HANUKAH

O QUE É CHANUCÁ?
Chanucá celebra a derrota “dos poderosos nas mãos dos fracos, de um grande número nas mãos de um pequeno número ... e dos maus nas mãos dos justos” (Sidur). De que se trata?
Aconteceu no período que seguiu à morte de Alexandre o Grande. Antiocus da síria governava Israel. Ele empreendeu a tarefa de helenizar (torná-los gregos e não acreditar em Hashem) os Judeus e para isso proibiu respeitar as leis da Torá, impondo práticas idolatras do paganismo grego. Milhares de soldados sustentavam sua empresa.
Mas os judeus resistiram. Reuniram-se sob a bandeira de uma família Judia fiel, os Hashmonaim, decididos a combater a opressão síria. Valorosos combatentes Judeus, os Macabim se empenharam num combate sem trevas para expulsar o inimigo.
E contra exércitos imensos, levaram a vitória. Os sírios fugiram e Jerusalém foi libertada. O Templo que os ritos pagãos do invasor haviam manchado, foi purificado e reinaugurado. A Menorá, o candelabro de sete braços que simbolizava a Presença Divina e a luz espiritual, foi reaceso com azeite de oliva puro, encontrado no Templo. E o milagre aconteceu: o óleo, apenas suficiente para alimentar a Menorá durante um dia, queimou durante oito dias, o tempo necessário para preparar um novo.
Hoje celebramos com alegria Chanucá acendendo a Menorá durante oito dias. Recordamos assim que, com a ajuda de D’us, podemos vencer todos os obstáculos e que os Justos acabarão sempre triunfando.

COMO CELEBRAR CHANUCÁ?
 Acender a Menorá de Chanucá em cada uma das oito noites da festa. As datas e os horários são indicados no “Calendário de acendimento”.
 Para acender as luzes da Menorá, utilize óleo ou velas suficientes para queimar pelo menos meia hora após a caída da noite.
 Utilize um Shamash, uma vela suplementar, para acender as luzes de Chanucá. Coloque-o logo no lugar da Menorá reservado para ele.
 Você vai encontrar o número de luzes a serem acesas a cada noite bem como a ordem de acendimento no “Calendário” que segue.
 Antes do acendimento, repita as bênçãos indicadas mais adiante. Após o acendimento diga “Hanerot Halalu”.
 Todos os membros da família devem estar presentes no momento do acendimento das velas de Chanucá. Que cada menino acenda sua própria Menorá e que cada menina, a sua vela de Shabat. As pessoas que vivem sozinhas, dividindo um apartamento ou em dormitórios, acenderão individualmente sua Menorá, em seus quartos.
 Na Sexta feira de noite, as luzes de Chanucá deverão ser acesas (e elas deverão queimar por pelo menos meia hora após a caída da noite) antes das velas de Shabat. A partir do momento em que as velas de Shabat foram acesas, e até o fim do Shabat e da Havdalá (oração que separa o Shabat e os dias da semana), a Menorá não deve ser nem reacesa, nem mexida, nem preparada. Só após o final do Shabat é que as luzes de Chanucá da noite de Sábado serão acesas.

A FESTA DAS LUZES – UMA VISÃO CHASSÍDICA

As chamas que acendemos em Chanucá simbolizam a luz espiritual da Torá e das Mitsvot. Elas são acesas ao cair da noite, iluminando o lar, e demonstrando assim que a “escuridão” presente não deve nos desencorajar já que até mesmo uma pequena luz pode dissipá-la.
E mais ainda, é preciso acender as luzes de Chanucá de modo tal que elas sejam visíveis do exterior. Como para dizer que não basta iluminar a própria casa com a luz do judaísmo. É também necessário iluminar o exterior, o entorno imediato, a comunidade toda.
Observemos também, que a cada noite de Chanucá precisamos acrescentar uma chama; a luz da noite precedente não é suficiente no dia seguinte; quer dizer que por mais satisfatório que seja hoje o nosso nível na prática religiosa, convém ir mais longe, progredir amanhã, acrescentar ainda mais santidade na nossa vida cotidiana.

OUTRAS PRÁTICAS DE CHANUCÁ

Dmei Chanucá
Em Chanucá há uma tradição de dar às crianças os “Dmei Chanucá”. O dinheiro de Chanucá.
A origem do pião de Chanucá
Os sírios proibiram o ensino e o estudo da Torá sob pena de morte ou encarceramento. Apesar de tudo, as crianças judias persistiram; queriam estudar. Foram então colocados vigias, encarregados de prevenir a chegada das patrulhas sírias. No momento que se notificava a chegada de uma delas, as crianças escondiam seus livros e brincavam com o pião.

Hanerot Halalu
Recita-se a seguinte passagem após acender as luzes:
Acendemos essas luzes (para comemorar) os atos salvadores, os milagres e as maravilhas que Tu cumpristes para nossos ancestrais, nesses dias, nessa época, por meio dos Teus santos Cohanim. Durante os oito dias de Chanucá, estas luzes são sagradas e não temos o direito de fazer delas nenhum uso, unicamente olhar para elas para agradecer e dar graças ao Teu grande Nome pelos Teus milagres, pelas Tuas maravilhas e pelas Tuas libertações.

‘Hanuka

A festa de ‘Chanuka comemora um milagre que se refere a parte oculta, ao “óleo” da Tora. É por este motivo que suas luzes são acesas justamente no momento em que o sol se põe, iluminando assim a escuridão do exílio. Muito mais, esta luz faz desaparecer a revolta contra D’us no mundo e transforma a matéria a fim de preparar a libertação futura.
A festa de ‘Chanuka marca a vitória contra os Gregos, que lutaram contra a forma do serviço de D’us transcendendo qualquer lógica e implicando submissão. Em oposição a aceitação dos preceitos lógicos não os chocavam. Eles glorificavam um serviço de D’us baseado na compreensão, mas não podiam admitir que fizéssemos abstração de nossa própria pessoa, que nos submetêssemos. Foi ainda uma tal atitude pela qual os judeus se revoltaram.
