NOBREZA

   - Pudor                                        - História

   - Privacidade                              - No Talmud

   - Cabelo                                      - Modelo

   - Barba, peruca                          - Promiscuidade

   - Kipa

   - Kipa grana

Pudor que vale o elogio do pior inimigo                                           

Trechos de Cartas do RAbi e estudos

Elogio de Balak  sobre o pudor dos judeus e a maneira de viver deles para que não haja promiscuidade entre as familias. Balak foi mandado para Bilam para amaldiçoar os Judeus. Forçado por D’us a dizer o contrário do que ele pensava, ele teve que abençoar em vez de amaldiçoar os judeus...

Uma da benções de Balak  foi :“Como são belas tuas tendas Yaacov!” (Bamidbar 25:4), justamente porque Balak  tinha reparado que as portas das casas das famílias judiasnão  ficavam frente a frente para se  preservar da promiscuidade . (Psikta Zutreta)

Privacidade louvada

“Como são belas tuas tendas, Yaakov, teus lares, Israel! !” (Bamidbar 25:4).

“Bilam desejava amaldiçoar o povo judeu, (o Klal Israel), mas ele foi forçado a  afirmar que essa nação era tão santa que sua maldição não tinha poder contra ela. Os judeus tinham colocado suas tendas de maneira que nenhuma porta nem nenhuma janela, ficasse de frente para a outra. Esta arrumação permitia que cada família preservasse sua vida privada. Assim, ninguém olharia para a mulher do vizinho ou cobiçaria seus bens materiais. Tomando consciência disso Bilam disse este elogio: “Como são belas suas tendas, o Yaakov!”. Esta  benção é tão elevada  que ela esta incluída em nosso livro de rezas, (Sidur), e faz parte da reza da manhã.” (Rokeah)

CABELO

Qual o significado das palavras: “Tua mulher será como um vinhedo fecundo no interior da tua casa; teus filhos, como plantações de oliveira em torno da tua mesa”(Tehilim-Salmos 128:3)?

Estas palavras prometem à esposa que se comporta com tsniut (reserva, recato, pudor, discreção) tornar-se semelhante a um vinhedo fecundo e dar a luz a crianças semelhantes às plantações de oliveira.

R. Hizquiahu ensina: “Desgraça ao marido que permite à sua mulher deixar a mais ínfima parte da sua cabeleira descoberta. Expondo-a para que seja mais atrativa, ela provoca a não distinção dos seus filhos no seio do povo judeu.”

Este ensinamento se refere à tsniut no interior do seu próprio domicílio. Quanto mais escrupulosa ela deve ser quando se trata de aparecer em público!

Uma mulher que toma o maior cuidado para cobrir completamente sua cabeleira, merecerá filhos esplendorosos como “plantações de oliveira”. As azeitonas podem ser comidas frescas ou secas. Faz-se com elas pratos delicados. E o azeite que é tirado delas da uma luz mais brilhante que a dos outros óleos. Desse modo, ela criará numerosos filhos, dos quais alguns se distinguirão na Torá escrita, outros na Torá oral, enquanto outros serão homens de negócios que agirão no seu trabalho conforme a Torá. As folhas da oliveira persistem tanto no verão quanto no inverno, simbolizando com isso que sua descendência se manterá para todo o sempre.

Por outro lado, ela atrai a benção material da sua família. Ela e seu marido viverão e verão seus filhos e netos, como o assegura o versículo: “Hashem te abençoará de Tsion ... e verás os filhos dos teus filhos, a paz sobre Israel” (Tehilim 128:5-6).

Barba e peruca

        Se vocês tivessem ouvido o que eu disse, conservando intactos os treze pontos de sua barba e se a sua mulher usasse uma peruca, vocês já teriam sentido uma diferença na maneira de ganhar a vida.

        Essa evolução teria sido perceptível, claramente. Nesses domínios, o quê que eu posso fazer além de preveni-los? 

Kipa

        O Talmud associa o uso da Kipá pelos homens e pelos meninos para cobrir a cabeça ao conceito de reverência e respeito a D´us. Cobrir a cabeça expressa o temor de D´us; em hebraico, “Yarat shamayin”. O erudito talmudista Huna ben Yehoshua disse o seguinte: “eu nunca andei 4 amot (aproximadamente 2 metros) com a cabeça descoberta porque D´us está acima de minha cabeça (Tratado Kidushin 3.a). Em Ydish, a kipá se chama Yarmulka. Segundo a tradição, a palavra Yarmulké ou Yarmulka é uma forma alterada das duas palavras hebraicas Yeré mé Elokim que significa temor de D´us.

