DAR TZEDAKA

Tsedacá

Do hebraico tsedec: “justiça”, “retidão”

 

A obrigação é de fazer justiça comportando-se de maneira honesta, rigorosa e estar à escuta do próximo. Não há outra palavra em idish ou em hebraico para designar caridade.

 

Os judeus nunca separaram a noção de caridade do dever. É uma obrigação moral e religiosa agir com justiça e generosidade. O Deuteronômio (15:11) diz: Ora, haverá sempre necessitados no país; é por isso que Eu te faço esta recomendação: abre, abre tua mão para teu irmão, para o pobre, para o necessitado que estará em teu país! E lemos no Livro dos Provérbios (19:17): Dar ao pobre é emprestar a D’us que paga cada um o que lhe é devido.

É preciso também evitar aos pobres e necessitados a vergonha de pedir ajuda. Cada comunidade judia deve dar muita importância ao socorro dos seus pobres, seus doentes, seus deficientes, etc. Era costume ter um fundo especial para os necessitados. Em cada casa deve haver pequenas caixas contendo moedas destinadas às obras de caridade (Pishque).

As crianças judias tinham que aprender a considerar como seu dever ajudar os necessitados. É preciso lhes dar com freqüência moedinhas para que eles mesmos as dêem aos necessitados.

Maimônides estabeleceu uma lista hierarquizada da tsedacá. A forma de caridade mais elevada consiste, segundo ele, em ajudar as pessoas a elas mesmas se ajudarem; e depois, a socorrer seu próximo de maneira anônima e secreta para evitar que o benfeitor saiba a quem deu e o beneficiário que lhe deu ...

Está formalmente proibido aos judeus ignorar aquele que pede ajuda ou lhe dar as costas.

 

G Não recusa uma boa ação àqueles que têm direito a ela, enquanto estiver em teu poder fazê-la. (Provérbios, 3:27).

 

G Um pobre vagabundo, quase morto de fome, se detém diante da porta da bela casa de um homem rico e pede ajuda. O senhor “bem” chama seu servidor e lhe diz:

“Olha esse pobre coitado, os dedos do seu pé saem do que lhe serve de calçado. Sua calça está toda furada. Ele está com cara de alguém que não tomou banho nem fez a barba há vários semanas. Com certeza que ele não teve uma refeição decente quem sabe há quantos dias! Ver esse infeliz me parte o coração. E também, não posso suportar essa miserável criatura. Portanto, EXPULSA-O!”

 

Visivelmente este homem não tinha entendido nada da Tsedacá.

 

TSEDACA

 

   Quando as grandes festas se aproximam e vamos estar diante de D’us para sermos julgados de acordo com nossas boas e más ações, devemos lembrar que está em nosso poder evitar um veredito desfavorável graças à Tshuva, Tfilá e Tsedacá - arrependimento, oração e caridade.

   O arrependimento é o pesar sincero de qualquer má ação cometida no passado e a resolução de só fazer boas ações no futuro.

   A oração é o meio pelo qual fazemos uma comunhão com D’us. Nossas três orações diárias, da manhã, da tarde e da noite encontram-se no sidur.

   Hoje vamos nos estender sobre a Tsedaca.

   Nossos sábios falam com freqüência da Tsedaca como uma grande mitsvá que pode salvar até de uma morte certa. A razão pela qual a Tsedacá se beneficia de tais vantagens é que ela constitui um esforço “total” da parte do doador. Enquanto que qualquer outra mitsvá é cumprida apenas por uma certa parte do corpo (por exemplo, os Tefilin são colocados no braço e na cabeça; o estudo da Torá requer apenas concentração mental, e continua assim), a Tsedaca, ela, é um ato que faz com que o corpo inteiro contribua. De fato, a realização de um trabalho permite ganhar, por um lado dinheiro que se da, e pela outra, precisa que todo o ser se coloque para funcionar, tanto física quanto mentalmente. Qualquer parte deste dinheiro, seja ela pequena ou grande, que é consagrada à caridade feita a um homem necessitado, salva com freqüência a sua vida e, de qualquer maneira, a prolonga por um certo tempo. É por isso que a Tsedaca está intimamente ligada com o fato de “salvar a vida”.

 

   Se traduzimos Tsedaca pela palavra “caridade”, é apenas por falta de encontrar-lhe um equivalente rigorosamente exato e que traduz seu verdadeiro sentido. As pessoas pensam geralmente que dando a um pobre ou a uma instituição eles dão alguma coisa que lhes pertence em propriedade e que assim estão fazendo um ato de bondade pelo qual merecem agradecimentos e gratidão. Mas a palavra Tsedacá em hebraico significa realmente um ato de justiça. Fazer a Tsedaca deve resultar não num movimento de bondade do nosso coração mas do nosso sentido do dever. É uma obrigação da qual não podemos nos subtrair, como o pagamento de uma dívida.

 

   A caridade faz de nós um homem bom e parcialmente um judeu; para ser inteiramente um bom judeu, é necessário possuir também os dois outros fundamentos: estudar a Torá e sustentar suas instituições, servir D’us pela oração e pelo cumprimento dos preceitos religiosos.