6. Ki Tetzé


-B’SD

Kol Hamoshiach

PARASHAT KI TETSÉ

Conteúdo da Parashá:

·  As leis da prisioneira não judia com quem um soldado deseja casar - Iefat Toar

·  Um pai não pode privar seu primogênito da dupla parte que lhe toca

·  O “filho rebelde”, cujos pais levam ao Beit Din para que seja julgado - Ben sorer umoré

·  É preciso enterrar um morto no mesmo dia da sua execução

·  A mitsvá de devolver um objeto perdido aos seu proprietário - Ashavat aveida

·  Ajudar um judeu a descarregar um peso

·  Um homem não deve vestir roupas concebidas para uma mulher e vice-versa.

·  Expulsar a mãe pássaro antes de levar seus filhotes - Shiluach haquen

·  A mitsvá de colocar um parapeito em volta de um teto, de uma varanda, de um poço e de tirar qualquer objeto perigoso dos lugares que nos pertencem

·  A proibição de semear outras sementes além da uva no vinhedo

·  Não se pode atrelar diferentes espécies de animais ao mesmo jugo

·  Os casamentos proibidos

·  O exército judeu tem a obrigação de ser santo

·  Não devolver ao seu dono o escravo que foi procurar refúgio em Israel

·  O dono tem a obrigação de deixar os que ele emprega usarem produtos da terra durante seu trabalho

·  A esposa judia não tem o status de mulher divorciada enquanto seu marido não lhe entrega o guet/uma carta de divórcio

·  Diversas mitsvot apresentadas na Parasha

·  Recordar a maneira como D’us castigou Miriam para afastar-nos do lashon hara (maledicência)

·  É proibido tomar penhor de uma viúva

·  Os dons da colheita para o pobre

·  Doação aos pobres provenientes dos vinhedos e das oliveiras

·  A flagelação - Malcot

·  A mitsva de Ibum - o levirato

·  A proibição de falsificar pesos e medidas

·  A mitsva de recordar o mal que Amalec nos fez

·  As mitsvot da Parasha que já foram explicadas algures

***

As leis da mulher prisioneira de guerra

Entre os não judeus, se admite em forma comum o fato de que mudando as roupas que se usam na vida civil por uniformes militares o homem está liberado dos constrangimentos sociais o que lhe permite um certo relaxamento nos costumes.

Pelo contrário, a Torá exige de cada soldado os padrões mais altos de quedusha, como será explicado no parágrafo seguinte “O exército judeu tem a obrigação de ser santo.”

Entretanto, prevendo que a proibição relativa ao casamento cm uma mulher não judia possa ser muito difícil de observar para um soldado em tempos de guerra, a Torá da neste caso preciso regras particulares.

A Torá espera que se a mulher não judia for aceita neste caso, a paixão do soldado vai enfraquecer, já que o ietser hará (a má inclinação) perde sua força quando o objeto do seu desejo não lhe é mais proibido. Por outro lado, a Torá impõe condições tais a este casamento que ela desanima o soldado a insistir com este assunto.

Na antigüidade, os não judeus tinham o costume de mandar suas filhas aos campos de batalha, vestidas com enfeites esplendorosos e maravilhosamente maquiadas, esperando com isso distrair o inimigo dos seus objetivos.

Poderia acontecer que após a derrota de uma cidade não judia, que um soldado reparasse entre as cativas, uma mulher que lhe parecesse com uma beleza tal que ele sentisse um paixão por ela, e que ele achasse que esta paixão é impossível de sobrepujar.

A Torá só permitia o casamento com uma mulher não judia prisioneira depois de submetê-la ao seguinte procedimento:

Ela deveria passar um mês de luto e de purificação na casa do futuro esposo. Este período de preparação tinha várias funções:

O futuro esposo via esta mulher sem os enfeites e os atrativos exteriores que poderiam tê-lo atraído na primeira vez:

- Ela devia raspar a cabeça, enquanto antes podia ter tido uma magnífica cabeleira.

- Devia deixar as unhas crescerem, o que lhe dava uma aparência cruel.

-Ela trocava sua elegante vestimenta por roupas de luto.

Talvez depois de vê-la durante um mês inteiro privada da sua beleza exterior, em contraste com as mulheres judias que estavam felizes e bem vestidas, o homem judeu não desejasse mais casar com ela.

