O Baal Shem Tov

Rabbi Israel Baal Chem Tov Os anos de 5408 e 5409 (1648 e 1649) foram particularmente dolorosos para o povo judeu na Polônia, na Rússia e na Lituânia. O chefe sanguinário dos Cosaques, Chamelnitski, acompanhado de seu bando de criminosos, atacava, matava, saqueava sem misericórdia as diferentes comunidades. Milhares de vítimas morreram pela Santificação do Nome Divino. O povo judeu conheceu o sofrimento moral e físico, a pobreza. Algumas pessoas que puderam, por um milagre de D´us, conservar alguns bens, se tornaram dirigentes e líderes das comunidades. Estes não eram necessariamente eruditos e, freqüentemente, não eram honrados pelas suas qualidades de coração. Sedentos de honras, eles difamavam o Rav (o Rabino), chefe espiritual da comunidade, e aqueles que consagravam (dedicavam) sua vida ao estudo. Foi neste período, particularmente crítico, que abusando da esperança dos Judeus na liberação, falsos messias se revelaram, semeando decepção e tristeza. Os Judeus simples descendentes do povo foram aqueles que mais sofreram. Alguns eruditos que podiam ainda dedicar suas vidas ao estudo abandonava-os e o risco de uma cisão irremediável no coração do povo judeu se desenvolveu. Foi então que D´us, tendo piedade de seu povo, lhe enviou o Baal Chem Tov, que veio relembrar a unidade do povo Judeu, a possibilidade, para cada um, de se aproximar de D´us e de captar (percevoir) Sua grandeza na criação. A FESTA DO 18 DE ELUL  ©RABINADO DO RIO DE JANEIRO 8 Fundador da Chassidut, o Baal Chem Tov nasceu no dia 18 Elul 5458 (1698), em Okup, na Podolia. O profeta Elyachu anunciou seu nascimento aos seus pais, Rabbi Eliezer e a Rabbanit Sarah, mesmo eles já tendo idade avançada. Ele perdeu seus pais quando tinha 5 anos de idade, e foi logo criado pelos Judeus de Okup. Ainda criança, ele tinha o hábito de se isolar, ficando nos campos e nas florestas, se dedicando ao estudo dos manuscritos da Kabbala que lhe foram dados, com a ajuda dos Tsaddikim ocultos. Com quatorze anos de idade, ele entrou para a “confraria dos Tsaddikim ocultos”, dirigida pelo Rabbi Adam Baal Chem de Ropchits. O Rabbi Adam era o terceiro dirigente desta confraria fundada pelo Rabbi Elyahu Ball Chem de Worms, a qual sucedeu o Rabbi Yoel Baal Chem de Zamutcht. Em 5476 (1716), ele passou a liderar a confraria e determinou que ela teria como missão a educação do povo Judeu. Os Tsaddikim ocultos se espalharam pelas cidades e aldeias onde se tornaram professores e docentes. Sob seu estímulo, eles conseguiram, entre 5475 e 5490 (1715 e 1730), reaproximar milhares de Judeus do conhecimento e da prática da Torá, sendo que muitos deles, em seguida, se tornaram Chassidim do Baal Chem Tov (discípulos). O Rabbi Israel estudou a Torá ao lado do profeta Elyahu e de seu mestre, Achya de Chilo. Ele tinha, de fato, a alma do Mashiach Bem Yossef. Sabemos particularmente que o profeta Elyahu se revelou para ele pela primeira vez no dia 18 Elul 5474 (1714). Quanto ao Achya de Chilo, ele o ensinou a Torá a partir de 5484 (1724), quando ele havia vinte e seis anos. Durante muitos anos, ele foi protetor de uma casa de estudo, depois ajudante de um professor de escola. Com vinte anos, ele se casou com a irmã do Rabbi Avraham Gerchon de Kitov e viveu longe da cidade, obtendo sua subsitência a partir do trabalho com suas próprias mãos. Ele estudou a Torá escondido, e antes de se revelar, acumulou numerosos conhecimentos tanto da parte revelada quanto da parte escondida da Torá, se esforçando enquanto isso para não revelar para ninguém quem ele realmente era, recusando até que sua grandeza fosse reconhecida e sua alma elevada. Até sua revelação, ele se esforçou para esconder seus vastos conhecimentos e seus comportamentos. Esta revelação ocorreu, a pedido de seu mestre Achya de Chilo, quando ele havia trinta e seis anos de idade. Suas numerosas peregrinações o conduziram em cidades e aldeias da Podolia, da Wholinia e da Galícia. Lá, ele