Moshiah com Teshuvá

Teshuva Agora = Mashiah Agora!!!

1. Definir a Teshuvá



2. Os Dias de Arrependimento

Faz teshuva e vai estudar...

A História de Guedalia

(Um capítulo da história antiga)

1

Nabucodonosor, rei da Babilônia, tinha atingido seu objetivo, pois ele tinha submetido o reino de Juda, destruído sua capital, Jerusalém, assim como o santuário mais sagrado, o Beth-Hamidkdache (Templo). Ele tinha matado ou mandado prender a maioria dos membros da família real e os nobres do país. A aristocracia do povo judeu, inclusive os sacerdotes e os importantes funcionários civis e militares foram detidos e exilados na Babilônia. Muitos deles foram executados impiedosamente em Ribla. Juda tinha sido vencido e chorava a flor de sua juventude.

Entretanto, Nabucodonosor não queria fazer com que o país de Juda se tornasse um deserto. Ele permitia que as classes menos ricas ficassem no país para trabalhar na lavoura e cultivar os vinhedos. Ele tinha nomeado Guedalia, o filho de Ahikam, governador do país de Juda. O profeta Jeremias pôde escolher entre ficar no país de Juda ou ir para a Babilônia como convidado de honra do palácio real da babilônia. Ele preferiu ficar com seus irmãos na Terra Santa. Jeremias se estabeleceu em Mitzpa, não muito distante de Jerusalém. Nesta cidade, em Mitzpa, se encontrava também a residência de Guedalia. O profeta ofereceu para o Governador todo seu apoio que ele aceitou com reconhecimento. Foi assim que Mitzpa se tornou o centro espiritual do povo judeu.

Guedalia era um homem sábio, amável e modesto. Ele fez o melhor que pôde para incentivar o povo a cultivar os campos e os vinhedos, criando assim as fundações de uma segurança relativa para os judeus que estavam no seu país. Sob a inteligente administração de Guedalia, a comunidade judaica se desenvolvia e florescia. O nome desse governador foi logo reconhecido no exterior. Muitos judeus que tinham se salvado em países limítrofes durante a guerra, foram atraídos pelas boas notícias que relatavam o restabelecimento  e o renouveau (renascimento) da comunidade judaica em Juda. Eles se encontravam com Guedalia, em Mitzpa que os acolhia calorosamente. O governador judeu avisava aos seus correligionários que eles deveriam ser leais com a Babilônia prometendo paz e segurança para eles. Seu conselho foi aceito com boa vontade. A guarnição de soldados da Babilônia que se estabelecia no país não fazia mal aos judeus. Pelo contrário, ela os protegia dos inimigos vizinhos. A jovem comunidade judaica estava na boa via: ela  se restabelecia e se desenvolvia novamente até ser subitamente atacada por uma frouxa traição e derramamento de sangue, infelizmente, por causa de um delator judeu invejoso e ávido de poder...

2

Dentre os refugiados judeus que tinham se juntado com Guedalia, em Mitzpa, estava Ismael, filho de Natania, descendente de Zedekia, o último rei de Juda. Ismael era um homem ambicioso que não recuava diante de nada para atingir seu objetivo. Ainda mais, as honras e o sucesso de Guedalia despertaram nele uma inveja sem  limites. Ismael, que começava a conspirar contra Guedalia encontrou como aliado um grande inimigo dos judeus,  o rei de Amom que via com uma apreensão crescente o desenvolvimento da jovem comunidade judaica.

Johanan, filho de Coré, que era um oficial leal do serviço de Guedalia, sentiu que um complô estava sendo armado, e tentou mostrar ao governador o perigo que o ameaçava. Mas, Guedalia, sendo uma pessoa franca e honesta, se recusava em admitir a possibilidade de uma traição como esta, e quando Johanan se ofereceu para matar Ismael antes que este pudesse executar seu plano maléfico, o governador rejeitou a proposta com indignação.

Ismael esperava o momento certo que infelizmente apareceu rapidamente. Pois, no dia do ano novo, ele foi convidado pelo próprio governador, Guedalia, para participar de uma festa em Mitzpa. Ele chegou no banquete acompanhado de dez  dos seus partidários que não demoraram muito para atacar Guedalia com uma espada e a mata-lo. Depois de ter matado seu hospedeiro, eles começaram um massacre horrível que teve como vítimas os homens de confiança de Guedalia assim como a pequena guarnição de soldados caldeus que estava estabelecida em Mitzpa. Depois, os assassinos, levando com eles alguns prisioneiros, deixaram Mitzpa e foram em direção de Amom.