Cobrir a cabeça para ganhar a vida

        Depois de ter citado o fato de cobrir a cabeça, você me contou sobre as dificuldades que você encontrou para ganhar a vida.

        Como se abalar com problemas nessa área? O Zohar diz que quando a dona da casa cobre sua cabeça, a família recebe todas as bênçãos celestes e as do mundo, que se revelam no edifício eterno que ela tem que construir.

        Nossa Torá, Torá de vida, dá os ensinamentos necessários para a vida, inclusive no sentido diário.

Frases do Talmud relativas a TSNIUT

I - Disse o R. Iehuda Ben Pazi:

- Por que a Parashá que se refere às atitudes de libertinagem e relações proibidas (final de Acharei Mot) é

imediatamente seguida pela Parashá Quedoshim (Quedoshim tihiú-Santificados sereis)?

- Para ensinar que todo lugar no qual se coloca uma “cerca”, um limite para evitar o comportamento de libertinagem e proibido, ali você encontra a Quedushá (Santidade).

Quedushá: significa que a pessoa pode sentir a presença divina e estar unida ao Eterno, não apenas de uma forma teórica e sentimental mas todo dia e na prática. Para se alcançar este estágio é preciso levantar uma cerca para evitar a libertinagem.

II - Todos os milagres que D’us fez ao povo no Egito Ele só fez por que o povo se cuidou com respeito ao comportamento libertino.

III - Todo aquele que vê uma coisa baixa (comportamento promíscuo) e ao vê-lo não sente prazer - terá o mérito de receber a presença Divina.

UMA LIÇÃO INESQUECÍVEL -história

 Não aprendi a Tsniut numa aula ou com uma abençoada Rabanit mas sim no Hospital, num quarto particular. Não lembro mais o andar. Uma jovem mulher estava deitada, morrendo de uma terrível doença. Esta mulher era minha filha, M.C. (Z.L.).

         Ela nasceu e cresceu aqui. Ela casou e teve quatro menininhos, que tenham saúde. Depois, quando os gêmeos tinham exatamente um ano, ela entrou no hospital para uma cirurgia.

         Eu ia regularmente ver o Rebe do Dólar. Primeiro, pedia uma bênção de “Refuá Shleimá” (cura completa) para minha filha, o Rebe dizia “Amen” e “Bessorot Tovot” muito forte. Mas num domingo do último inverno, ele olhou para mim com muita compaixão, com vontade de dizer: “Estou desolado, mas não posso fazer nada”.

         Sexta feira de noite, 27 de adar, às 23.15hs, enquanto seu marido estava ao lado dela e cantava as zemirot que ela tanto gostava, o Todo Poderoso levou sua Neshamá até Ele e até as outras almas judias no Gan Eden.

         Mas antes de nos deixar, exatamente quatro dias antes, ela me deu, a mim, sua mãe, uma aula de Tsniut. Gostaria de lhes falar dela. Isso talvez as ajudará, como me ajudou, a entender o quanto a Tsniut é importante.

         Na segunda feira, alguns dias antes do seu desaparecimento, encontrei-a na entrada do hospital. Ela acabava de voltar de um médico. Eu a vi antes dela me ver. Seus traços estavam desfigurados pela dor; a partir do momento que ela percebeu a minha presença, mudou a expressão do rosto para esconder o seu sofrimento.

         Ela permaneceu muito calma quando subi com ela para o seu quarto e a ajudei a deitar. Ela estava fraca. Ela não conseguia tirar a roupa. Eu a ajudei; logo, com voz entrecortada, apenas audível, ela me disse: “D.C. (o seu marido) teve que me ajudar ainda pouco, quando saíamos. Não tinha mais ninguém para fazê-lo”.

         Foi com profunda tristeza que ela acrescentou: “Eu tenho certeza que tínhamos direito...” e ela repetiu: “É claro que tínhamos o direito... mas de qualquer maneira, tem que tentar ter cuidado...”

         Como? A gente olha, a gente toma cuidado. Desconfiamos de um ladrão, instalamos grades e cadeados, temos medo de um incêndio... Escondemos os fósforos. Tememos uma averá.... Nós, mulheres judias, temos cuidado com a Tsniut.

         O seu marido tinha o direito de ajudá-la, não havia nenhuma dúvida, e apesar disso, ela dissera “tentamos ter cuidado...” É uma das últimas palavras que ela me disse.

