O ódio de Essav

O ódio eterno de Essav por Iaacov

 

Por Iaacov tinha tirado as bênçãos de Essav, este começou a odiá-lo com um ódio implacável e a procurar vingança.

“Vou fazer um plano para primeiro matar meu pai, depois meu irmão, e depois dominar o mundo”. Esses eram os pensamentos de Essav.

 

Essav pensou assim:

- “Cain matou Evel, seu irmão, antes que seu pai Adão morra. Que besteira da sua parte! Depois que Evel foi eliminado, Adão ainda teve um filho, Set. Eu vou fazer melhor do que ele. Vou esperar a morte do meu pai para matar Iaacov e serei então seu único herdeiro.”

- O Faraó pensou: “Essav esperou a morte de Itschac antes de tentar matar seu irmão. Que besteira da sua parte! Será que ele não pensou que enquanto isso seu irmão ia ter filhos? Sejamos mais inteligentes! Nós vamos jogar todos os meninos recém nascidos no rio!”

- Haman raciocinou: “Que besteira da parte do Faraó! Será que ele não pensou que as filhas casariam e dariam à luz filhos? Eu vou aniquilá-los todos, jovens e velhos, meninos e meninas!”

- No futuro, Gog e Magog dirão: Que besteira da parte de Haman! Será que ele não sabia que eles tem um protetor no céu? Vamos antes vencer aquele que os protege e depois vamos destrui-los!”

Mas Hashem lhes responde a todos: “Vocês que conspiram para o mal! Tenho numerosos mensageiros para aniquilar vossos planos!” Então Hashem sairá para declarar a guerra às nações, e neste dia Hashem será o único Rei sobre a terra!

 

Por mais que Essav detestasse Iaacov, ele ainda não se animava a assassiná-lo abertamente. O tribunal de Shem e Ever condenava qualquer assassino à pena capital.

Essav procurou fazer com que uma terceira pessoa matasse Iaacov. Ele decidiu casar com a filha de Ismael com essa finalidade. Ele queria despertar a cólera do seu novo sogro contra Iaacov recordando-lhe que o irmão mais novo de Ismael lhe havia usurpado o lugar exatamente como Iaacov havia feito com Essav. “Vou acender a cólera de Ismael contra Iaacov, pensou Essav, até que Ismael o mate. Terei então o direito de matar Ismael para vingar o sangue do meu irmão. Tornar-me-ei assim o herdeiro das duas famílias!”

Enquanto Essav ruminava seus planos assassinos, passou pelo Beit Hamidrash de Shem. Shem saiu e interpelou-o: “Rashá! Você está conspirando, e tem projetos sinistros!”

 

Surpreso, Essav perguntou-lhe:

“Como você descobriu meus pensamentos?

-          Hashem os revelou para mim”, replicou Shem.

Essav casou com Machlat, a filha de Ismael, além das mulheres que ele já tinha; mas seu projeto de fazer matar Iaacov por Ismael não se realizou nunca. Ismael morreu no momento do noivado de Essav com sua filha, antes mesmo do casamento.

Rivca soube por profecia os planos perversos que Essav urdia com respeito a Iaacov. Ela pensou que seria conveniente Iaacov abandonar o país por algum tempo. Ela chamou Iaacov e lhe disse:

“Essav o perverso só se consolará quando você morrer. Aos olhos dele você é um homem morto. Se você quer continuar vivo, escuta o que estou dizendo do mesmo modo que você me ouviu para adquirir as bênçãos. Refugia-te na casa da minha família em Padan Aram, na casa de Betuel. Fica lá até que a cólera do teu irmão se alivie. Nesse momento, eu te chamarei de novo!”

Rivca, na sua retidão, pensou que a cólera de Essav acabaria acalmando-se depois de um certo tempo; na verdade Essav não deixou nunca de perseguir Iaacov.

Iaacov respondeu: “Só partirei se meu pai concordar!”

Rivca disse então a Itschac: “Estou desgostosa com as filhas dos Canaanitas. Se Iaacov vier a casar com uma delas, de que serve a vida para mim?”

Itschac concordou com ela. Ele chamou Iaacov de novo ordenando-lhe: “Não case com uma das filhas dos Cannanitas de Aner, Eshcol ou Mamré. É melhor você ir para a família de Avraham e escolher uma mulher de lá.!”

Itschac abençoou Iaacov antes da sua partida. Ele o abençoou abertamente mostrando com isso que a bênção original correspondia efetivamente a Iaacov, embora Itschac não conhecesse, naquele momento, sua verdadeira identidade. Após a segunda bênção, com Itschac absolutamente consciente do seu ato, ninguém mais poderia pretender: “Se Iaacov não tivesse enganado seu pai, ele não teria sido abençoado!”

Rivca, a mãe de Iaacov, também o abençoou dizendo: (Tehilim 91:11) “Que Ele dê aos Seus anjos a tarefa de te protegerem em todos os teus caminhos!”

Iaacov, tendo fugido, Essav não podia mais matá-lo; mas este não renunciou aos seus planos. Sua vontade de prejudicar Iaacov era implacável. Essav comunicou seu ódio contra Iaacov a seu filho Elifaz, que por sua vez o transmitiu, como uma tradição familiar, aos seus descendentes através das gerações: de Essav saíram Amalec, Agag e Haman.

Nossos Sábios resumiram a atitude de Essav com respeito a Iaacov na seguinte afirmação:

“halacha hi beiadua she Essav soné le Iaacov”: é uma halacha (lei da Torá) sabida que Essav odeia Iaacov.

 

Porque nossos Sábios qualificaram o ódio de Essav por Iaacov de halacha?

Eles queriam definir a verdadeira natureza do anti-semitismo. Sabe-se que o anti-semitismo nunca deixou de fazer ressurgir sua face horrorosa ao longo dos milênios. Os judeus foram odiados em todas as épocas e em todos os locais do globo, qualquer que fosse o grau de assimilação e adaptação dos judeus à cultura dominante. Eles foram atormentados pelas nações em todos os países, sem distinção de classe social ou de profissão, sendo eles ricos ou pobres. Qual é a causa profunda para uma situação tão incompreensível?

O ódio dos não judeus pelos judeus não se deixa reduzir a nenhum esquema e a nenhuma teoria científica ou sociológica. Sua origem não pode ser explicada pelos princípios Divinos que estão na Torá.

Rivca soube por profecia que os gêmeos que ela carregava no ventre não poderiam coexistir, e que um deveria se submeter ao outro. Se Iaacov cumprisse seu objetivo na vida, estudando e sendo fiel à Torá, Essav se submeteria a ele. Mas se Iaacov faltasse com seu dever, então a hostilidade latente de Essav explodiria num anti-semitismo ativo, recordando a Iaacov a verdadeira finalidade da sua vida.

O anti-semitismo tem, portanto, o caráter de uma halacha, de um fato inalterável, enraizado no plano Divino do mundo.

Nossa história prova que sempre que o Clal Israel foi leal a Hashem, Essav ficou impotente.

A não adesão à Torá e o anti-semitismo têm, então, uma relação de causa a efeito. Só existe uma maneira eficaz de superar o anti-semitismo: o estudo profundo da Torá.

BS’D