Johanan e alguns de seus corajosos companheiros tinham escapado dessa matança, pois eles não estavam em Mitzpa nesta época. Quando souberam dos dolorosos eventos, Johanan reuniu um pequeno exército que perseguiu o assassino e seus cúmplices, alcançando-os perto de Gibeon, no distrito da tribo de Benjamim. Eles liberaram os prisioneiros, mas Ismael e seu bando conseguiram se salvar atravessando a fronteira do país de Amom.

3

A situação dos judeus era agora penosa. Eles temiam que o assassinato de Guedalia e o aniquilamento da guarnição de soldados da Babilônia despertassem a fúria do rei Nabucodonosor contra os judeus que ficaram em Juda. Eles se perguntavam para onde deveriam ir e eles pensaram que o único lugar de refúgio seria o Egito, lugar onde o rei da Babilônia não tinha ainda posto suas mãos. Portanto eles odiavam esse país e sentiam horror, mesmo que já tivessem passados novecentos anos desde a escravidão de seus antepassados. Mas, o desespero e o medo eram tanto que eles decidiram ir para lá. Eles seguiram seu caminho em direção ao sul e pararam em Beth-Lehem (Belém) para pedir conselho a Jeremias. Este profeta leal, que tinha divido todas suas infelicidades e tinha se revelado um verdadeiro amigo, vivia sempre entre eles. Esses judeus o procuraram então prometendo seguir seus conselhos qualquer que fossem.

Durante dez dias, Jeremias rezou por D´us e finalmente recebeu uma mensagem divina que ele transmitiu imediatamente para o povo:

“Assim fala o Eterno, o D´us de Israel... se vocês quiserem ficar nesse país, eu vos acomodarei e não vos destruirei, eu vos plantarei, não vos arrancarei... Não temam o rei da Babilônia, o qual vocês têm medo... pois eu estou com vocês para vos salvar... Mas se vocês responderem: nós não ficaremos neste país, se vocês não obedecerem a voz do Eterno, e que vocês digam: nós queremos ir para o Egito.... vocês serão atingidos, no Egito, pela espada que vocês temem, e a fome que preocupa vocês, atingirá vocês até no Egito e vocês morrerão... O Eterno declarou para vocês, ó vocês, os restos de Juda: Não vão para o Egito! Fiquem sabendo que eu estou avisando solenemente hoje.”

As palavras do profeta caíram no ouvido de um surdo. Por mais absurdo que pareça, o povo já tinha se resolvido e esperava que Jeremias  somente confirmasse exatamente o contrário de sua profecia! Apesar da promessa solene que eles tinham feito em fazer tudo o que o profeta aconselhava, eles acusaram Jeremias de armar um complô com seu discípulo Baruch, filho de Neria, para entregá-los aos caldeus. Em seguida, eles continuaram o caminho em direção ao Egito, forçando Jeremias e Baruch a acompanhá-los.

Eles pararam na fronteira egípcia e o profeta aproveitou esta ocasião para dizer aos seus compatriotas novamente que a segurança que eles estão procurando no Egito não duraria muito tempo. Ele predisse  a conquista e a destruição do Egito num futuro próximo por Nabucodonosor, e mostrou para eles o perigo ao se envolver com os egípcios, adoradores de falsos deuses. Ele explicou também que se eles voltassem para a idolatria que tinha sido a causa de todas as suas infelicidades no passado, eles teriam grandes problemas (estariam nas mãos do azar).

Infelizmente, as advertências e os pedidos de Jeremias foram em vão. Os refugiados judeus se estabeleceram no Egito e não demoraram em deixar sua fé em favor da idolatria egípcia.

Alguns anos mais tarde, uma revolução começou no Egito durante a qual o faraó Hophra foi assassinado. Nabucodonosor aproveitou esta situação para invadir e destruir o país. A maioria dos refugiados judeus morreu nesta guerra. Foi assim que a triste predição de Jeremias se realizou até os mínimos detalhes.

Não sabemos com exatidão aonde e quando o velho profeta morreu. Achamos que ele e seu fiel discípulo, Baruch tinham passado os últimos anos de sua vida entre seus irmãos exilados na Babilônia.