         Penso que foi neste instante, quando me dei conta que honesta e sincera ela era, num momento em que ela poderia ter chorado sua dor ou sua pena pelos seus filhos, que envelheci uns cinqüenta anos. Ela ficou tão alterada por ele ter tido que ajudá-la. “Temos tanto cuidado com tudo.”

         Não sou do tipo de falar de uma coisa tão pessoal mas perguntei a um Rav, e ele medisse que devia fazê-lo, porque era importante.

         Quando M.C. tinha dezesseis anos tinha bonitos cabelos louros. Lembro dela um dia, na frente do espelho, escovando os cabelos, e dizendo-me que queria cortá-los.

         Não consegui entender o porquê. E eu lhe disse: “Você fica tão bonita com os cabelos mais compridos! ”

         Ela cortou o cabelo com o dinheiro ganho tomando conta de crianças. Ela tentava sempre pagar ela mesma, o que queria, para não incomodar o pai. E não era de gastar muito dinheiro. Mas isso, ela acreditava de verdade, era importante.

         Entendi mais tarde. Claro que ela queria ser bonita, o cabelo estava sempre limpo e com brilho, mas não muito comprido; não muito chocante. Ela tinha sempre muito cuidado com isso.

 

         Cada uma de nós tem uma natureza diferente. Para algumas de nós ter “Tsniut” é natural. Para outras, não é tão evidente. Uma mulher que acha difícil se vestir, falar ou agir de maneira modesta e trabalha com ela mesma neste sentido, receberá uma recompensa particularmente grande por ter tentado melhorar. D’us vê nossos esforços; Ele os aprecia e os recorda.

         Há cerca de dois anos, vi uma jovem na rua. Pensei comigo “olha só a que se parecem as pessoas do mundo exterior. É um verdadeiro choque!” Eu tinha certeza que ela não era judia. Vocês podem imaginar a que ponto fiquei chocada quando ela se aproximou de mim e que me dei conta que ela era, sim, judia, e que além disso eu a conhecia pessoalmente. Era uma pessoa formidável e muito religiosa!

         “É uma verdadeira boneca” pensei. “Ela é tão bonita! Porque será que ela não deve parecer tão bonita quanto ela é?” Seu vestido tinha mangas compridas, o decote chegava até em cima, a saia era o bastante comprida e apesar disso ela parecia uma goiá! Nenhum Rav diria qualquer coisa, por mínima que fosse, sobre seu modo de vestir; e apesar disso.... Alguma coisa nela impedia que ela fosse vista como uma judia. Que pena!

         Por outro lado vejo, algumas vezes mulheres desta e de outras comunidades que são muito bonitas. Elas não gastam fortunas mas escolhem a roupa com precaução e parecem estar sempre corretas. Estas pessoas gostam de estar bem vestidas e procuram se manter judias, simples, fazendo de maneira que olhá-las seja um prazer.

         D’us deu a Torá aos seres humanos, não aos anjos. Uma jovem senhora pode ser bonita. Não só pode mas deve. Não tem nada errado em se maquiar um pouco. Um vestido pode ser elegante, uma peruca bem penteada, mas sempre, sempre, uma mulher deve ter cuidado com a Tsniut.

         Devemos sempre nos perguntar: “Pareço com que? Com uma simples “mamãe” ou com uma goiá vulgar, que chama a atenção de todo mundo?” Mais tarde, quando meus netos olhem retratos meus, estarei envergonhada com esta peruca? Ou com esse vestido curto demais? E essas meinhas? São bonitinhas e não estou cometendo nenhuma averá ao vesti-las sobre meia calça, mas será que elas refletem realmente a imagem que eu quero dar?

         Um homem judeu não tem o direito de olhar para outra mulher. Mas um homem judeu merece ser feliz quando olha para a sua própria mulher. Acho que é muito mais importante do que podemos imaginar. Quando um homem volta da ‘Shule’(Sinagoga) sexta feira de noite, ele deve sentir que é sua “Eshet Chail”. Algumas moças se preocupam especialmente com sua aparência externa antes de casar mas depois, ocupadas com a casa e os filhos, elas se negligenciam.

         Recordo que, um pouco depois do meu casamento, a Rebetsin Chaia, que viva com saúde, que era então minha vizinha, veio me visitar. Às quatro horas da tarde, ela me disse: “Perele, são quatro horas. Rav Moishe volta às quatro e meia, não é? Então vai colocar a peruca e preparar a mesa. Eu estou indo embora”. É uma mulher extraordinária. Disso já faz tempo mas ficou sempre muito claro na minha memória.