fazia numerosos milagres. Graças às suas bênçãos ele curava os doentes e ajudava aqueles que tinham necessidade. Foi assim que ele ficou bem conhecido pelo povo todo. Sua chegada em uma cidade era considerada um grande evento. Todos se conscientizaram então que ele era um Tsaddik fora do comum. Em 5500 (1740), ele se estabeleceu em Meghibug, e os eruditos que dirigiam a cidade, o Rabbi Zeev Kitsés e o Rabbi David Furks, que não gostaram inicialmente de sua chegada, se tornaram rapidamente seus alunos. Logo mais, numerosos discípulos foram até ele de todos os horizontes e seu ensinamento se espalhou amplamente. Foi então que foi fundado o movimento Chassidico, cuja influência sobre o povo judeu foi e é ainda determinante. Quando ele deixou este mundo, já havia mais de dez mil Chassidim. Seu ensinamento foi baseado no do Ari Zal, Rabbi Itschak Lurya de Tsfat, o qual foi desenvolvido consideravelmente. Ele rejeitou as mortificações e os sofrimentos físicos,  A FESTA DO 18 DE ELUL  ©RABINADO DO RIO DE JANEIRO 9 condenou a tristeza, estéril no serviço de D´us, e destacou a necessidade de se alegrar, mesmo durante a prova (épreuve). Ele mostrou a grande qualidade dos homens do povo, que dirigem suas orações à Essência de D´us, não tendo conhecimento dos níveis intermediários e glorificou a oração fervente, o entusiasmo em D´us e o êxtase. Ele mostrou também o papel central do Tsaddik, do justo. Numerosos Chassidim vieram buscar nele a via do serviço de D´us, uma bênção para todas suas necessidades materiais e espirituais. O Baal Chem Tov se preocupava com todos os Judeus, satisfazia a necessidade dos pobres. Ele nunca dormia tendo dinheiro em casa. Ele distribuía aos pobres tudo o que possuía antes da noite. O amor ocupava um lugar importante no seu ensinamento, amor de D´us, amor da Torá, amor de Israel. Ele não suportava que o povo de Israel fosse vítima de qualquer acusação. Várias vezes, ele tentou ir para Erets Israel, e chegou em Constantinopla, mas, por diferentes motivos, ele não pode continuar sua viagem. Ele enviou para Erets Israel, seu cunhado, o Rabbi Avraham Guerchon de Kitov, que espalhou seu ensinamento em Yeruchalaïm onde formou numerosos Chassidim. O Baal Chem Tov não redigiu ele mesmo seu ensinamento. Suas principais obras, Keter Chem Tov e Tsavaat Haribach, foram redigidas por seus discípulos. Ele contou numa carta endereçada ao seu cunhado, que ele sofreu uma elevação da alma, no dia de Rosh Hashana 5507 (1747), e encontrou a alma do Mashiach. Ele o perguntou: “Quando virás?” O Mashiach respondeu: “Aqui está o sinal que lhe permitirá sabê-lo: quando seu ensinamento se propagar e se revelar ao mundo, quando tuas fontes se espalharem pelo exterior, o que eu te ensinei e o que você entendeu por você mesmo, quando todos poderão realizar Unificações espirituais nos mundos superiores e elevações da alma como você faz, as forças do mal desaparecerão e será um momento propício para a salvação.” Em 5519 (1759), um ano antes de o Baal Chem Tov deixar este mundo, aconteceu em Lemberg, um confronto entre os Rabbanim da Polônia e os chefes de file dos Franquistas. Dentre quarenta grandes Rabbanim, três foram escolhidos para este confronto. O Baal Chem Tov foi um deles. Este saiu vencedor da discussão e o Talmud não foi queimado, como foi pedido pelos franquistas, que tiveram que abandonar o Judaísmo, o que apesar desta grande vitória, afligiu o Bal Chem Tov, preocupado de reaproximar cada Judeu ao Judaísmo, mesmo aqueles que se perderam em crenças estrangeiras. Ele deixou este mundo em Meghibugh, no segundo dia de Shavuot 5520 (1760), deixando um filho único, o Rabbi Tsvi e uma filha, Odel, mãe do Rabbi Moché Chaim Efraim de Sedlikov e do Rabbi Baruch de Meghibugh. Toda a sua vida foi um tissu de milagres e de maravilhas. Nombre de ceux-ci são consignados no “Chivchei Habaal Chem Tov”, redigido pelo Rabbi Dov Ber Bem Shmuel Chochet, genro do Rabbi Alexander, o Sofer do Baal Chem Tov.