Em lembrança do assassinato de Guedalia e dos efeitos trágicos que este triste evento teve sobre os judeus desta época, que seguiu a destruição do Templo, nós fazemos jejum no terceiro dia do mês de Tishri. Este dia é chamado de “Jejum de Guedalia”.

teshuva

Yoma, 85 b

Aquele que diz: eu vou cometer um pecado e lamentar depois, não terá a possibilidade de se arrepender.

Aquele que diz: eu vou cometer um pecado, pois eu serei perdoado no dia de Iom Kipur, não terá o perdão no dia de Iom Kipur.

Transgressões com outras pessoas não serão perdoadas no dia de Iom Kipur, a menos que a pessoa ofendida dê o perdão. Foi o que o Rabbi Elazar Ben Azaria quis dizer citando a frase: “Você será purificado de todos os pecados cometidos com  e diante de D´us” (Lévitique 16:30). No dia de Iom Kipur somente nossos pecados com D´us serão perdoados, enquanto que um pecado cometido com outra pessoa não será perdoado enquanto a outra pessoa ofendida não perdoar.

O Rabbi Akiba disse: “Que vocês sejam felizes, Judeus!  Diante de Quem vocês se purificam e Quem vos purifica?“ – “Vosso Pai do céu”.

Leitura da Tora no dia do Jejum de Guedalia

O jejum de Guedalia é um dos quatro dias que tratam da destruição do Beth-Hamikdache. Como nos outros dias de jejum, nós lemos de manhã e de tarde (durante a reza de Mincha) o capítulo Vayehal (Êxodo 32:11-14; 34: 1-10). Três homens são chamados para a leitura deste capítulo. Na tarde, o terceiro, é também o Maftir (Isaie 55:6-56:8).

Este capítulo compreende a reza emocionante pronunciada por Moisés  depois que os filhos de Israel fabricaram o bezerro de ouro. Ela compreende os treze atributos divinos de piedade e de perdão que D´us anunciou nesta  época e que são citadas nas rezas de perdão como as de “Tahanoum”, “Slihot”, etc...

Este capítulo nos transmite a mensagem de que D´us está sempre disposto a perdoar aqueles que lamentam e se arrependem com sinceridade qualquer que seja o erro cometido, pois podemos imaginar um pecado maior que a adoração do bezerro de ouro alguns dias depois da Revelação no Monte Sinai? “Que errar é humano e perdoar é divino, é uma lição que nós encontramos várias vezes na Tora e nos livros dos Profetas. O pecado pode ser perdoado, mas persistir no pecado é um erro imperdoável. Entretanto, o arrependimento sincero, vindo do coração, sempre consegue.”

A mesma idéia é destacada na Haftora que nós lemos de tarde. “Procure o Eterno enquanto for possível, invoque-o enquanto ele estiver perto de você. Que o mau abandone sua má via, e o homem injusto abandone seus pensamentos ruins. Que ele volte para o Eterno, que terá piedade dele, pois Ele perdoa abundantemente.” Mas o profeta continua assim, para que os pecadores não pensem que seus erros sejam irremediáveis e imperdoáveis: “ Meus pensamentos não são seus pensamentos e suas vias não são Minhas vias, disse o Eterno.” D´us é infinito e Seu perdão não tem limite.

Rabbi Saadia e o dono da estalagem

Quando o mês de Elul chegou seguido dos dias de Penitência, o Rabbi Saadia Gaon deixou seus livros do Talmud e seus escritos durante várias horas por dia para se consagrar às rezas e ao arrependimento (Teshuva). Ele rezou com mais fervor do que de costume, com coração partido e com lágrimas nos olhos, como se ele fosse o maior pecador na terra.

Seus discípulos que o conheciam como um homem santo, não compreendiam sua atitude. Finalmente, eles o interrogaram sobre isso e receberam a seguinte resposta:

“Não pensem de jeito nenhum que eu transgredi uma Lei da Tora. Entretanto, eu tenho bons motivos para me arrepender e de pedir o perdão de D´us. Eu aprendi isso com um simples dono de estalagem judeu.

“Um dia, durante minhas viagens, eu parei numa estalagem judaica. O dono não me conhecia e me tratou com a mesma gentileza que todos os outros viajantes que passavam em sua estalagem. Mas isso não durou muito tempo e eu fui reconhecido na cidade. A notícia de minha chegada se espalhou pela comunidade que se reuniu para me desejar boas vindas.”