Foi por este motivo que os gregos TIVERAM QUE devolver o óleo impuro. Este se refere à parte oculta, a essência. Os gregos contestavam a existência daquilo que eles não percebiam por seu sentido.
‘Chanuka segue diretamente Yud Teth Kislev, dia da libertação do Rabbi Shnéor Zalman das prisões tsaristas e Rosh Hashana da ‘Chassidut. Esta proximidade no tempo não é por acaso. Ela destaca a ligação entre duas datas diretamente ligadas a parte profunda da Tora.
Os Sábios dizem a propósito da festa de ‘Chanuka: “suas luzes nunca desaparecerão”. Em cada geração, elas iluminam o exílio e transformam a escuridão em claridade.

HANUKA!!! A História de Iehudá O Macabeu

Antioco – o louco
Numa pequena cidade de Modiin, situada numa colina ao norte de Jerusalém, viviam cinco irmãos. Eram todos jovens, bravos, valentes e fiéis a D’us.
Seu pai era o bom sacerdote Matetiahu. O mais forte e o mais corajoso dos cinco se chamava Iehudá. Um dia, Iehudá perguntou ao pai porque ele não ia mais a Jerusalém cumprir seu serviço no Templo.
Com os olhos brilhando de cólera, Matetiahu respondeu: “Porque o sumo-sacerdote não é digno de suas funções. Foi Antioco que o nomeou a troco de uma grande importância em dinheiro”.
O rei Antioco não era judeu, era um rei sírio que, pela força dos seus exércitos, havia conquistado um vasto império. A Judéia era uma das inúmeras nações que ele governava.
Este rei tinha se auto-nomeado Antioco - o magnífico, mas na Judéia todo mundo o chamava de Antioco – o louco. Ele imitava todos os costumes dos gregos, que estavam na moda naquela época, e ele queria transformar em gregos todos os habitantes do seu reino.
Portanto, ele enviou a todo mundo uma carta que dizia:
“Que cada nação abandone suas leis e sua religião para que possamos ser um povo só.”
A maioria das nações obedeceu sem dificuldade à ordem do rei. Elas já adoravam um número tão grande de deuses que não lhe fazia diferença acrescentar mais alguns.
Mas os judeus que se assemelhavam a Matetiahu e a seus filhos disseram:
“Será que vamos nos prosternar diante dos ídolos, nós que oramos para o D’us Único?”
E observaram a lei do Eterno com mais fidelidade que nunca.
Ora, Iehudá ficou sabendo que mesmo entre os judeus, havia gente que aceitava obedecer a ordem do rei. Esses afirmavam:
“Nosso modo de viver não está mais na moda. Todas as pessoas importantes se tornaram gregas.”
Ao invés de estudar a Torá, passavam o tempo nas academias de ginástica, treinando e praticando luta ou vendo jogos organizados em honra aos deuses gregos.
“Não tem nenhuma importância se de vez em quando fazemos um sacrifício a uma estátua...” diziam.
Certo dia, Iehudá subiu a Jerusalém para levar uma mensagem a um velho amigo do pai, Elazar o escriba. E viu alguns desses judeus correndo para os jogos. Estavam vestidos como gregos, falavam grego e se chamavam com nomes gregos. Nos ginásios, faziam tudo para esconder dos seus amigos gregos que eram judeus. Iehudá desprezou-os. E ficou muito feliz de voltar para casa em Modiin.
Pelas santas leis
Mal Iehudá chegou em Modiin terríveis notícias chegaram a Jerusalém. Antioco – o louco tinha mandado instalar uma estátua de Zeus no Santo Templo e sacrificavam-se porcos no altar. Antioco havia decidido acabar com a religião judia. Seus soldados pareciam estar em todo lugar ao mesmo tempo. Todo judeu encontrado estudando livros sagrados, respeitando o Shabat ou observando uma das leis da Torá era imediatamente morto.
Em Modiin começavam a serem vistos refugiados passando. Eles iam para as montanhas, esperando esconder-se nas grutas. Matetiahu os escondia em casa durante o dia e de noite ele fazia com que seus filhos, que conheciam bem todos os atalhos das montanhas, os guiassem.
Os fugitivos contavam fatos terríveis. Por eles Matetiahu ficou sabendo o que tinha acontecido com seu amigo Elazar. O velho escriba, de 90 anos, tinha sido arrastado para uma festa pagã. Ali, pela força, tentaram introduzir carne de porco em sua boca. Ele a cuspiu. Até os soldados, que eram em geral tão cruéis, ficaram com pena desse velho homem. E lhe disseram: “Amanhã, na festa, traz contigo um pouco da carne que você pode comer. Desse modo, você só vai fingir comer a carne do sacrifício. E poderemos te salvar da morte.”
Mas Elazar lhes respondeu:
“Se finjo comer, todos os jovens judeus presentes pensarão que Elazar, um homem de noventa anos, se converteu à religião estrangeira. Será que eu deveria induzi-los em erro para prolongar um pouco a minha vida? Não, eu prefiro mil vezes a morte. Deixarei pelo menos a esses jovens a lembrança do meu exemplo. Que com isso eles aprendam a aceitar com bravura a morte pela Santa Lei.”
E de fato, muitos jovens seguiram o exemplo de Elazar, particularmente os sete filhos da viúva Chana. Eles haviam sido levados com a mãe diante do rei.
“Ajoelhem diante dos nossos deuses e comam a carne do sacrifício”, mandou o rei.
O primogênito respondeu: “Preferimos morrer a de transgredir as leis dos nossos pais.”
O rei foi dominado por uma terrível cólera e mandou matar o jovem com horríveis torturas.
Ordenou-se, em seguida, ao segundo filho que se prosternasse diante da estátua.
“Meu irmão não o fez. Eu tampouco o farei”, respondeu.
Foi morto do mesmo modo que seu irmão mais velho.
Um após outro, todos os filhos de Chana foram corajosamente para a morte. Só faltava o último que era ainda uma criança.
