rainha, suplicando-lhe que poupe a sua vida.

O rei, invadido pela cólera, saiu da festa e ordenou que prendessem Haman.

Neste momento o governador do palácio se adiantou e disse:

“Haman mandou construir uma forca de cinqüenta côdeas para Mordechai.”

“Que ele seja enforcado ali”, ordenou o rei.



Foi assim que o judeus foram salvos.

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