“Quando o dono da estalagem percebeu quem eu era, ele começou a me exceder de honras e a me servir com humildade, fazendo tudo o que ele podia para ser agradável. No fim, quando eu fui embora, toda a comunidade se reuniu para me dar adeus. O dono da estalagem abriu um caminho no meio da multidão, ele me suplicou e me implorou gritando, com lágrimas nos olhos, que eu o perdoasse. “Mas você fez por mim tudo o que você pôde e ainda mais”, eu disse. Mas  o dono da estalagem replicou: “Eu te imploro, ô rabino, pelos dias que eu não soube quem você era e que eu não te servi tão bem como eu fiz depois que fiquei sabendo diante de quem eu estava.”

“E agora, meus amigos, concluiu o Rabbi Saadia, rios de lágrimas escorriam sobre seu rosto santo, pensem bastante nessa história. Se um homem pode ser tão humilde quando se trata de honrar um ser humano, feito de carne e osso, o quanto, nós, os homens, devemos nos aplicar quando se trata de honrar, amar e servir nosso Criador.”

O quanto mais nos aproximamos de D´us, mais compreendemos Sua grandeza e mais lamentamos nosso modo de agir passado, qualquer que seja o esforço necessário para fazer o bem. Todo dia eu aprendo mais sobre D´us e todo dia eu tenho vergonha da véspera, quando eu sabia menos e quando meu amor e minha dedicação por D´us não eram tão fortes como hoje, e eu sei que amanhã eu terei a mesma impressão que hoje.”

Maimonide sobre a Teshuva

O grande Maimonide, o Rabbi Moshe bem Maimon, talmudista, codificador, filósofo e médico, que vivia no século XII, escreveu um capítulo especial sobre a Teshuva (“Halakhoth Teshuva” – as leis do Arrependimento) que se encontra na sua grande obra - Mishné-Torá).

No capítulo 4, ele enumera vinte e quatro tipos de infração da Lei, que devemos especialmente tentar evitar, pois é muito difícil se arrepender.

A dificuldade está no fato de que estas infrações são, ou muito sérias ou, pelo contrário, podem parecer tão leves àquele que comete, que o pecador poderia pensar que é impossível remedia-las ou então que a penitência não se impõe.

Dentre estes vinte e quatro tipos de pecados, Maimonide nos explica que quatro deles são tão graves que D´us não concede Sua graça ao culpado, enquanto que nos outros casos, Ele ajuda aquele que se arrepende em executar sua boa intenção em voltar para Ele. Esses quatro tipos são os seguintes:

1)  Aquilo que é a causa dos pecados dos outros ou que os impede de fazer uma Mitzva;

2)  Aquele que desvia os outros da Tora;

3)  Aquele que permite que seu filho se afaste da Tora e não lhe educa como deveria. Ou então, aquele que tem a possibilidade de impedir que alguém cometa um pecado, mas não faz.

4)  Aquele que faz o mal dizendo: “Eu peco agora e eu me arrependerei depois” ou “Meus pecados serão perdoados de qualquer jeito no Dia das Expiações” (Iom Kipur).

Os cinco outros pecados são aqueles nos quais os pecadores, por atitude própria e com suas próprias ações, barram a estrada que leva para a Teshuva.

Esses cinco tipos são os seguintes:

5)  Aquele que se exclui da comunidade judaica e não participa nem de sua vida nem de suas instituições. Um homem como este se priva assim dos méritos de toda a comunidade e daqueles que provêm da reza e do arrependimento em comum;

6)  Aquele que nega as palavras de nossos Sábios e menospreza seus santos livros. Ele se priva assim das riquezas espirituais que eles contêm, assim como de sua influência.

7)  Aquele que não leva a sério os Mandamentos Divinos. É pouco provável que ele possa se arrepender de seus pecados.

8)  Aquele que despreza seus professores, pois sem seus conselhos ele não encontrará a via que leva ao arrependimento.

9)  Aquele que não gosta de críticas, pois é muito difícil que o homem atinja a Teshuva sem influência externa.