“Você é criança demais para morrer,” disse-lhe o rei. “Olha, eu vou te jogar o meu anel no chão. Você vai abaixar para recolhê-lo e vai dar a entender que está se ajoelhando diante dos meus deuses, sem fazê-lo de verdade. Prometo poupar tua vida.”
Mas a criança, em vez de se curvar, ficou ainda mais ereta que antes.
O rei se voltou para a mãe: “Fala com teu filho”, disse, “para que ele salve a sua vida.”
“Vou falar com ele”, respondeu a mãe. E, dirigindo-se ao seu filho, ela lhe disse: “O! meu filho, não tema esse carrasco, e seja digno dos teus irmãos.”
A criança levantou os olhos para o rei: “O que está esperando para me matar?” gritou. “Não transgredirei os mandamentos do nosso D’us.”
O cruel tirano o matou também. E depois de todos os seus filhos, a mãe foi também morta.
Quando Iehudá ficou sabendo como morreram Chana e seus filhos, ele gritou: “Quanto tempo mais esperaremos sem fazer nada? Subamos a Jerusalém e combatamos pelo nosso povo e pelas nossas leis sagradas.”
Mas Shimon, seu irmão mais velho, respondeu-lhe: “Em Jerusalém, se pode apenas morrer pela lei. Precisamos viver por ela. Seja paciente, Iehudá. O tirano envia seus soldados de cidade em cidade para forçar as pessoas a oferecerem o sacrifício aos seus ídolos. Quando cheguem a Modiin, saberemos o que fazer.”
Que todos os que estão do lado do Eterno me sigam!!!
Como Shimon o havia previsto, os soldados do rei Antioco chegaram a Modiin. Ergueram na praça pública uma estátua de Zeus e um altar e ordenaram a todos os habitantes da cidade que ali se reunissem. Matetiahu e seus cinco filhos estavam entre a multidão.
O oficial do rei virou-se para Matetiahu:
“Você é um dos chefes desta cidade”, disse. “Vem ser o primeiro a obedecer a ordem do rei, como o fizeram todas as nações. Depois disso, você e sua família terão riquezas e honras como recompensa pelo seu gesto.”
Matetiahu respondeu em voz alta, para ser ouvido por todos os presentes:
“Mesmo se todas as outras nações obedecerem ao rei e abandonarem a sua religião, meus filhos e eu seguiremos o caminho de nossos pais. Não nos desviaremos das leis da nossa religião, nem para a direita nem para a esquerda.”
Mal acabou de falar um judeu covarde, vestido à grega, subiu os degraus do altar. Levantou a faca pronto para fazer o sacrifício. Matetiahu tremeu de cólera. Pulou sobre o traidor e o matou. Depois se virou para o oficial do rei e o matou também. Rapidamente, seus filhos se agruparam em torno dele. Matetiahu gritou: “Que todos aqueles que estão com o Eterno me sigam!”
E abandonando todos os seus bens, fugiu para as montanhas com seus filhos.
Muitos bravos se haviam unido a eles, trazendo suas mulheres, seus filhos, e seu gado. Como outros grupos judeus ali reunidos, encontraram abrigo em grutas que penetravam profundamente na montanha. À noite, saiam e percorriam os campos, demolindo os altares gregos, e atacando os soldados que o rei havia enviado para forçar os judeus a obedecerem. Muitos judeus foram salvos assim.
Antes de morrer, Matetiahu reuniu todos seus filhos e lhes disse: “Meus filhos, o irmão de vocês Shimon é um homem sábio. Que ele seja o vosso pai. Mas que Iehudá seja o vosso capitão e que os leve ao combate.” Depois os abençoou e os fez prometer que lutariam com coragem pelo seu povo e pela Torá.
Um pequeno número contra uma multidão
Agora que Iehudá era o chefe, os ataques contra os Sírios se tornavam mais audaciosos. Para encontrar armas para seus soldados, Iehudá aparecia de repente num campo sírio, matava todos os guardas, tomava suas espadas, lanças e escudos e desaparecia tão bruscamente quanto havia chegado. Tinha se tornado o terror dos mercenários de Antioco. Os judeus, eles, estavam recuperando a coragem.
“Deveríamos chamar Iehudá: Macabeu”, diziam. “Esse nome lhe cai bem por que ele é um macab, um martelo que bate forte.”
As pessoas diziam que Iehudá era corajoso como um leão. Entre eles havia judeus que tinham estado a ponto de se tornarem gregos, mas que voltavam agora para o seu povo, repelidos pela barbárie de Antioco. E chegou a notícia ao general sírio que um bando de miseráveis rebeldes ousava desafiar o rei.
“Vou forçá-los a sair dos seus esconderijos”, disse.
E partiu para as colinas, com seu grande exército. Mas Iehudá não esperou que os sírios cheguem até ele. Ele foi ao seu encontro. O exército sírio foi derrotado e o general morto. Iehudá usou a espada desse general todo o resto da sua vida.
Um segundo general, com um segundo exército, começou a caçá-lo. Desta vez, Iehudá os espreitava, acampado sobre um estreito desfiladeiro que era preciso usar para sair da planície. Do esconderijo, os soldados de Iehudá podiam ver o exército sírio iniciando a difícil subida. Disseram a Iehudá: “Somos tão pouco numerosos, como poderemos lutar contra um exército tão grande?”
Iehudá respondeu: “O Eterno está do nosso lado. Pouco importa o nosso número. Eles vêm contra nós com orgulho e maldade para exterminar a todos: nós, nossas mulheres e nossos filhos. Enquanto nós, estamos combatendo por nossa vida e pela Torá”.
Após essas palavras, Iehudá deu o sinal para o ataque. Seus homens pularam sobre os sírios, que se encontravam na estreita passagem. De novo Iehudá foi o vencedor e o segundo exército, levado pelo segundo general, foi derrotado.
Quando ficou sabendo do que tinha ocorrido com seus generais, o rei Antioco ficou furioso. Desta vez ele próprio enviou um exército. Conduzido por dois generais o exército compreendia soldados, cavaleiros e elefantes de combate e era seguido por mercadores de escravos, que carregados com sacos de ouro e prata, estavam seguros de poder comprar um bom número de judeus prisioneiros.