“Raboteinu falam”

“A Torá coloca o assunto da “mulher odiada que é a mãe do primogênito’ e o assunto do ‘filho rebelde’ depois das leis da iefat toar para indicar que aquele que cede à sua paixão e casa com uma iefat toar acabará provavelmente odiando-a e tendo com ela um filho rebelde.

A Torá só sanciona o casamento com uma iefat toar com reticência. Nossos sábios observam que um casamento essencialmente baseado nos atributos físicos do cônjuge ou na “paixão” tem o risco de engendrar a discórdia e de acabar eventualmente quebrado.

Aquele que casa leshem shamaim (em nome do céu) terá filhos que farão o bem ao povo judeu. Amram que casou com Iocheved leshem shamaim, engendrou Moshé e Aarão que ensinaram ao povo judeu a Torá e as mitsvot.

Boaz que casou com Rute leshem shamaim, engendrou Oved que se tornou o antepassado do Rei Davi.

- Ú -

O “filho rebelde”

Se duas testemunhas advertem um rapaz de treze anos contra o roubo perpetrado para a compra de carne e vinho e o vêm logo depois roubando dinheiro dos pais, comprando carne e vinho e devorando-os gulosamente na presença de outros falíveis de tumulto, os pais levam conduzem seu filho a um Beit Din (tribunal). O menino recebe então chicotadas (malcut).

Se ele persiste neste caminho, seus pais o conduzem de novo diante do Beit Din. O rapaz pode receber a pena capital se todas as condições citadas mais adiante são cumpridas já que a Torá prediz que ele acabará roubando, depois matando para satisfazer sua cobiça. A Torá declara: “É melhor que ele deixe este mundo enquanto é ainda inocente que esperar que se torne culpado de sérios crimes.”

Estas são algumas das numerosas condições que devem ser preenchidas para que um rapaz assim receba a pena capital:

·  Ele deve ter entre treze e treze anos e três meses. Se ele for apenas um pouco mais novo ou mais velho, ele não poderá ser executado.

·  Seu pai e sua mãe devem ser vivos, porque são os dois pais que devem conduzi-lo ao Beit Din.

·  Nenhum dos dois pais deve ser doente, mudo, cego ou surdo.

De acordo com uma opinião da Guemara, é altamente improvável, e de acordo com outra, é simplesmente impossível que o castigo de morte do “filho rebelde” possa nunca ser executado já que na prática, as condições requeridas não podem nunca ser totalmente preenchidas.

Entretanto um judeu deve estudar esta seção da Torá e uma recompensa lhe é prometida por este estudo, já que o próprio ato de estudar a Santa palavra de D’us liga o judeu ao seu Criador.

Além disso podemos tirar muitos ensinamentos de ordem prática desta porção da Torá:

1. Pode ser que os pais prefiram fechar os olhos sobre a desobediência e a glutonaria do seu filho. Podem pensar que essas incursões não terão sérias conseqüências. Mas a Torá proclama: “Não permita este comportamento! Não diga que ele é inocente! Se você não intervier, o fim será amargo.”

Deste modo esta Parashá ensina aos pais a obrigação de educar seus filhos na Torá e nas mitsvot, a recriminá-los e a inculcar neles valores judaicos corretos.

2. A parashá do “filho rebelde” demostra até onde devia chegar nosso amor por D’us. O amor que os pais têm pelos filhos constitui a ligação natural mais forte e a Torá os obriga a passarem por cima das suas emoções e a levarem, eles mesmos, seu filho ao Beit Din para que seja lapidado, se transgrediu as mitsvot de Hashem.

Pelo mandamento divino, Avraham sobrepujou o amor pelo filho e estava pronto a sacrificá-lo.

Resumo da Parashá:

Elul, o último mês do ano, tem uma função particular. É uma época de balanço, a última oportunidade, antes de ser inscrito, de novo, no grande livro da vida. Por isso, Elul é comparado com uma cidade de refúgio, para a qual se escapa do “vingador de sangue”, a má inclinação.

Seis grandes cidades de refúgio destinadas aos assassinos involuntários estavam espalhadas em Israel. Chgava-se a elas por meio de grandes estradas, que tinham manutenção constante. Em cada encruzilhada, havia placas de sinalização indicando a direção: “refúgio, refúgio.”