Segundo Maimonide, as cinco outras transgressões seguintes estão relacionadas à melhora que é uma das mais difíceis ou até mesmo  impossível. Essas transgressões são as seguintes:

10)  Cometer um crime contra a sociedade ou causar um dano a sociedade (como por exemplo, abusar dos fundos públicos), pois é impossível que o culpado seja perdoado por cada indivíduo da sociedade que foi submetido a este crime;

11)  Se beneficiar de um roubo cometido por uma outra pessoa sem conhecer o proprietário do objeto roubado, o que impossibilita a restituição. Ainda mais, aproveitar de uma coisa roubada, é incentivar o ladrão a roubar, o que é um pecado difícil de ser perdoado.

12)  Encontrar um objeto na rua e não devolver imediatamente para a pessoa que perdeu, pois, mais tarde, será certamente impossível encontrar o verdadeiro proprietário e aquele que  encontrou ficará com um objeto que não lhe pertence.

13)  Insultar um pobre que está passando ou um estrangeiro que nunca mais poderá ser encontrado para pedir perdão.

14)  Corromper alguém para que ele faça um falso julgamento ou  dar conscientemente um mau conselho ao próximo. Nesse caso, é difícil calcular a perda  ou o estrago sofrido pela vítima e consertar o mal que fez.

As cinco transgressões seguintes não ocasionarão provavelmente o arrependimento pois elas não são consideradas transgressões;

15)  Aceitar um convite para jantar sem que tenha comida suficiente para aquele que convida e para o convidado. Nesta atitude há um certo roubo (ou, como dizemos em hebreu “uma poeira de roubo”), pois o convite foi forçado. O anfitrião prefere se privar da comida do que ser considerado como alguém que não pode receber. Nesse caso, o convidado não duvida que ele fez algo de mal aceitando o convite.

16)  Usar o penhor dado em garantia de um empréstimo. O credor pode achar que não está fazendo mal pois ele não está causando nenhum dano ou prejuízo ao devedor, mas não temos o direito de usar qualquer coisa sem a permissão do proprietário.

17)  Cometer um pecado mesmo que seja só com os olhos, mesmo que não seja agindo, como por exemplo, olhando sem parar para alguma coisa indecente. Aquele que olha pode achar que não está fazendo nada de mal em apenas olhar, mas na verdade, a Tora proíbe isso, pois está escrito: “Não deixe com que seu coração ou teus olhos te perturbem”.

18)  Receber honras as custas de outra pessoa, sem intenção de diminui-la, por exemplo, colocando-se na mesma altura que alguém superior.

19)  Suspeitar de um inocente sem, todavia acusa-lo abertamente. Até mesmo uma alusão constitui um pecado, qualquer que seja sua opinião sobre essa pessoa.

Finalmente, Maimonide enumera cinco tipos de transgressões que, mesmo sendo leves e cometidas freqüentemente, se tornam um hábito que fica difícil de se livrar.

20)  Fofocar e falar mal são um pecado, mesmo se as fofocas são verdadeiras e contadas sem a intenção de prejudicar.

21)  A maledicência e a calúni são pecados piores que o assassinato, pois eles destroem a boa reputação que vale mais que a vida. Com sua língua, o difamador faz três vítimas: ele próprio, aquele que o escuta e a pessoa difamada.

22)  O colérico. O homem irascível  corre o risco sempre de  cometer o pior e de provocar muitos aborrecimentos a ele próprio e aos outros. Ainda mais, um homem que se enfurece facilmente nega diretamente a Providência Divina e é por este motivo que a fúria é comparada à idolatria.

23)  Maus pensamentos. Os maus pensamentos podem se tornar um hábito nefasto e originar crimes graves.

24)  Ter relações com pessoas ruins pode também se tornar um hábito, prejudicial, o que pode levar a cometer um crime.

O grande Maimonide nos previne particularmente contra essas vinte e quatro transgressões nas quais a Teshuva é difícil ou até mesmo impossível. Mas isto não quer dizer que aquele que cometeu um ou vários desses pecados deve perder as esperanças. Nós só queremos dizer que um homem assim encontrará muitas dificuldades e obstáculos no caminho da penitência. Em compensação, se tal pessoa está determinada, apesar de tudo, a se purificar e a voltar para D´us, nada a impede de tentar consertar o que fez, asseguram os Sábios.

A regra de ouro

Você nunca tentou definir seu caráter? Em caso positivo,

você acha que tem um temperamento muito furioso ou muito calmo, um caráter ruim ou muito extravagante, uma natureza muito alegre ou muito triste, enfim, você encontrou na análise do seu caráter alguma coisa de “muito”?

