12 E 13 DE TAMUZ

A LIBERAÇÃO DE 12-13 TAMUZ O Rabi Iossef Itschac era um ardente defensor dos seus irmãos judeus. Ele lutou incansavelmente pela sua independência, tanto material quanto espiritual. Sua ação o opôs ao regime anti-semita tsarista e mais tarde aos comunistas, que negavam D’us. A consequência disso foi que ele conheceu as prisões russas, onde ele foi encarcerado algumas vezes. 12 de TAMUZ 12 Tamuz no Hayom Yom, o Dia de Hoje Festa da liberação Não se fala o Tachanun Aniversário do Rebe Iossef Itschac, nascido em 5640 (1880). Neste dia, ele recebeu em 5687 (1927) a boa notícia da sua liberação do exílio que tinha lhe sido aplicado depois do seu encarceramento, por ter reforçado a Torá e o judaísmo. (Sabe-se que durante o dia do seu aniversário, o Mazal do homem domina e vem ajudá-lo.) Extrato de uma carta do Rebe Iossef Itschac: “Nestes dois dias de libertação, os 12 e 13 de Tamuz próximos, os Chassidim farão um Farbrenguen, para o bem e para a benção, material e espiritual, como instituiu o nosso primeiro pai, o Admor Hazaquen, possa o mérito do santo Tsadic ser uma benção para a vida do mundo futuro. Sua alma reside nos palácios celestiais. Possa seu mérito proteger-nos. Durante este Farbrenguen, os Chassidim discutirão, num ambiente fraterno, como reforçar os momentos do estudo. Dirijo-lhes a minha benção para que D’us lhes dê muito, tanto material quanto espiritualmente. Sexta 13 Tamuz 5703 Festa da liberação Foi neste dia que o Rebe Iossef Itschac foi libertado. O encarceramento começou às duas horas e quinze da manhã, na quarta feira 15 de Sivan 5687 (15 de julho de 1927). Ele ficou exilado na cidade de Kostrama até meio dia e trinta de quarta feira 13 de Tamuz 5687 (13 de julho de 1927). Extrato de uma carta do Rebe Iossef Itschac de escrita na ocasião da festa da liberação: “Envio-lhes um discurso chassídico... Ele constitui a minha participação aos meus caros amigos, os Chassidim, no lugar onde se encontrarem, para que possam conhecer o sucesso. Desta maneira, estarei com vocês durante o vosso Farbrenguen para reforçar as práticas da Chassidut, para fixar um tempo para estudá-la, para respeitar este tempo, para ser estimulado a cumprir o que resulte deste estudo... Nosso D’us e o D’us dos nossos pais abençoará toda a comunidade dos Chassidim, eles mesmos, sua família, seus filhos e seus netos, no seio de nossos irmãos, os filhos de Israel, a quem D’us outorgará longa vida e todo o bem da alma e do corpo.” 12 de Tamuz O NASCIMENTO E A VIDA DE UM GRANDE CHEFE Uma vez em muitas gerações, quando Seu povo Israel está muito aflito, quando no seu amargo exílio ele recebe uma dose suplementar de sofrimento e de opressão, o Todo-Poderoso envia uma alma exaltada para ajudá-lo nessas horas críticas. Líder único, assim, foi o sexto Rebe de Lubavitch, o Rabi Iossef-Itschac Schneerson, filho único dos seus santos pais, Rabi Shalom-Ber (RaShaB) e a Rabanit Shterna-Sara. Foi certamente a Providência Divina que enviou um homem tão grande, com seu amor insondável pelos Judeus, sua Messirat Nefesh (devoção total) sem limites por eles, seus talentos e suas qualidades excepcionais de espírito e de personalidade para salvar o judaísmo russo em tempos de grave perigo. E quando a horrível catástrofe do nazismo engoliu o Judaísmo Europeu, foi o Rebe, com seu idealismo sem compromisso e sua absoluta devoção à Torá e à Tradição judaica o escolhido pela Providencia Divina para fazer dos Estados Unidos um porto para a Torá. Rabi Iossef-Itschac Schneerson, o sexto Rebe de Lubavitch, nasceu no dia 12 de Tamuz de 5640 (1880) em Lubavitch, Rússia Branca, e faleceu em 10 de Shevat de 5710 (1950) em Brooklin, Nova Iorque. Em 1927 ele foi detido pelas autoridades soviéticas por causa do seu trabalho incansável para preservar o judaísmo e as instituições da Torá sob o regime soviético. Após um encarceramento doloroso e aterrador na célebre prisão “Shpalerca” em Leningrado, durante dezoito dias e meio, no curso