         Pense nisso, uma mulher não deve parecer “humana” só na sexta feira de noite ou quando ela sai. Eu lembro que pouco depois de acabar a “Shiva”, me dei conta que estava de lenço e que com ele eu parecia .... bom, que não ficava tão bem em mim. Aí eu disse “e meu marido, e meus filhos, meus netos, que será que eles sentem quando me vêm me negligenciar tanto? Eles já estão bastante arrasados com tudo que aconteceu! Isso só faz aumentar sua tristeza. O mínimo que poso fazer é colocar um lenço bonito”. E foi o que fiz.

         A Tsniut não se limita ao modo de se vestir. Ela possui outros aspectos. Li um dia num livro que um menino, um goi, andava na rua e disse “bom dia” para uma moça. O irmão desta se deu conta e ficou contrariado. Se me lembro bem, o irmão ficou tão furioso que queria ir dar um murro na cara do rapaz. Porque?

         Aparentemente, naquela época, não era considerado como algo certo dizer bom dia a uma moça na rua.

         Nos nossos dias, está tudo permitido. A timidez não está mais na moda. Parece que devemos ser muito abertos com respeito a tudo. Nenhuma vergonha, nenhuma contenção. Pode se falar de tudo e de qualquer coisa. Porque não? É o que fazem o rádio, as revistas, os jornais. Eu lia revistas antes. Como o lamento hoje. Eu as devorava. Porque são um veneno. Com freqüência, o que se lê fica gravado na memória. E quando reaparece? Quando você está tentando rezar a “Amidá” de Mussaf de Iom Quipur, é quando você lembra das sujeiras que você leu há vinte anos.

         Mas cuidado, é importante estar aberta, às vezes; quando você está preparando uma moça para ser uma mãe ou uma Calá, no seu casamento, você deve ser franca. Não é o momento de ser tímida já que isso poderia provocar grandes danos. Mas tudo deve ser feito com delicadeza, não com a linguagem das revistas goi, D’us nos guarde.

         Há pouco tempo, ouvi a mais charmosa da jovens senhoras religiosas contar o nascimento dos seus gêmeos. Um tinha nascido assim e o outro assado.... Pensei que até os não judeus de outrora se dariam voltas nos seus túmulos se ouvissem as expressões a que nós, mulheres refinadas, estamos acostumadas. Isso também faz parte da Tsniut, cuidar a forma como se fala, mesmo no que se refere aos nascimentos ou aos nossos problemas de mulheres.

         “Tsniut” vem da palavra “Tsanúa” que quer dizer “escondido”. Um judeu deve tentar ser discreto com respeito às suas distintas qualidades. Por exemplo, às vezes nosso filho consegue boas notas e ficamos todas contentes; podemos deixar o orgulho se manifestar gabando-nos aqui e acolá. A tendência é esquecer que todos os sucessos se devem ao Todo Poderoso, que não são verdadeiramente nosso feito.

         Seu filho teve bons resultados? Perfeito! Mas quem lhe deu essa boa cabeça? Você recebeu 20 pessoas em Simchat Torá? Formidável, mas inúmeras pessoas gostariam de ter uma mesa bonita e alegre em Iom Tov. E por qualquer razão que seja, não é isso que acontece. Talvez você possua mais força que elas, ou mais coragem, ou melhores condições financeiras... Do mesmo modo, nos sentimos orgulhosos das nossas grandes famílias. É certo que estamos felizes e reconhecidos por ter tido filhos. Não é fácil tê-los, criá-los. Mas quanta gente gostaria de fundar seu próprio lar, lutam para encontrar um “shiduch” (a outra metade), ou desejam ter ao menos um filho? O que será que sentem quando nos escutam tirando vantagens ou quando ousamos nos queixar? Deveríamos tentar ser precavidos com respeito àqueles que têm talvez menos do que nós, e nos darmos conta que em cada momento da nossa vida precisamos “Siyata Dichmaia”. Sem a ajuda de D’us, não poderíamos ter convidados, as crianças, nada disso.

         Gosto de falar aos meus pequenos alunos sobre a minha amiga Fela. Fela era a primeira da turma e eu, com freqüência ficava entre as últimas. Ela sempre tinha conceitos A ou notas 10. Minhas notas não eram tão boas! Mas sempre que nossos professores devolviam os testes, Fela os guardava rapidamente na sua mochila. Sua Tsniut, seu refinamento, não eram apenas externos. Estavam profundamente arraigados nela. Por nada no mundo ela me teria envergonhado ou teria se gabado exibindo suas boas notas; ela não tentaria nunca me deixar sem graça. Não era apenas o fato dela não querer ferir ninguém. Ela era uma moça verdadeiramente modesta, que sabia muito bem que a inteligência que possuía, os êxitos escolares que obtinha, só eram possíveis graças à ajuda de D’us.