Estas são algumas reflexões do grande Maimonide sobre o tipo

de caráter que o homem deveria tentar adquirir.

-  O “meio exato” é para nós a melhor via a ser seguida, disse

este grande e célebre mestre, que disse também: Existe entre os homens opiniões tão diferentes e afastadas quanto possíveis umas das outras.

O mesmo acontece com o caráter. Existem os furiosos e aqueles que não se enfurecem nunca, ou quase nunca.

Existem as pessoas orgulhosas, como também pessoas que sofrem de complexo de inferioridade, as pessoas presunçosas e egoístas que só pensam nelas, e aquelas que se esquecem muito de si mesma e não se cuidam.

Encontramos às vezes pessoas ávidas ao ganho, que nunca terão o suficiente para satisfazer seus desejos, enquanto que outras, pelo contrário, não têm tanta ambição, não fazem os esforços necessários para adquirir dinheiro suficiente para garantir suas necessidades.

Uma pessoa mesquinha e avarenta se privará de comer e de beber o maior tempo possível, enquanto que uma pessoa generosa gastará seu dinheiro sem pensar, se ela puder se permitir isso.

Os homens vivem de acordo com as idéias que foram impostas desde seu nascimento ou então de acordo com as idéias que eles receberam durante sua educação, talvez mesmo depois da análise e reflexões, de maneira que eles tenham a convicção de que o modo como eles vivem é justo e bom.

É exatamente aqui que devemos parar e nos perguntar se o caminho que nós seguimos é o certo. Se nós nos encontrarmos num extremo, nós deveremos ir para o outro extremo para chegar no “meio exato”, pois quando somos atraídos de maneira natural para um lado no qual estamos acostumados, nós não estaremos desse jeito no “meio”, onde deveríamos tentar estar.

Você nunca viu um trapezista? Toda vez que ele dá a impressão de se balançar numa direção, ele muda subitamente para a outra, o que lhe permite ficar equilibrado.

Nós devemos agir da mesma maneira com nossos hábitos extremos para atingir o “meio exato”.

Aquelas que se aproximam mais daquilo que elas consideram como sendo seu “ideal”, são pessoas devotas, mas não é difícil conseguir. É por este motivo que aconselhamos seguir “o caminho do meio”, pois dessa maneira, dizem os sábios, nossas ações serão sempre consideradas “sábias”.

Nós somos chamados “para andar nos Seus caminhos” e os Sábios explicam o que isso quer dizer:

-  Ser bom e procurar fazer o bem para os outros, pois o Todo Poderoso é bom.

-  Praticar a  misericórdia, pois D´us é misericordioso.

-  Santificar-nos, pois D´us é santo.

Também, quando nossos profetas descrevem D´us como lento para se irritar, cheio de amor, correto, justo e perfeito, eles nos ensinam ao mesmo tempo que nós devemos nos esforçar para seguir Suas virtudes e “para andar nas Suas vias”.

“Sim, diria você, é fácil dizer, mas difícil realizar.”

Naturalmente, não é fácil, mas não é a facilidade que nos coloca necessariamente na boa via. Pode ser que no início você ache difícil fazer o que é certo, mas uma vez que você entendeu o que são as boas ações e que você tentou executa-las, uma vez, duas vezes, três vezes... você perceberá que essa tarefa se torna cada vez menos difícil depois de cada nova tentativa, até o dia que ela parecerá fácil e se tornará um bom hábito.

D´us diz a respeito de nosso patriarca Abraão (Gênesis 18,19)

“Foi ele quem escolhi para que ele mande seus filhos e sua casa, depois dele, seguirem a via do Eterno, fazendo o que é justo e correto, e que assim o Eterno cumpra, em favor de Abraão, as promessas que Ele lhe fez.”

Nós, os filhos de Abraão, devemos tentar “seguir a via de D´us” para merecer Suas bênçãos.

Avinou Malkeinou

O Rashi (O Rabbi Chlomo Itzhak 4800-4865 depois da Criação) nos conta que a reza “Avinu Malkeinu” no formato atual é uma extensão da reza original mais curta, que foi composta pelo Rabbi Akkiba sobre a qual o Talmud ensina o seguinte:

Durante uma época de seca, o Rabbi Eliezer estava diante dos membros da comunidade e recitou vinte e quatro rezas para chover, mas sem sucesso. Depois, o Rabbi Akkiba avançou e disse a reza “Avinu Malkeinu” que D´us atendeu imediatamente. Quando os Sábios perceberam que a reza “Avinu Malkeinu” era eficiente, eles a completaram e decretaram que ela seria inteiramente parte integrante do ofício dos Dias de Arrependimento.