Em Mitspá, onde tinha vivido o profeta Samuel, Iehudá e seus homens se reuniram para jejuar e rezar. Iehudá desenrolou um “Sefer Torá” que tinham podido salvar mas onde, em sinal de zombaria, os pagãos haviam rabiscado imagens dos seus deuses. Quando os soldados de Iehudá as viram, choraram de tanto pesar que sentiram. “O D’us!” rezaram, “Somente Tu podes ajudar-nos.”
No campo sírio, os generais de Antioco armavam seus planos de batalha: nesta mesma noite, surpreenderiam Iehudá, antes que este os surpreendesse. Ao cair da noite, de fato, a metade do exército sírio foi para a estrada e chegou logo no campo de Iehudá. Os fogos do acampamento ainda estavam queimando, mas Iehudá e seus homens haviam partido.
“Tiveram medo de nós e fugiram”, disse o general. E continuou sua perseguição, se aprofundando cada vez mais nas montanhas. Mas Iehudá não havia fugido. Ele tinha sido informado do plano dos sírios. Neste mesmo momento ele estava conduzindo seu exército por outro caminho para o campo sírio. Seus homens estavam em número menor. Muitos dentre eles não tinham espada ou escudo mas Iehudá inspirou coragem e confiança em todos.
“Não temam o inimigo por que é mais numeroso”, dizia. “Vocês lembram como foram salvos nossos pais quando o Faraó os perseguia!”
Apontava a aurora. No campo sírio os soldados dormiam profundamente. De repente foram acordados por um som de trombetas – um som que eles desconheciam. Olharam ao redor apavorados. As tendas estavam queimando e espadas lançavam clarões. Ouviram gritar em hebraico. Homens caíam por todos os lados. Os judeus que o general tinha ido exterminar tinham surgido no seu próprio campo! O pânico dominou os soldados e eles fugiram, sendo perseguidos pelos homens de Iehudá. A trombeta tocou outra vez. Iehudá dava novas ordens às suas tropas.
“Estejam prontos! O resto do exército sírio vai voltar da montanha logo logo. Os soldados estarão cansados da sua marcha inútil mas a cólera lhes devolverá forças.”
Mal acabou de falar os sírios já estavam aparecendo no alto da colina. Mas neste dia não houve uma segunda batalha. Os mercenários de Antioco viram a fumaça subindo das suas barracas que ainda queimavam. Viram os judeus que tinham procurado o dia inteiro esperando em seu próprio campo para poder batalhar com eles. Então viraram as costas e fugiram, apavorados, até o país dos filisteus.
O campo estava repleto com armas que os soldados de Iehudá precisavam muito: escudos e cascos, espadas e lanças. Recolheram-nos. O ouro e a prata abandonados pelos mercadores de escravos foram cuidadosamente distribuídos, metade para os combatentes, metade para as viúvas e os órfãos.
Depois disso, Iehudá e seus homens voltaram ao campo onde deram as graças a D’us.
E a luz não se apagou
Três anos tinham passado desde que Antioco tinha tomado o Templo Sagrado. O caminho para Jerusalém estava finalmente aberto aos libertadores e Iehudá não perdeu um instante. Seus soldados penetraram na cidade, atravessaram as ruas silenciosas, subiram ao Monte Sion, chegando finalmente diante do Templo. Ali se detiveram horrorizados. O Templo estava deserto. Suas portas só eram cinzas. Seus pátios, onde outrora a multidão feliz se reunia, tinham sido invadidos por capim. Sangue de porco tinha jorrado no altar e nos degraus. Os soldados se prosternaram com o rosto no chão e choraram. Mas um toque de trombeta os fez levantar de repente. Iehudá dava ordens. A metade do exército devia montar guarda para prevenir um ataque. O resto devia ajudar os sacerdotes a repararem e limparem o Templo. Começou o trabalho com fervor. Os pátios foram limpos e os muros e portas reconstruídos. O altar tinha ficado impuro pelo porcos que ali haviam sido sacrificados. Sacerdotes fiéis que haviam combatido ao lado de Iehudá o demoliram e construíram outro em seu lugar. Purificaram o Santo dos Santos, suspenderam as cortinas e prepararam uma nova menorá para o “ner tamid”, a luz eterna.
No vigésimo quinto dia do mês de Quislev, o trabalho estava finalmente concluído.
Uma multidão feliz invadiu os pátios do Templo para ter a felicidade de ver o “ner Tamid” brilhando de novo. Mas os sacerdotes estavam demorando. Murmurava-se na multidão: “não tem o azeite especial para a lâmpada. Os pagãos impurificaram- no todo.”
Os sacerdotes procuravam febrilmente em cada canto, cada esconderijo possível. Encontraram finalmente uma jarra de óleo. Sabiam que tinha ficado puro porque ainda tinha o selo do sumo sacerdote. Mas a jarra era muito pequena. Só continha óleo para um dia. Os sacerdotes colocaram assim mesmo o óleo na lâmpada que eles acenderam. Foi então que aconteceu um grande milagre. A lâmpada não se apagou. O azeite que só era suficiente para um dia queimou durante oito dias, quer dizer até que se pudesse preparar um novo óleo puro.
Feliz, Iehudá e seus homens fizeram a volta do altar. Em todo o país a felicidade renascia e se dava as graças a D’us.
A guerra, porém, não havia terminado. Foi preciso ainda lutar bravamente. Iehudá foi morto em combate mas seus irmãos continuaram lutando. Os sírios acabaram sendo expulsos do país. Os pais, as mães e os filhos que tinham fugido para as montanhas voltaram para suas casas. Os judeus podiam novamente guardar o Shabat, estudar nos livros santos e obedecer as leis da Torá.
É em Chanucá que acendemos luzes para recordar estes dias. Pensamos então em Iehudá Hamacabi. No seu pai e nos seus irmãos que foram os primeiros a lutar para poder servir a D’us livremente.