Na nossa época, cada judeu religioso deve se identificar com esta “placa de sinalização”, indicando a via a ser seguida. Mesmo estando, ela mesma, um pouco suja, mesmo se suas letras estão um pouco apagadas, o pecador involuntário reconhecerá a direção e poderá assim escapar do vingador...

A cidade de refúgio, o abrigo seguro, é também, e em primeiro lugar, o estudo da Torá, as Mitsvot e a oração. É importante, em Elul, refugiar-se nelas intensamente. Na véspera dos dias de julgamento, Rosh Hashaná e Quipur, o carimbo com que se sela o grande livro será com certeza mais favorável.

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Já que o mês de Elul é o mês de preparação para o ano vindouro, (e por isso ele inclui, em potencial, o ano próximo), o serviço divino do povo judeu durante o mesmo se situa num nível muito alto.

Em Licutei Torá, Rabi Shneur Zalman de Liadi, primeiro Rebe de Lubavitch, explica que os treze atributos divinos de Misericórdia são revelados durante todo o mês de Elul. Esta revelação espiritual condiciona o amor e o temor de D’us que o povo judeu sentirá ao longo do ano novo. De fato, “o temor e o amor de D’us não podem ser implantados no coração do homem por seus esforços próprios. Faz-se necessária uma ajuda divina”.

O Tsémach Tsédec, terceiro Rebe de Lubavitch, escreve que a única maneira de possuir o amor e o temor verdadeiros de D’us é quando estes são resultantes de uma benevolência divina.

Do mesmo modo, no mês de Elul, a revelação dos treze atributos divinos estão na origem do despertar do amor e do temor de D’us que cada judeu sentirá durante o novo ano. Na verdade, Elul não só prepara o judeu a operar um “despertar de baixo” em Rosh Hashaná, (que, por sua vez, levará a um “despertar de Cima”, o qual determinará a natureza do amor e do temor de D’us), porém, mais do que isso, o “despertar de Cima”, fator determinante do temor e do amor de D’us durante o ano, já está presente em Elul.

Em um outro discurso, Rabi Shneur Zalman explicou que os treze Atributos do corrente ano afetam apenas “a vida do corpo” (a vida material e física), enquanto que os de Elul influenciam “a vida da alma” (a vida espiritual).

Poderia se fazer a seguinte pergunta: Elul está ligado a um nível de serviço divino muito elevado. Mas os dias deste mês são dias de semana normais. Como então conseguir cumprir um trabalho espiritual tão importante e tão elevado, ficando limitados às nossas atividades e preocupações mundanas?

O Rebe explica este conceito por meio de uma parábola, a do “Rei nos campos”. Ele descreve como, antes do rei penetrar na cidade, todos os súditos do reino saem para acolhê-lo no campo e, nesta ocasião, o Rei os recebe a todos calorosamente e com um rosto radiante.

De um modo geral, no palácio, apenas uma elite de ministros e de súditos próximos podem se encontrar com o Rei. Entretanto, quando este se encontra no campo, qualquer um pode se aproximar dele e apresentar-lhe os seus pedidos, que, aliás, ele atenderá com alegria.

Durante o mês de Elul, D’us, o “Rei dos reis”, encontra-se “no campo”. O mundo todo pode se aproximar d’Ele. O essencial é querê-lo. O mesmo Rei, cujo lugar é normalmente no palácio, sai para o campo e se revela para todos. Apesar de estarmos, também, “no campo”, não alcançamos o mesmo grau de refinamento daqueles que estão na cidade, não pudemos fazer os preparativos necessários antes de encontrar o Rei em Seu palácio. E apesar disso tudo, durante Elul podemos nos aproximar d’Ele do jeito que somos.

No mesmo discurso, o Rebe continua sua explicação acrescentando outro conceito. A promessa da Torá: “E de lá procurarás o Eterno, teu D’us e O encontrarás” se dirige inclusive para aquele que se encontra num deserto (quer dizer num estado de esterilidade espiritual). Mesmo se ele se encontra entre aqueles que estão perdidos, a esperança permanece sempre.

A verdadeira Tshuvá está ligada ao estudo da Torá. Em conseqüência, devemos acrescer tempo ao nosso estudo da Torá durante o mês de Elul. Do fato do “Rei estar no campo”, nos é possível fazer Tshuvá e, graças ao estudo, alcançar um estado de perfeição e de plenitude no serviço de D’us.