O Levush (Rabbi Moredekhai Yaffeh, talmudista e Kabalista, nascido em Praga em 5290, e morto em Poznan em 5372) ensina que as partes acrescentadas à reza original se seguem na ordem dos Berakhoth do Chmoneh-Esreh (comida), e é por este motivo que nós dizemos a reza “Avinu Malkeinu” logo depois de Chmoneh-Esreh.

Sabendo que o “Avinu Malkeinu” se parece com Chmoneh-Esreh, nós a recitamos com uma atenção especial, sempre de pé. Pelo mesmo motivo, ela não é dita quando Rosh Hashana cai num Shabat, como é o caso para o Chmoneh-Esre, que nós dizemos nos dias úteis da semana. Um outro motivo pelo qual nós a retiramos das rezas do Shabat é que “Avinu Malkeinu” contém trechos relativos a nossos interesses pessoais que não devem ser recitados no Shabat. (nem durante o ofício de Mincha, no final do Shabat).

Nossos sábios dão a seguinte explicação no que diz respeito aos termos “Avinu Malkeinu” que significam “nosso Pai, nosso Rei”: Um príncipe foi retirado ainda jovem e levado para um país distante. Portanto ele pôde voltar para sua pátria sem vergonha, apesar de sua ausência prolongada, pois ele estava voltando para sua própria herança. Do mesmo modo um judeu pode sempre voltar para a Tora, mesmo se ele ficou afastado durante muitos anos, pois a Tora é sua herança. É por isso que nós rezamos “Faça-nos voltar para Sua Tora”, pois D´us nos fará sempre voltar, se nós quisermos voltar para Ele.

Avinu Malkeinu: nosso Pai, e nosso Rei. Enquanto Pai, Ele nunca nos recusou seu Amor e enquanto Rei, Ele pede nossa obediência e controla nosso destino. Durante os dez dias de Penitência, suas reflexões deveriam fazer com que nós voltássemos para D´us. Nós deveríamos nos colocar aos Seus joelhos, enquanto seus filhos e seus servidores, confessando: “Nós pecamos diante de Ti” e implorando ao mesmo tempo “Tenha piedade de nós”.

O Rabbi Ta´hifa nos ensina: “Tudo o que o homem deve ganhar durante o ano novo é decidido antes, entre Rosh Hashana e Iom Kipur, com exceção das despesas do Shabat e das festas, assim como os gastos necessários com o ensino da Tora para as crianças. Na verdade, essas despesas não são determinadas com antecedência, e quanto mais uma pessoa gasta para essas coisas mais ela recebe, menos ela gasta, menos ela recebe” (T.B. Betzah, 16-a)

O insulto

Contam que um judeu fez um dia a seguinte pergunta a um grande e santo Rabino: “Caro Rabino, por que você tem a aparência de um doente? Você não se sente bem?

“Ah, não”, respondeu o Rabino, “não é este o motivo, e sim porque uma pessoa me deixou muito envergonhado”.

“Como é que isso foi possível? Diga-me quem ousou fazer uma coisa dessas. Diga-me então quem é!”

O Rabino me respondeu que ele não poderia dizer o nome. Mas o judeu insistiu e perguntou;

“Diga-me, caro Rabino, o que você fez com essa pessoa para ela te desagradar?”

- Eu a abracei, essa foi a resposta surpreendente.

O judeu não pôde se conter e perguntou mais uma vez qual era o nome da pessoa que o Rabino tinha abraçado em recompensa de seu insulto.

- Era o Rabbi Eliahou Haconen, autor do livro “Cheveth-Mussar”. Foi ele quem me deixou envergonhado. Eu me interessei muito por seu livro e durante seu estudo eu percebi que eu não tinha nem mesmo começado a servir D´us direito e que eu não era digno de ser o descendente de Abraão, Isaac e Jacob. Eu fiquei confuso e tive vergonha.”

“Eu estudei o preciso livro e entendi a verdade de tudo o que ele tinha escrito, e por reconhecimento e gratidão por ter feito com que eu visse a verdade, eu peguei o livro e o abracei.”