Tora

Torá

Literalmente “Doutrina”, “Ensinamento”, “Lei”. Esta palavra designa o Pentateuco, os cinco livros de Moiséis, e também toda a Lei judaica: a Lei Escrita e a Lei Oral (Torá Shebikhtav e Torá Shebal Pe).

A Torá é o “prazer escondido” de D’us. Neste sentido, ela transcende a criação. A Torá foi a primeira criação de D´us, ela precedeu a criação do mundo de dois mil anos. A Torá diz: “Eu fui um instrumento para O arquiteto que  construíu o mundo”.

Quando D’us revela a Torá, ela se torna a sabedoria de D’us. Desde então, o homem pode, por intermediário do estudo da Torá, realizar uma união extraordinária entre D’us e ele. Na verdade, aquele que estuda a Torá pode, com esforços, dominar o assunto. Paralelamente, ele é dominado pela Torá e não pode durante o estudo se consagrar a mais nada. Nenhuma outra situação é, aqui em baixo neste mundo físico material, comparável a esta que permite ao homem ao mesmo tempo dominar a Sabedoria de D’us e ser dominado por Ela. (Ver Estudo)

Diferenciamos a parte revelada da Torá da parte escondida. A primeira é constituída pelo Talmud* e pelas Hala’chot* (Leis). O Rambam* disse, na introdução de seu Mishné Torá* que podemos, estudando este livro, conhecer todas as leis da Torá. A parte oculta da Torá corresponde ao Midrash* e a Kabala*. Ela é expressa através do intelecto pela Chassidut*. Todavia,  a parte revelada e a parte escondida da Torá formam uma só, a Torá. De maneira alusiva, a parte revelada da Torá se chama “água”, “pão”, “carne”, enquanto que a parte oculta é o “vinho” e o “óleo”. O óleo se refere aos segredos ainda mais escondidos. Na verdade, quando amassamos a uva, o suco aparece imediatamente. A oliva, em compensação, deve ser fortemente amassada para que o óleo escorra.

O homem que estuda a Torá pode se libertar das coisas do mundo e até mesmo domina-las. Qualquer situação que ele deverá confrontar pode ser trocada por uma fase do estudo. Assim, dizem os Sábios se referindo ao exílio no Egito, “a argamassa, Homer, pode ser trocado pelo raciocínio a fortiori da Torá (Kal Va’homer), e o tijolo, Levena, pode ser trocado pelo estudo do estabelecimento das Leis (Livoun Hala’há)”.

Por outro lado diz-se que a Torá “fala das criaturas celestes e faz alusão às criaturas terrestres”. Assim, ela descreve antes de tudo as manifestações mais elevadas da Divindade, até mesmo quando ela parece tratar dos problemas mais materiais. A Chassidut* permite perceber a espiritualidade da Torá.

A Torá deve iluminar o mundo. Muito mais, tudo aquilo que aparece na criação passa por seu intermédio. É por isso que se diz que “a Torá  foi dada para realizar a paz no mundo”. Destaca-se também que “a Torá não está no céu”, ou seja, não é inacessível para os homens. “A Torá não foi dada aos anjos”, ela está ao alcance de qualquer um, do menor ao mais velho. Cada um deve estudar a Torá  e aplicar o que ele aprende segundo suas capacidades. É aqui neste mundo material que a Torá é interpretada pelos Sábios, decidida e aplicada; o tribunal celeste aceita a decisão do tribunal terrestre. A Torá é por outro lado o meio de elevar a matéria do mundo em função de suas decisões legislativas (halachicas). Assim, o homem decide de que maneira ele transformará o mundo, para construir aqui uma moradia para D’us.

“Existem duas espécies de princípios: aqueles que criam a vida e aqueles que são criados pela vida. As leis humanas são criadas pela vida. Esta é a razão pela qual elas diferem de um país ao outro, de acordo com as circunstâncias. A Torá de D’us é uma Lei Divina, que cria a vida. Ela é a Torá de Verdade que é idêntica em qualquer lugar e em qualquer época. A Torá é eterna.”. Hayom Yom, 22 de Shvat.

“A Torá e as Mitsvot regem a vida do homem, desde o dia do seu nascimento até o fim da sua vida. Elas o colocam num raio de luz, lhe conferem uma inteligência sadia, lhe fazem adquirir bons traços de caráter e comportamentos judiciosos, não somente com respeito a D’us mas também ao próximo.

Porque aquele que é guiado pela Torá e pelos ensinamentos dos nossos Sábios terá uma vida feliz, material e espiritualmente.” Hayom Yom, 27 de Tishri.

“O estudo diário da Torá é indispensável para a vida, não somente para a alma daquele que o pratica mas também para as da sua família. Graças a ele, a atmosfera da casa respira a Torá e a piedade.” Hayom Yom, 4 de Heshvan.