Eu vou tomar conta dele

“Eu vou tomar conta dele ...”

“O senhor é judeu?” perguntaram os dois jovens que acabavam de sair da Ieshivá ao rapaz que lhes abria a porta. Este disse que sim e os convidou para entrarem. Preferiram ficar na porta, não tinham tempo para visitas de cortesia: era Sucot e precisava fazer com que o maior número possível de judeus cumprisse a mitsvá do Lulav.

“O senhor já fez a bênção do Lulav? O Rebe de Lubavitch nos encarregou de fazer judeus do mundo inteiro cumprirem esta Mitsvá”.

O anfitrião sorriu: “Venham, vou explicar-lhes quem é o Rebe de Lubavitch”. Os Chassidim não esperavam uma resposta dessas. O rapaz não tinha a aparência externa de um judeu praticante. O que podia ele lhes ensinar com respeito ao Rebe?

Chegando na sala pararam estupefatos. Havia um grande retrato do Rebe! O anfitrião sorria.

“Eis a minha história. Há algum tempo atrás fiquei muito doente. Por muito tempo estive hospitalizado e os médicos foram constatando que meu estado só piorava a ponto de se esperar o pior: eu já estava em coma.

Depois minha mãe me contou o que aconteceu no hospital. Certa manhã, enquanto ela cochilava na poltrona à minha cabeceira, ela sentiu que eu estava me mexendo e logo constatou que eu levantava a mão. Saiu correndo para chamar os médicos. Efetivamente eu estava voltando à vida! Todos os professores correram para ver o milagre com seus próprios olhos.

Depois de muitos dias de observação pude deixar o hospital sem seqüelas nem remédios, como se nada tivesse acontecido.

Os médicos consideravam isso um milagre inexplicável. Eu só via uma seqüência lógica do meu sonho.”

Os dois Chassidim estavam cada vez mais intrigados. E o rapaz prosseguiu:

“Enquanto estava em coma, sonhei. Estavam me levando a um Tribunal celeste; não recordo todos os detalhes a não ser o fato de haver muita gente. A questão era se precisava me trazer de novo à vida ou não. O processo foi muito curto: a resposta foi não. Na mesma hora eu não entendi muito bem, mas agora estremeço só de pensar o que poderia ter ocorrido se ... se de repente um homem não tivesse se levantado de dentro da assistência, um homem majestoso mas sorridente, com uma barba branca e um olhar inesquecível.

Ele afirmou: “Se o trouxermos de volta à vida, eu vou tomar conta dele!” O juiz consultou primeiro o advogado e logo o procurador e declarou: “Se o Rebe de Lubavitch assume a responsabilidade sobre essa alma, podemos confiar nele!”

Foi nessa hora que acordei...

Alguns meses depois vi num jornal uma propaganda sobre a melhor maneira de se proteger: a Mezuza. E acima do anúncio, tinha o retrato de um rosto que não me era estranho. A princípio tive dificuldade em recordar mas finalmente me dei conta que era essa a pessoa que tinha sido fiadora da minha alma!

Ao lado do retrato havia o número do telefone do secretário do Rebe. Chamei de imediato. Me apresentei e pedi a ele que informasse ao Rebe que eu havia telefonado. Alguns minutos depois ele voltou do outro lado da linha dizendo que o Rebe queria me ver de imediato.

Fui na hora para Nova York e mal cheguei no 770 Eastern Parkway fui levado ao escritório do Rebe.

Era exatamente a pessoa que me havia trazido de volta à vida. Ele me disse:

“É verdade que aceitei ser responsável por sua alma. Mas é preciso que o senhor me ajude. Aceita?”

Claro que aceitei. O Rebe me pediu então para voltar semanalmente e cada vez ele me daria uma certa Mitsvá para cumprir.

É por isso que toda semana vou ao 770. Esta semana o Rebe me disse para cumprir a Mitsvá ... do Lulav!”

Só então os dois jovens entenderam porque, na mesa da sala, havia um magnífico conjunto das “Quatro Espécies”.

Os três, espontaneamente, começaram a dançar de alegria ...