O QUE É CHANUCÁ? Chanucá celebra a derrota “dos poderosos nas mãos dos fracos, de um grande número nas mãos de um pequeno número ... e dos maus nas mãos dos justos” (Sidur). De que se trata? Aconteceu no período que seguiu à morte de Alexandre o Grande. Antiocus da síria governava Israel. Ele empreendeu a tarefa de helenizar (torná-los gregos e não acreditar em Hashem) os Judeus e para isso proibiu respeitar as leis da Torá, impondo práticas idolatras do paganismo grego. Milhares de soldados sustentavam sua empresa. Mas os judeus resistiram. Reuniram-se sob a bandeira de uma família Judia fiel, os Hashmonaim, decididos a combater a opressão síria. Valorosos combatentes Judeus, os Macabim se empenharam num combate sem trevas para expulsar o inimigo. E contra exércitos imensos, levaram a vitória. Os sírios fugiram e Jerusalém foi libertada. O Templo que os ritos pagãos do invasor haviam manchado, foi purificado e reinaugurado. A Menorá, o candelabro de sete braços que simbolizava a Presença Divina e a luz espiritual, foi reaceso com azeite de oliva puro, encontrado no Templo. E o milagre aconteceu: o óleo, apenas suficiente para alimentar a Menorá durante um dia, queimou durante oito dias, o tempo necessário para preparar um novo. Hoje celebramos com alegria Chanucá acendendo a Menorá durante oito dias. Recordamos assim que, com a ajuda de D’us, podemos vencer todos os obstáculos e que os Justos acabarão sempre triunfando. COMO CELEBRAR CHANUCÁ?  Acender a Menorá de Chanucá em cada uma das oito noites da festa. As datas e os horários são indicados no “Calendário de acendimento”.  Para acender as luzes da Menorá, utilize óleo ou velas suficientes para queimar pelo menos meia hora após a caída da noite.  Utilize um Shamash, uma vela suplementar, para acender as luzes de Chanucá. Coloque-o logo no lugar da Menorá reservado para ele.  Você vai encontrar o número de luzes a serem acesas a cada noite bem como a ordem de acendimento no “Calendário” que segue.  Antes do acendimento, repita as bênçãos indicadas mais adiante. Após o acendimento diga “Hanerot Halalu”.  Todos os membros da família devem estar presentes no momento do acendimento das velas de Chanucá. Que cada menino acenda sua própria Menorá e que cada menina, a sua vela de Shabat. As pessoas que vivem sozinhas, dividindo um apartamento ou em dormitórios, acenderão individualmente sua Menorá, em seus quartos.  Na Sexta feira de noite, as luzes de Chanucá deverão ser acesas (e elas deverão queimar por pelo menos meia hora após a caída da noite) antes das velas de Shabat. A partir do momento em que as velas de Shabat foram acesas, e até o fim do Shabat e da Havdalá (oração que separa o Shabat e os dias da semana), a Menorá não deve ser nem reacesa, nem mexida, nem preparada. Só após o final do Shabat é que as luzes de Chanucá da noite de Sábado serão acesas.  A FESTA DAS LUZES – UMA VISÃO CHASSÍDICA As chamas que acendemos em Chanucá simbolizam a luz espiritual da Torá e das Mitsvot. Elas são acesas ao cair da noite, iluminando o lar, e demonstrando assim que a “escuridão” presente não deve nos desencorajar já que até mesmo uma pequena luz pode dissipá-la. E mais ainda, é preciso acender as luzes de Chanucá de modo tal que elas sejam visíveis do exterior. Como para dizer que não basta iluminar a própria casa com a luz do judaísmo. É também necessário iluminar o exterior, o entorno imediato, a comunidade toda. Observemos também, que a cada noite de Chanucá precisamos acrescentar uma chama; a luz da noite precedente não é suficiente no dia seguinte; quer dizer que por mais satisfatório que seja hoje o nosso nível na prática religiosa, convém ir mais longe, progredir amanhã, acrescentar ainda mais santidade na nossa vida cotidiana. OUTRAS PRÁTICAS DE CHANUCÁ Dmei Chanucá Em Chanucá há uma tradição de dar às crianças os “Dmei Chanucá”. O dinheiro de Chanucá. A origem do pião de Chanucá Os sírios proibiram o ensino e o estudo da Torá sob pena de morte ou encarceramento. Apesar de tudo, as crianças judias persistiram; queriam estudar. Foram então colocados vigias, encarregados de prevenir a chegada das patrulhas sírias. No momento que se notificava a chegada de uma delas, as crianças escondiam seus livros e brincavam com o pião. Hanerot Halalu Recita-se a seguinte passagem após acender as luzes: Acendemos essas luzes (para comemorar) os atos salvadores, os milagres e as maravilhas que Tu cumpristes para nossos ancestrais, nesses dias, nessa época, por meio dos Teus santos Cohanim. Durante os oito dias de Chanucá, estas luzes são sagradas e não temos o direito de fazer delas nenhum uso, unicamente olhar para elas para agradecer e dar graças ao Teu grande Nome pelos Teus milagres, pelas Tuas maravilhas e pelas Tuas libertações. ‘Hanuka A festa de ‘Chanuka comemora um milagre que se refere a parte oculta, ao “óleo” da Tora. É por este motivo que suas luzes são acesas justamente no momento em que o sol se põe, iluminando assim a escuridão do exílio. Muito mais, esta luz faz desaparecer a revolta contra D’us no mundo e transforma a matéria a fim de preparar a libertação futura. A festa de ‘Chanuka marca a vitória contra os Gregos, que lutaram contra a forma do serviço de D’us transcendendo qualquer lógica e implicando submissão. Em oposição a aceitação dos preceitos lógicos não os chocavam. Eles glorificavam um serviço de D’us baseado na compreensão, mas não podiam admitir que fizéssemos abstração de nossa própria pessoa, que nos submetêssemos. Foi ainda uma tal atitude pela qual os judeus se revoltaram. Foi por este motivo que os