Não doar órgãos

DOAÇÃO DE ÓRGÃOS

A Lei judaica sobre as doações de órgãos e a Lei sobre o enterro judaico, são duas instâncias tão distintas, que nem sequer têm ponto de interferência uma com a outra, ou seja,  o fato de doar órgãos não interfere em nada na maneira de se enterrar um morto:

a)  O fato de doar órgãos, apesar de ser proibido pela Torah, não impede a um judeu de ser enterrado em cemitério judaico.

Um judeu é um judeu. A Torah é uma só. Independente disso, qualquer que seja a vida, as opiniões, o comportamento,os pecados, os méritos, enfim, a conduta durante a vida inteira, nada impede um judeu de ser enterrado em cemitério judaico (judeu, quer dizer uma pessoa filha de mãe judia). Ninguém, senão D-us, pode julgar ou avaliar de que maneira enterrar tal pessoa. Então, é falso anunciar que “porque fulano deu seus órgãos com toda generosidade, ele não merece ser enterrado em cemitério judaico” .

b)  DOAR OS ÓRGÃOS É PROIBIDO PELA TORAH:

Se o fato de DOAR desinteressadamente  é uma prova de bondade e generosidade, doar órgãos não tem nada a ver com isto. Doar os órgãos não tem nada a ver com “boa ação”, “ generosidade”, “ bondade”. Não há como a Torah ( a Bíblia original ) para justamente incentivar O AMOR AO PRÓXIMO. E, nenhum texto sagrado manda um judeu doar seus órgãos, quando falecido, em virtude da “bondade”. É uma ilusão na mente da opinião pública associar doação de órgão a qualquer ato de bondade.

c)  ALGUMAS RAZÕES DA PROIBIÇÃO DE DOAR ÓRGÃOS: vide Sefer Guesher Hachaim (Livro A Fonte da Vida, Rabino CHarlap ):

�Matar um “morto”

Um corpo só é considerado morto quando a alma se retira. A partir deste momento, o corpo esfria e é considerado “morto” . Mas a partir do momento em que o corpo ainda está quente, a alma ainda está dentro do corpo e este não é considerado “morto” . Por conseguinte, tirar os órgãos quando o corpo ainda está quente seria o mesmo que matar um “morto”. Não se mata, portanto, uma pessoa, para salvar outra. Esses mesmos médicos que encorajam a doação de órgãos, aceitariam morrer para salvar outras vidas?

�Corpo emprestado

O ser humano não é dono de seu corpo. O dono é D-us. D-us apenas empresta ao ser humano o corpo. Portanto, o indivíduo não tem o direito de doar o que não é seu; ele tem obrigação de preservar seu corpo intacto e de  devolvê-lo ao Seu legítimo dono, D-us.

�Ressurreição dos mortos

É um dos 13 princípios da crença judaica acreditar na ressurreição dos mortos, e quem não acredita em qualquer um destes princípios nega o judaísmo inteiro, bem como a Existência Divina.  Quando a pessoa se levantar na era da ressurreição dos mortos, ela vai se erguer no mesmo corpo que usou nesse mundo. Aquele que fez distribuição “tão generosa”, espalhando seus órgãos pelos quatro cantos do mundo, de que forma ele vai ressuscitar, coitado? A que preço, que esforços utilizará para reunir todos os órgãos que deu a tantas pessoas? Matando os receptores? Pedindo de volta? “Me dá meu coração, devolve minha vesícula, meu bem...” Isso é bondade? Aquele que deu é tão bom ? Afinal de contas, dar é dar para sempre. Pedir de volta é roubar. Será que esta doação é tão boa? Será a maior confusão e bagunça...a maior (pior) piada...