Elul está composto por duas palavras; “Lo”, com um Alef, significando “não”, e “Lo”, com um Vav, significando “para Ele”.

O Midrash comenta o versículo do Salmo 100: “Ele nos fez e nós somos d’Ele”, do seguinte modo: “Lo” com um Alef significa “não nos criamos a nós mesmos” e “Lo” com um Vav, “com Ele (com D’us), nós completamos nossas almas”. Essas duas explicações representam dois aspectos opostos no serviço divino. O primeiro se refere a um estágio preliminar e se dirige a uma pessoa que deve saber que “não nos criamos por nós mesmos”. O segundo aspecto se refere a um nível superior “Com Ele completamos nossas almas”.

Neste grau, o povo judeu estará inteiro, a Torá será inteira e o mundo alcançará seu estado de perfeição e de realização total, com a vinda de nosso justo Mashiach, em breve e em nossos dias.

SAIR PARA A GUERRA

A parashá da semana se abre com as seguintes palavras: “quando saíres para a guerra contra teus inimigos e que o Senhor teu D’us os entregar em tuas mãos, e que deles leves cativos” - quer dizer quando Israel sai para a guerra, Hashem o ajuda e Ele faz de modo tal que Israel seja vencedor, triunfe sobre seus inimigos; e então os Bnei Israel levarão nos seus despojos os soldados inimigos.

Espiritualmente existe também o “quando saíres para a guerra”. CONTRA QUEM ISRAEL LUTA (FAZ A GUERRA)? E SE É UMA GUERRA ESPIRITUAL, QUAL É O INIMIGO DE CADA JUDEU?

O verdadeiro inimigo do homem é seu próprio corpo material e a alma animal. Sim, esses são os que o tornam pesado e atrapalham o homem, perturbando a sua alma divina pura no serviço de D’us. Estes inimigos, então, o corpo e a alma animal, o judeu precisa fazer-lhes a guerra, “quando saíres para a guerra contra teus inimigos”, e é ele que deve ganhar a batalha contra a o corpo físico grosseiro e não deixá-lo vencer ao ceder aos seus prazeres físicos e aos seus desejos.

Mas neste tipo de guerra, a finalidade não é quebrar o inimigo e eliminá-lo. Não. Muito pelo contrário! Não precisa quebrar o corpo, mesmo se ele atrapalha a alma divina (a qual tem apenas um desejo: servir a D’us). De preferência precisa desembaraçá-lo, fazer uma triagem, separar o bom do mau que tem dentro do corpo, e depois purificá-lo, refiná-lo e transformá-lo num utensílio que vai servir, que vai estar ao serviço de Hashem; vamos usar este corpo material e ajudá-lo a cumprir mitsvot e a aprender a Torá. É justamente nisso que consiste a guerra. Certamente uma guerra difícil, obrigatória para cada um e uma de nós.

COMO GANHAR ESSA GUERRA? Diz o versículo “quando saíres para a guerra”. Basta apenas SAIR. começar a se esforçar e tentar o melhor, por todos os meios, para ganhar esta guerra com os próprios esforços. Realiza-se, então, a promessa “e Hashem, teu D’us, os entregará en tuas mãos”. Hashem vai te ajudar a ganhar e ter êxito e não serás vencido. Mas o sucesso não é suficiente. Não pode se contentar com ganhar a guerra - a finalidade desta guerra tem algo a mais “e deles levarás cativos”. São as faíscas de santidade escondidas no corpo material que serão reveladas graças a esta guerra e após a vitória, será acrescentada vitalidade, força e vigor no homem e no seu trabalho.

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O PARAPEITO

“Quando construíres uma nova casa, farás um parapeito no teto”.

Qual é a razão profunda e espiritual para um mandamento desses, o de construir uma parapeito numa casa nova?

Quando o judeu constrói uma casa nova, não bastam as vedações e as proteções que havia antes - (antes da aquisição desta casa) - Ele poderia dizer: “Até agora as vedações e as barreiras da casa sempre resistiram aos obstáculos. Porque então não continuar agora nesta via?”