dos quais sua vida estava em jogo, a sentença do prisioneiro foi comutada para deportação para Costroma por um período de três anos. Mas dez dias depois, ele foi liberado. A notícia da sua liberação iminente foi comunicada a ele no dia do seu aniversário e no dia seguinte ele já era um homem livre. A Rabanit Shterna-Sara mãe do Rebe Iossef-Itschac contou um dia a seguinte história: “Já tinham passado muitos anos desde o meu casamento mas eu ainda não tinha sido abençoada por uma progênie sadia. Isso me deprimia um pouco, especialmente por eu ser ainda muito jovem e por estar longe da casa da minha família. No dia de Simchat-Torá do ano de 5640 estávamos para o Quidush com alguns convidados na casa do meu sogro o Rebe de Lubavitch da época, Rabi Shmuel (o MaHaRaSh). No momento culminante da celebração foi feita uma bênção “Mi Sheberach” para aqueles que prometessem contribuir para uma certa causa de Tsedacá (caridade). Tendo terminado com os homens, os “oficiantes” se dirigiram para a sala onde estavam as mulheres e muitas mulheres foram abençoadas com um “Mi Sheberach”. Parece que me esqueceram pois não foi dito nenhum “Mi Sheberach” para mim! Fiquei muito decepcionada porque gostaria de ter sido particularmente abençoada nesta ocasião de bom augúrio. Alguns instantes depois, alguém, aparentemente, percebeu o esquecimento. O oficiante voltou para dizer um Mi Sheberach para mim. Mas senti que não era a mesma coisa, isso estava me parecendo um “remendo”. O Quidush não durou muito. Meu santo sogro voltou para seu quarto e os Chassidim, inclusive meu esposo, se dirigiram à casa do Rabi Shilem Reich, genro do Rabi Baruch Shalom, o filho mais velho do Tsemach Tsedec, para ali prosseguirem a festa. Depois da saída dos Chassidim, me retirei para o meu quarto onde sentei-me, lamentando a minha sorte. Eu estava me sentindo triste por não ter filhos ainda; e me sentia completamente só. Para coroar tudo, o incidente do Mi Sheberach também me irritava. Abaixei a cabeça e comecei a chorar, encostada na mesa. Então adormeci. Nesse momento um venerável Judeu entrou no meu quarto e me perguntou: ‘Porque choras assim, minha filha?’ Abri meu coração para ele e lhe disse o que havia provocado minhas lágrimas. O visitante me disse então: ‘Não chore. Eu lhe prometo para este ano a bênção de um filho. Mas tem duas condições: primeiro, logo depois de Iom-Tov será preciso dar Chai (18) rublos de caridade, do seu dinheiro pessoal; segundo ....’ Não lembro exatamente qual foi a segunda condição, mas acho que tinha algo a ver com o segredo que eu devia guardar sobre a gravidez pelo maior tempo possível. O visitante inesperado deixou então o quarto para voltar pouco depois na companhia de dois outros veneráveis Judeus. Em sua presença, ele me repetiu sua promessa, bem como as condições necessárias; os outros dois deram o seu consentimento. Os três então me abençoaram e foram embora. Acordei com o coração palpitando. Pouco depois o meu marido voltou. Ele estava visivelmente feliz e de bom humor e mal entrou no quarto, fez uma travessura. Falei-lhe imediatamente do meu sonho. Ele ficou muito sério e foi ter com seu pai. Quando voltou, disse que seu pai desejava ver-me imediatamente. Fui falar com meu sogro. Ele me pediu para repetir o sonho com os mínimos detalhes e me questionou depois com respeito à aparência dos três homens que eu tinha visto no meu sonho. Descrevi-os, e ele então explicou: ‘o primeiro era meu pai (o santo Tsemach-Tsedec) e os dois outros: meu avô (o Miteler Rebe) e meu bisavô (o Alter Rebe), bendita seja sua memória. Após Iom Tov, eu deveria me submeter à primeira condição. Mas como juntar os 18 rublos para Tsedacá? Recordei que possuía um vestido novo caro, feito na última moda, que meu sogro não queria me ver usando; portanto ele ficava pendurado num armário. Chamei uma mulher judia influente que era ativa na cidade em obras de caridade e lhe pedi, confidencialmente, para vender meu vestido. Não ficaria bem se corresse a voz que a nora do Rebe de Lubavitch estava vendendo alguma coisa do seu guarda-roupa. O produto dessa venda e de outros objetos pessoais me permitiram reunir os 18 rublos que distribuí em dinheiro para Tsedacá. Neste mesmo ano de 5640 (1880), no dia 12 de Tamuz, meu filho Iossef-Itschac nasceu.” 