gregos eurent à coeur de devolver o óleo impuro. Este se refere à parte oculta, a essência. Os gregos contestavam a existência daquilo que eles não percebiam por seu sentido. ‘Chanuka segue diretamente Yud Teth Kislev, dia da libertação do Rabbi Shnéor Zalman das prisões tsaristas e Rosh Hashana da ‘Chassidut. Esta proximidade no tempo não é por acaso. Ela destaca a ligação entre duas datas diretamente ligadas a parte profunda da Tora. Os Sábios dizem a propósito da festa de ‘Chanuka: “suas luzes nunca desaparecerão”. Em cada geração, elas iluminam o exílio e transformam a escuridão em claridade. HANUKA!!! A História de Iehudá O Macabeu Antioco – o louco Numa pequena cidade de Modiin, situada numa colina ao norte de Jerusalém, viviam cinco irmãos. Eram todos jovens, bravos, valentes e fiéis a D’us. Seu pai era o bom sacerdote Matetiahu. O mais forte e o mais corajoso dos cinco se chamava Iehudá. Um dia, Iehudá perguntou ao pai porque ele não ia mais a Jerusalém cumprir seu serviço no Templo. Com os olhos brilhando de cólera, Matetiahu respondeu: “Porque o sumo-sacerdote não é digno de suas funções. Foi Antioco que o nomeou a troco de uma grande importância em dinheiro”. O rei Antioco não era judeu, era um rei sírio que, pela força dos seus exércitos, havia conquistado um vasto império. A Judéia era uma das inúmeras nações que ele governava. Este rei tinha se auto-nomeado Antioco - o magnífico, mas na Judéia todo mundo o chamava de Antioco – o louco. Ele imitava todos os costumes dos gregos, que estavam na moda naquela época, e ele queria transformar em gregos todos os habitantes do seu reino. Portanto, ele enviou a todo mundo uma carta que dizia: “Que cada nação abandone suas leis e sua religião para que possamos ser um povo só.” A maioria das nações obedeceu sem dificuldade à ordem do rei. Elas já adoravam um número tão grande de deuses que não lhe fazia diferença acrescentar mais alguns. Mas os judeus que se assemelhavam a Matetiahu e a seus filhos disseram: “Será que vamos nos prosternar diante dos ídolos, nós que oramos para o D’us Único?” E observaram a lei do Eterno com mais fidelidade que nunca. Ora, Iehudá ficou sabendo que mesmo entre os judeus, havia gente que aceitava obedecer a ordem do rei. Esses afirmavam: “Nosso modo de viver não está mais na moda. Todas as pessoas importantes se tornaram gregas.” Ao invés de estudar a Torá, passavam o tempo nas academias de ginástica, treinando e praticando luta ou vendo jogos organizados em honra aos deuses gregos. “Não tem nenhuma importância se de vez em quando fazemos um sacrifício a uma estátua...” diziam. Certo dia, Iehudá subiu a Jerusalém para levar uma mensagem a um velho amigo do pai, Elazar o escriba. E viu alguns desses judeus correndo para os jogos. Estavam vestidos como gregos, falavam grego e se chamavam com nomes gregos. Nos ginásios, faziam tudo para esconder dos seus amigos gregos que eram judeus. Iehudá desprezou-os. E ficou muito feliz de voltar para casa em Modiin. Pelas santas leis Mal Iehudá chegou em Modiin terríveis notícias chegaram a Jerusalém. Antioco – o louco tinha mandado instalar uma estátua de Zeus no Santo Templo e sacrificavam-se porcos no altar. Antioco havia decidido acabar com a religião judia. Seus soldados pareciam estar em todo lugar ao mesmo tempo. Todo judeu encontrado estudando livros sagrados, respeitando o Shabat ou observando uma das leis da Torá era imediatamente morto. Em Modiin começavam a serem vistos refugiados passando. Eles iam para as montanhas, esperando esconder-se nas grutas. Matetiahu os escondia em casa durante o dia e de noite ele fazia com que seus filhos, que conheciam bem todos os atalhos das montanhas, os guiassem. Os fugitivos contavam fatos terríveis. Por eles Matetiahu ficou sabendo o que tinha acontecido com seu amigo Elazar. O velho escriba, de 90 anos, tinha sido arrastado para uma festa pagã. Ali, pela força, tentaram introduzir carne de porco em sua boca. Ele a cuspiu. Até os soldados, que eram em geral tão cruéis, ficaram com pena desse velho homem. E lhe disseram: “Amanhã, na festa, traz contigo um pouco da carne que você pode comer. Desse modo, você só vai fingir comer a carne do sacrifício. E poderemos te salvar da morte.” Mas Elazar lhes respondeu: “Se finjo comer, todos os jovens judeus presentes pensarão que Elazar, um homem de noventa anos, se converteu à religião estrangeira. Será que eu deveria induzi-los em erro para prolongar um pouco a minha vida? Não, eu prefiro mil vezes a morte. Deixarei pelo menos a esses jovens a lembrança do meu exemplo. Que com isso eles aprendam a aceitar com bravura a morte pela Santa Lei.” E de fato, muitos jovens seguiram o exemplo de Elazar, particularmente os sete filhos da viúva Chana. Eles haviam sido levados com a mãe diante do rei. “Ajoelhem diante dos nossos deuses e comam a carne do sacrifício”, mandou o rei. O primogênito respondeu: “Preferimos morrer a de transgredir as leis dos nossos pais.” O rei foi dominado por uma terrível cólera e mandou matar o jovem com horríveis torturas. Ordenou-se, em seguida, ao segundo filho que se prosternasse diante da estátua. “Meu irmão não o fez. Eu tampouco o farei”, respondeu. Foi morto do mesmo modo que seu irmão mais velho. Um após outro, todos os filhos de Chana foram corajosamente para a morte. Só faltava o último que era ainda uma criança. “Você é criança demais para morrer,” disse-lhe o rei. “Olha, eu vou te jogar o meu anel no chão. Você vai abaixar para recolhê-lo e vai dar a entender que está se ajoelhando diante dos meus deuses, sem fazê-lo de verdade. Prometo