         Inúmeros fatores fazem com que o Rebe (Shlita) seja tão reverenciado. Por exemplo, apesar dele ser o chefe de tantas pessoas, e dele cumprir em um dia o que outro não poderia fazer em toda uma vida, uma verdadeira Tsniut se desprende dele, um refinamento. O Rebe (Shlita) está cheio de energia e não parece nunca estar dizendo: “Olhem o que realizo. Olhem quantos chassidim eu tenho. Admirem todas as belas coisas que fazemos”.

         O Rebe, que viva com saúde, é conhecido por todo o mundo. As pessoas mais importantes querem desesperadamente captar apenas um pequeno olhar dele! Milhares fazem fila, esgotados, durante horas, para obter sua Brachá, as crianças chorando nos braços, debaixo de um sol escaldante ou de um frio rigoroso. Os judeus que mal têm para comer contraem dívidas para ver o Rebe, nem que seja por um minuto.

         Somos tão numerosos os que encontramos a coragem para seguir porque é o Rebe que nos sustenta; é o Rebe que nos permite perseverar. Quem pode igualá-lo?

         E apesar disso, como vive o Rebe? De forma simples. Sua casa é simples, modesta, mobiliada com Tsniut. Se o Rebe viajasse para Erets Israel, para a França, Itália, Austrália Rússia ou China, o que aconteceria? Ele receberia as maiores honras!

         As pessoas ficariam loucas de alegria se o Rebe fosse visitá-las. Mas as honras não o interessam. É por isso que o Rebe fica em casa, aqui, conosco.

         E quando vamos vê-lo, o que acontece? O Rebe olha para nós com seus olhos, e às vezes sentimos como se ele estivesse nos dizendo: “Ah, é magnífico: você veio!”. Tanto amor, tanto calor, tanta humildade...Um homem tão grande e ao mesmo tempo tanta humildade.... Você veio! Sente-se a sua alegria, tão pura, como se ele tivesse esperado o dia inteiro para nos ver. Observamos o Rebe e às vezes nos da medo. Quanta força será que o Rebe tem?

         E agora ele nos pede para melhorar nossa Tsniut. Porque? Para tornar as coisas mais difíceis? D’us nos livre! é porque ele se preocupa tanto, comigo, com você, com todos nós. E como as coisas podem ser verdadeiramente positivas para nós agora? Somente se Mashiach vier. E como ele virá? Se ficamos a esperá-lo? Talvez. Eu não sei mesmo. Mas o que custa tentar? Progredir? O Passuc “nossos Pais foram salvos do Egito graças ao mérito das mulheres justas” é uma indicação clara disso. Elas não trocaram nem seus nomes, nem sua língua, nem suas roupas. Trabalhemos sobre a roupa! É claro que o interior, a essência de uma pessoa, é importante. 100%! Mas o exterior o é também. Vistamos nossas mulheres e nossas filhas de modo que o Rebe se orgulhe de nós, seus filhos! A Rebetsin Chana teria também ficado satisfeita! Vamos acolher Mashiach vestindo-nos e agindo como moças judias, sem sentir vergonha de nos mesmas, D’us nos livre, como seria triste!

         Conheço um casal cujo filho não era bom aluno. Eles desejavam realmente mandá-lo para uma Ieshivá normal, não para uma escola especializada. E foram de Ieshivá em Ieshivá. Ninguém queria aceitar o menino. Uma criança como essa pode dar muito trabalho para um professor. Ele precisava enormemente de atenção, ele atrapalhava na sala, etc..

         Finalmente um Rav o aceitou. “Preciso méritos” disse ele. “Vou aceitá-lo”. Os pais desesperados se sentiram engrandecidos, aliviados, cheios de esperança e reconhecidos.

         Cada um de nós precisa méritos. Todos precisamos ser salvos; mas precisamos trabalhar para isso! Meus netos não se sentem bem quando não noto que tiraram uma boa nota na escola.

         “Mas Hashem vê”, respondo “Hashem vê tudo!”. E toda vez que vocês tentam fazer as coisas bem, o céu é testemunha.