NÃO, ele não pode se contentar com as vedações que foram fixadas antes! Quando se constrói uma casa nova, quando se começa um trabalho novo, uma vida nova, deve se esperar qualquer tipo de novas provações - e prever que, havendo uma nova propriedade, uma nova situação, haverá novas dificuldades, e armadilhas que não havia antes e reagir contra esse fato: é preciso, é obrigatório construir um parapeito. Quando se toma uma nova direção na vida, é preciso acrescentar proteções, vedações, parapeitos e ter precaução e cuidado para não cair, não titubear (D’us nos livre) no novo caminho - Isso acontece, por exemplo, quando um judeu sai para o mundo após anos de estudos numa Ieshivá (Casa de Estudos): ele deve agora enfrentar emboscadas, novos testes que ele nunca antes experimentou.

Assim também, e do mesmo modo ocorre na vida de cada dia - De manhã quando ele acorda, o judeu começa seu dia de trabalho com orações; depois ele estuda um pouco de Torá; e depois ele se dedica aos seus negócios: é quando ele deve colocar e fixar este PARAPEITO para seu próprio bem, para se proteger das turbulências externas. Ele precisa também ter certeza que suas ações no trabalho de cada dia estão bem feitas, como se deve, de acordo com os códigos das leis judaicas (Shulchan Aruch), “que não tenha sangue em sua casa” e “que não haja quedas”.

O Rebe Raiats, o Rebe precedente (o sogro do Rebe atual) disse: “a cada ano novo (Rosh Hashaná), precisa acrescentar alguma coisa na beleza das mitsvot positivas e ser mais prudente com as mitsvot negativas e ter um bom comportamento”.

Mesmo se tudo está para ele como deveria estar, (quer dizer que ele já faz tudo bem), como cada ano novo o mundo recebe e atrai sobre ele uma nova luz, ele deve consequentemente, recebê-la ele próprio e construir o parapeito para seu novo ano.

FELIZ ANO NOVO.

DOMINGO 5 Elul 5757 - 7 de setembro

Passagens a serem estudadas:

Chumash: Rishon de Tetsé com Rashi

Tehilim: 29 a 34 / 13 a 15

Tania:

Nosso costume para colocar o grande Talit é o seguinte:

Ele é colocado dobrado sobre o ombro direito. Os Tsittsit são examinados. Durante este exame, é recitado o parágrafo “Barchi Nafshi”. Depois retira-se o Talit de sobre o ombro, abrindo-se o mesmo. Beija-se a ponta superior e joga-se o mesmo para trás, por trás do rosto.

Só depois é que se começa a fazer a bênção “Lehitatef Be-Tsittsit” que se conclui depois de ter enrolado as duas pontas direitas do Talit em volta do pescoço, por cima do ombro esquerdo.

(Ver com respeito a isso o Sheherit Iehudá Orach Chaim, parágrafo 1, Divrei Nechemia Orach Chaim, parágrafo 9.)

SEGUNDA 6 Elul

Passagens a serem estudadas:

Chumash: Sheni de Tetsé com Rashi

Tehilim: 35 a 38 / 16 a 18

Tania:

O Tsémach Tsédec contou:

O Baal Shem Tov gostava muito da claridade. Ele dizia: “Or”, a luz, tem o mesmo valor numérico que “Raz”, o segredo: aquele que conhece o segredo de cada coisa tem o poder de aclarar.”

TERÇA 7 Elul

Passagens a serem estudadas:

Chumash: Shelishi de Tetsé com Rashi

Tehilim: 39 a 43 / 19 a 21

Tania:

O Admor Hazaquen pediu para que se escreva “Patsua Dachá” (Dvarim 23, 2) com um Alef no final e não com um Hei.

Em Praga, existe um Sefer Torá que, de acordo com a tradição local, foi examinado e retificado por Ezra, o Escriba. Ele só é lido em Simchat Torá e é enrolado sempre sobre a porção do Shemá Israel. Quando estive em Praga em 5668 (1908) e vi o Sefer Torá, “Dachá” estava escrito com um Alef.

Do mesmo modo, quando me dirigi a Worms, em 5667 (1907), vi um Sefer Torá que, de acordo com a tradição daquela comunidade, fora escrito por Rabi Meïr de Rottenbourg. “Dachá” também esta escrito no mesmo com um Alef.