12-13 TAMUZ O Chaloch declara que todas as festas judaicas, inclusive aquelas de origem rabínica, estão ligadas à porção semanal da Torá em que ocorrem. Entendemos que isso também se aplica à “festa da libertação” de 12 e 13 de Tamuz, que celebra a libertação do Rebe precedente de Lubavitch das prisões soviéticas onde fora encarcerado unicamente por ter se dedicado à propagação do judaísmo. Esta festa está, portanto, ligada à Sidra de Balac, já que acontece na mesma semana. Qual a ligação entre as duas? Nossos sábios nos contam que Balac odiava o povo judeu ao máximo. Consequentemente ele fazia questão de prejudicá-lo de todas as maneiras possíveis até chegar a contratar os serviços do feiticeiro Bilam. Isto também ocorreu no arresto e liberação do Rebe precedente de Lubavitch. Como ele próprio escrevera numa carta, “o seu trabalho religioso era permitido de acordo com as leis da terra”. Ele foi detido por aqueles que procuravam atrapalhar “aqueles que observam as leis de Moisés e de Israel”, embora isso estivesse “em oposição com as leis da terra”.O ódio destas pessoas pelo judaísmo e pelos judeus religiosos era similar ao de Balac, a ponto de estarem prontos a ir contra as leis da natureza, entravando o trabalho sagrado do Rebe precedente. Do mesmo modo que Balac e Bilam falharam nas suas tentativas a ponto de em vez de maldizer os judeus, Bilam acabou por abençoá-los, do mesmo modo o Rebe precedente foi liberado. As pessoas que eram responsáveis pela sua prisão foram forçadas a assistir à sua liberação e até participaram para ajudar o Rebe a deixar o país. Deste modo, o Rebe precedente mereceu este milagre por que seu ser inteiro, bem como suas ações pelo judaísmo estavam totalmente penetradas pelo sacrifício total de si mesmo. Foi especialmente assim já que sua obra para difundir o judaísmo “neste país” precisava do sacrifício de si para cada aspecto da Torá e das Mitsvot. Sua liberação milagrosa podia estar revestida em fatos naturais. Mais que anular as leis da natureza este milagre foi tão elevado que ocorreu naturalmente. D’us tem, em geral, três modos de dirigir o mundo: a) de acordo com as leis da natureza b) com milagres que transcendem e anulam as leis naturais c) com uma revelação divina tal que o milagre está envolto na própria natureza. Com referência a este último ponto, a própria natureza está tão penetrada de espiritualidade que concorda com o milagre e se presta a ele. Assim foi o milagre de Purim. Apesar de envolto pelas leis da natureza, é claro para todos que as causas foram sobrenaturais. Isto também ocorre com o milagre de 12 e 13 de Tamuz, em que as mesmas pessoas que deu a ordem do arresto do Rebe pronunciaram a sua liberação. Nossos Rabanim Chabad nos ensinam que o sacrifício de si é tão elevado que ele transforma a natureza num receptáculo para a divindade. A abnegação constante do Rebe precedente de Lubavitch foi soldada por um milagre cuja fonte era mais alta. O QUE DEVE FAZER AQUELE QUE É “PRESO” PELO DESÂNIMO Contando sobre seu encarceramento, o Rebe (Raiats) disse ter sido invadido pelo desespero ao pensar nos membros da sua família. De repente, uma ideia cruzou a sua mente: “Basta! Tudo vem de D’us. Não tenho direito de ter um pensamento desses. Devo me representar o rosto do meu pai, o Rebe”. Disso podemos deduzir o que deve fazer alguém “preso” pelo desânimo: ele deve se representar o rosto do Rebe. De fato cada um deve fazê-lo, de vez em quando, recordar os propósitos que foram ouvidos dele, saber que o Rebe vai semper ajudar. Não é preciso se preocupar. Discurso do Rebe, Lag Baomer 5710, 1950

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