         Para nós também e assim. Toda vez que tentamos suavizar nossa maquiagem, cada vez que somos firmes na escolha das nossas perucas (não, não quero este estilo um pouco espalhafatório), sempre que fechamos bem a camisa mesmo sabendo que o efeito fica mais bonito quando aberto, toda vez que nos cuidamos, Hashem vê.

         Todo ano em Sucot, durante as danças de Simchat Beit Hashoevá na Avenida, um imenso sentimento de orgulho pela nossa comunidade me invade. Independente das danças, da música com os vídeos e de Avraham Fried, que são formidáveis, há outra coisa muito especial. Tanta gente. Homens, mulheres, mas não há mistura no nosso meio.

         Não há mistura. É um Quidush Hashem (santificação de D’us) e isso me provoca orgulho. Sinceramente, cada um de nós quer fazer o que está bem. Às vezes é difícil. Que o Todo Poderoso nos ajude a ter sucesso.

MODELO

A VIDA APÓS A MORTE

        Esta Parashá se denomina “Hayé-Sarah- a vida de Sara”. No Tanya, o Admor Hazaquen explica que o nome de cada coisa é muito importante, e é graças a ele que esta coisa pode existir.

        Portanto, se toda a Parashá leva o nome de “hayé Sarah”, é porque ela está inteiramente ligada à vida de Sara.

        Mas nossa Parashá só fala de Sara apenas no princípio. Todo o resto nós conta outra coisa: o casamento de Itschac, a morte de Avraham. Porque, então, toda a Parashá se chama “Hayé-Sarah- a vida de Sara”?

        Na verdade, tudo o que a Parashá relata está ligado à vida de Sara, seja o casamento de Itschac ou a morte de Avraham. Com respeito ao casamento de Itschac e de Rivca, a Torá nós diz: “E Itschac a levou para a tenda de Sara, sua mãe”. Quando Itschac aceitou casar com Rivca? Somente depois de fazê-la entrar nesta tenda e de, neste momento, tudo ter voltado a ser como no tempo de Sara. Rashi explica que havia três coisas extraordinárias na tenda de Sara:

1) a luz acesa para Shabat durava a semana inteira, até o Shabat seguinte,

2) havia uma bênção especial na massa do pão,

3) uma pequena nuvem se erguia sempre acima da tenda.

        Após a morte de Sara, tudo isso havia desaparecido. Mas tudo voltou graças à Rivca.

        Constatamos que, três anos após sua morte, se da uma seqüência à vida de Sara.

        Com respeito à morte de Avraham, a Torá conta: “Itschac e Ishmael o enterraram”, quer dizer que Itschac passou na frente de Ishmael. Este havia feito Tshuvá, e é por isso que havia deixado Itschac em primeiro lugar, reconhecendo assim, que Itschac era o verdadeiro herdeiro de Avraham.

        Tudo isso ocorreu graças a Sara. Ao perceber que Ishmael se comportava mal, ela pedira a Avraham para expulsá-lo. “Porque ele não herdará” disse ela. Ela queria que ele faça Tshuvá e foi o que ele fez! Anos após a sua morte, ele deixou Itschac passar à frente. Vemos bem este fato como uma seqüência da vida de Sara.

        Portanto, se toda a Parashá leva o seu nome, é porque está realmente ligada a ela.

Como proteger a vida particular de seu próximo?

 

É absolutamente proibido observar a vida particular dos outros. Evitaremos assim construir janelas que permitam que se olhe o que acontece na casa do vizinho (segundo o Rambam, evitaremos assim propagar a  maledicência e à discrição).

Antes de  ligar a  função viva-voz do telefone, deveremos advertir aquele que fala à fim de que ele vigie o que diz. Da mesma  maneira pediremos antecipadamente a um orador sua permissão antes de gravar seu curso.

Rabeinu Guerchon (que viveu no século X)  proibiu que se lesse uma carta endereçada a outra pessoa, a não ser com sua explícita permissão. Assim evitaremos propagar escritos confidenciais, e não seremos culpados de “Guenevat Daat”, ou seja, enganar seu próximo, que crê respeitada sua vida privada e obedeceremos ao mandamento “amarás teu próximo como a ti mesmo” , que implica não fazermos ao próximo aquilo que não gostaríamos que ele nos fizesse.

Em todo o caso convém lembrarmos das palavras de Rabi Yossé: “ Eu nunca disse uma palavra que precisasse lamentar” ; Rabeinu Guerchon explica que Rabi Yossé tomava cuidado para que todas as suas palavras, mesmo em particular, pudessem ser ouvidas em público sem envergonhá-lo.