A este respeito serão consultados o Shecherit Iehyudá (Ioré Deá, parágrafo 16) e o Divrei Nechemia (Ioré Deá, parágrafo 22). O Michnat Avraham (seção 32) cita diferentes obras que tratam deste assunto.

QUARTA 8 de Elul

Passagens a serem estudadas:

Chumash: Revií de Tetsé com Rashi

Tehilim: 44 a 48 / 22 a 24

Tania:

O Tsémach Tsédec indicou três coisas que asseguraram seu sucesso em 5603 (1843), durante a convenção rabínica de Petersburgo. Uma delas foi o mérito das trinta e duas mil horas que ele consagrara ao estudo dos comentários do Admor Hazaquen durante trinta anos, de 5564 a 5594 (1804 a 1834).

(Em 5564 ‘1864’, ele se fixou, de fato, uma hora para aprender os discursos do Admor Hazaquen. em 5594 ‘1834’, ele começou a publicá-los.)

(É preciso observar que transcorreram apenas cem anos ‘5603-5703’ deste esta convenção rabínica até a redação do Haiom Iom).

QUINTA 9 de Elul

Passagens a serem estudadas:

Chumash: Chamishi de Tetsé com Rashi

Tehilim: 49 a 54 / 25 a 27

Tania:

Meu avó (o Rebe Maharash) definiu nestes termos a profundidade da reflexão necessária para abordar um conceito árduo:

“Quando se está pessoalmente preocupado com um assunto, ele é perfeitamente compreendido. Uma prova proveniente da Torá pode mostrá-lo. Ela se refere às mulheres e às engenhosas argumentações que elas são capazes de desenvolver por conta própria. Estas são discutidas por Tanaïm, Amoraïm. Gaonim, Sábios, e todos têm uma inteligência excepcional.

Mas a Torá é uma Torá de Verdade e a mulher não tem condição de conceber raciocínios tão engenhosos. Na realidade, quando eles estão mais pessoalmente implicados, aqueles que têm uma percepção limitada podem também desenvolver explicações das mais profundas.

SEXTA 10 de Elul

Passagens a serem estudadas:

Chumash: Shishi de Tetsé com Rashi

Tehilim: 55 a 59 / 28 a 30

Tania:

Os maiores entre os Chassidim idosos do Admor Hazaquen diziam que o termo “Iechidut”, designando a entrevista que o Rebe outorga a um discípulo, significa: claro, fixo, unido.

A fonte destas três interpretações figura nas palavras de nossos sábios: Shecalim cap. 6 Mishna 2, Iebamot 62A, Bereshit Raba cap. 20.

A Iechidut permite, assim, esclarecer a própria situação, fixar-se um meio de servir a D’us ao “afastar-se do mal” e, ao forjar-se bons sentimentos, unir-se e consagrar-se totalmente, oferecendo sua própria pessoa, com todos os seus desejos.

SHABAT 11 de Elul

Passagens a serem estudadas:

Chumash: Shevií de Tetsé com Rashi

Tehilim: 60 a 65 / 31 a 33

Tania:

Durante o Shabat Tetsé 5603 (1843), sentado na mesa para o Quidush do dia, o Tsémach Tsédec disse:

“Este mundo é o da mentira. É a razão pela qual, no mesmo, até o bem está alterado pelo mal. É preciso portanto purificar “de baixo para cima” mas também “de cima para baixo”.

O mundo futuro é o da verdade. Também, os propósitos da Torá, cujo enunciado parece ser negativo, expressam qualidades positivas, quando se consideram do modo como são estudados no Gan Eden.”

Depois ele começou a cantar e, com um sinal da mão, pediu que o acompanhassem. Seus filhos também começaram a cantar e todos os Chassidim os seguiram. O canto inflamou e acendeu os corações.

Quando parou de cantar, o Tsémach Tsédec disse: No mundo, interpreta-se a passagem da Guemara (Sanhedrin 99b) “aquele que estuda a Torá Lipraquim (às vezes)” como designando aquele que a estuda de vez em quando. No Gan Eden, essas palavras designarão aquele que se consagra ao seu estudo e em quem a Torá penetra e gruda: as palavras da Torá impregnam cada aspecto da sua personalidade.”

(Notamos que este Shabat marca o centenário da data em que o Tsémach Tsédec deu esta explicação.)