poupar tua vida.” Mas a criança, em vez de se curvar, ficou ainda mais ereta que antes. O rei se voltou para a mãe: “Fala com teu filho”, disse, “para que ele salve a sua vida.” “Vou falar com ele”, respondeu a mãe. E, dirigindo-se ao seu filho, ela lhe disse: “O! meu filho, não tema esse carrasco, e seja digno dos teus irmãos.” A criança levantou os olhos para o rei: “O que está esperando para me matar?” gritou. “Não transgredirei os mandamentos do nosso D’us.” O cruel tirano o matou também. E depois de todos os seus filhos, a mãe foi também morta. Quando Iehudá ficou sabendo como morreram Chana e seus filhos, ele gritou: “Quanto tempo mais esperaremos sem fazer nada? Subamos a Jerusalém e combatamos pelo nosso povo e pelas nossas leis sagradas.” Mas Shimon, seu irmão mais velho, respondeu-lhe: “Em Jerusalém, se pode apenas morrer pela lei. Precisamos viver por ela. Seja paciente, Iehudá. O tirano envia seus soldados de cidade em cidade para forçar as pessoas a oferecerem o sacrifício aos seus ídolos. Quando cheguem a Modiin, saberemos o que fazer.” Que todos os que estão do lado do Eterno me sigam!!! Como Shimon o havia previsto, os soldados do rei Antioco chegaram a Modiin. Ergueram na praça pública uma estátua de Zeus e um altar e ordenaram a todos os habitantes da cidade que ali se reunissem. Matetiahu e seus cinco filhos estavam entre a multidão. O oficial do rei virou-se para Matetiahu: “Você é um dos chefes desta cidade”, disse. “Vem ser o primeiro a obedecer a ordem do rei, como o fizeram todas as nações. Depois disso, você e sua família terão riquezas e honras como recompensa pelo seu gesto.” Matetiahu respondeu em voz alta, para ser ouvido por todos os presentes: “Mesmo se todas as outras nações obedecerem ao rei e abandonarem a sua religião, meus filhos e eu seguiremos o caminho de nossos pais. Não nos desviaremos das leis da nossa religião, nem para a direita nem para a esquerda.” Mal acabou de falar um judeu covarde, vestido à grega, subiu os degraus do altar. Levantou a faca pronto para fazer o sacrifício. Matetiahu tremeu de cólera. Pulou sobre o traidor e o matou. Depois se virou para o oficial do rei e o matou também. Rapidamente, seus filhos se agruparam em torno dele. Matetiahu gritou: “Que todos aqueles que estão com o Eterno me sigam!” E abandonando todos os seus bens, fugiu para as montanhas com seus filhos. Muitos bravos se haviam unido a eles, trazendo suas mulheres, seus filhos, e seu gado. Como outros grupos judeus ali reunidos, encontraram abrigo em grutas que penetravam profundamente na montanha. À noite, saiam e percorriam os campos, demolindo os altares gregos, e atacando os soldados que o rei havia enviado para forçar os judeus a obedecerem. Muitos judeus foram salvos assim. Antes de morrer, Matetiahu reuniu todos seus filhos e lhes disse: “Meus filhos, o irmão de vocês Shimon é um homem sábio. Que ele seja o vosso pai. Mas que Iehudá seja o vosso capitão e que os leve ao combate.” Depois os abençoou e os fez prometer que lutariam com coragem pelo seu povo e pela Torá. Um pequeno número contra uma multidão Agora que Iehudá era o chefe, os ataques contra os Sírios se tornavam mais audaciosos. Para encontrar armas para seus soldados, Iehudá aparecia de repente num campo sírio, matava todos os guardas, tomava suas espadas, lanças e escudos e desaparecia tão bruscamente quanto havia chegado. Tinha se tornado o terror dos mercenários de Antioco. Os judeus, eles, estavam recuperando a coragem. “Deveríamos chamar Iehudá: Macabeu”, diziam. “Esse nome lhe cai bem por que ele é um macab, um martelo que bate forte.” As pessoas diziam que Iehudá era corajoso como um leão. Entre eles havia judeus que tinham estado a ponto de se tornarem gregos, mas que voltavam agora para o seu povo, repelidos pela barbárie de Antioco. E chegou a notícia ao general sírio que um bando de miseráveis rebeldes ousava desafiar o rei. “Vou forçá-los a sair dos seus esconderijos”, disse. E partiu para as colinas, com seu grande exército. Mas Iehudá não esperou que os sírios cheguem até ele. Ele foi ao seu encontro. O exército sírio foi derrotado e o general morto. Iehudá usou a espada desse general todo o resto da sua vida. Um segundo general, com um segundo exército, começou a caçá-lo. Desta vez, Iehudá os espreitava, acampado sobre um estreito desfiladeiro que era preciso usar para sair da planície. Do esconderijo, os soldados de Iehudá podiam ver o exército sírio iniciando a difícil subida. Disseram a Iehudá: “Somos tão pouco numerosos, como poderemos lutar contra um exército tão grande?” Iehudá respondeu: “O Eterno está do nosso lado. Pouco importa o nosso número. Eles vêm contra nós com orgulho e maldade para exterminar a todos: nós, nossas mulheres e nossos filhos. Enquanto nós, estamos combatendo por nossa vida e pela Torá”. Após essas palavras, Iehudá deu o sinal para o ataque. Seus homens pularam sobre os sírios, que se encontravam na estreita passagem. De novo Iehudá foi o vencedor e o segundo exército, levado pelo segundo general, foi derrotado. Quando ficou sabendo do que tinha ocorrido com seus generais, o rei Antioco ficou furioso. Desta vez ele próprio enviou um exército. Conduzido por dois generais o exército compreendia soldados, cavaleiros e elefantes de combate e era seguido por mercadores de escravos, que carregados com sacos de ouro e prata, estavam seguros de poder comprar um bom número de judeus prisioneiros. Em Mitspá, onde tinha vivido o profeta Samuel, Iehudá e seus homens se reuniram para jejuar e rezar. Iehudá desenrolou um “Sefer Torá” que tinham podido salvar mas onde, em sinal de zombaria, os pagãos haviam rabiscado imagens dos seus deuses. Quando os soldados de Iehudá as viram, choraram de tanto pesar que sentiram. “O D’us!” rezaram, “Somente Tu podes ajudar-nos.” No campo sírio, os generais de Antioco armavam seus planos de batalha: nesta mesma noite, surpreenderiam Iehudá, antes que este os surpreendesse. Ao cair da noite, de fato, a metade do exército sírio foi para a estrada e chegou logo no campo de Iehudá. Os fogos do acampamento ainda estavam queimando, mas Iehudá e seus homens haviam partido. “Tiveram medo de nós e fugiram”, disse o general. E continuou sua perseguição, se aprofundando cada vez mais nas montanhas. Mas Iehudá não havia fugido. Ele tinha sido informado do plano dos sírios. Neste mesmo momento ele estava conduzindo seu exército por outro caminho para o campo sírio. Seus homens estavam em número menor. Muitos dentre eles não tinham espada ou escudo mas Iehudá inspirou coragem e confiança em todos. “Não temam o inimigo por que é mais numeroso”, dizia. “Vocês lembram como foram salvos nossos pais quando o Faraó os perseguia!” Apontava a aurora. No campo sírio os soldados dormiam profundamente. De repente foram acordados por um som de trombetas – um som que eles desconheciam. Olharam ao redor apavorados. As tendas estavam queimando e espadas lançavam clarões. Ouviram gritar em hebraico. Homens caíam por todos os lados. Os judeus que o general tinha ido exterminar tinham surgido no seu próprio campo! O pânico dominou os soldados e eles fugiram, sendo perseguidos pelos homens de Iehudá. A trombeta tocou outra vez. Iehudá dava novas ordens às suas tropas. “Estejam prontos! O resto do exército sírio vai voltar da montanha logo logo. Os soldados estarão cansados da sua marcha inútil mas a cólera lhes devolverá forças.” Mal acabou de falar os sírios já estavam aparecendo no alto da colina. Mas neste dia não houve uma segunda batalha. Os mercenários de Antioco viram a fumaça subindo das suas barracas que ainda queimavam. Viram os judeus que tinham procurado o dia inteiro esperando em seu próprio campo para poder batalhar com eles. Então viraram as costas e fugiram, apavorados, até o país dos filisteus. O campo estava repleto com armas que os soldados de Iehudá precisavam muito: escudos e cascos, espadas e lanças. Recolheram-nos. O ouro e a prata abandonados pelos mercadores de escravos foram cuidadosamente distribuídos, metade para os combatentes, metade para as viúvas e os órfãos. Depois disso, Iehudá e seus homens voltaram ao campo onde deram as graças a D’us. E a luz não se apagou Três anos tinham passado desde que Antioco tinha tomado o Templo Sagrado. O caminho para Jerusalém estava finalmente aberto aos libertadores e Iehudá não perdeu um instante. Seus soldados penetraram na cidade, atravessaram as ruas silenciosas, subiram ao Monte Sion, chegando finalmente diante do Templo. Ali se detiveram horrorizados. O Templo estava deserto. Suas portas só eram cinzas. Seus pátios, onde outrora a multidão feliz se reunia, tinham sido invadidos por capim. Sangue de porco tinha jorrado no altar e nos degraus. Os soldados se prosternaram com o rosto no chão e choraram. Mas um toque de trombeta os fez levantar de repente. Iehudá dava ordens. A metade do exército devia montar guarda para prevenir um ataque. O resto devia ajudar os sacerdotes a repararem e limparem o Templo. Começou o trabalho com fervor. Os pátios foram limpos e os muros e portas reconstruídos. O altar tinha ficado impuro pelo porcos que ali haviam sido sacrificados. Sacerdotes fiéis que haviam combatido ao lado de Iehudá o demoliram e construíram outro em seu lugar. Purificaram o Santo dos Santos, suspenderam as cortinas e prepararam uma nova menorá para o “ner tamid”, a luz eterna. No vigésimo quinto dia do mês de Quislev, o trabalho estava finalmente concluído. Uma multidão feliz invadiu os pátios do Templo para ter a felicidade de ver o “ner Tamid” brilhando de novo. Mas os sacerdotes estavam demorando. Murmurava-se na multidão: “não tem o azeite especial para a lâmpada. Os pagãos impurificaram- no todo.” Os sacerdotes procuravam febrilmente em cada canto, cada esconderijo possível. Encontraram finalmente uma jarra de óleo. Sabiam que tinha ficado puro porque ainda tinha o selo do sumo sacerdote. Mas a jarra era muito pequena. Só continha óleo para um dia. Os sacerdotes colocaram assim mesmo o óleo na lâmpada que eles acenderam. Foi então que aconteceu um grande milagre. A lâmpada não se apagou. O azeite que só era suficiente para um dia queimou durante oito dias, quer dizer até que se pudesse preparar um novo óleo puro. Feliz, Iehudá e seus homens fizeram a volta do altar. Em todo o país a felicidade renascia e se dava as graças a D’us. A guerra, porém, não havia terminado. Foi preciso ainda lutar bravamente. Iehudá foi morto em combate mas seus irmãos continuaram lutando. Os sírios acabaram sendo expulsos do país. Os pais, as mães e os filhos que tinham fugido para as montanhas voltaram para suas casas. Os judeus podiam novamente guardar o Shabat, estudar nos livros santos e obedecer as leis da Torá. É em Chanucá que acendemos luzes para recordar estes dias. Pensamos então em Iehudá Hamacabi. No seu pai e nos seus irmãos que foram os primeiros a lutar para poder servir a D’us livremente. ESTUDO DE TORA PARA A ELEVAÇÃO DA ALMA . DA JOVEM SORAYA CRIVAROT, SARAH BAT LISETH, . DO SENHOR WALDEMAR GOLDBERG, ZEEV BEN MOSHE E YEHUDIT - HANA MAZALTOV BAT SULTANA E MIMUN BEN SAADA</p>

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