Boa Inspeção

B’SD

Midrash - VAICRÁ

Texto Número 1

Rabi Iehuda Hanassi enviou Rabi Chiyá, Rav Assi e Rabi Ami inspecionarem as cidades de Erets Israel para ver se seus habitantes precisavam ser reforçados na observância e no estudo da Torá.

Durante suas peregrinações, visitaram uma cidade na qual não se encontrava ninguém para ensinar o Chumash ou as Mishnaiot.

“Gostaríamos de falar com os guardiães desta cidade, disseram os sábios. Chamem-nos!”

Os chefes de polícia lhes foram apresentados.

“Não são eles que queremos ver, disseram os sábios. Pedimos para ver os guardiães da cidade. Esses aí não são os seus guardiães, são seus destruidores (porque se ocupam com coisas vãs)!

-  Então quem são seus guardiães?”, lhes perguntaram

Os sábios responderam: “Os verdadeiros guardiães de uma cidade são seus talmidei chachamim, que se consagram ao estudo da Torá e os rabinos que a ensinam às crianças, pequenas e grandes.

Ao fazerem da Torá sua ocupação de noite e de dia, eles protegem os habitantes da cidade tanto de dia quanto de noite.”

Texto Número 2

Hashem disse: “Todo dia saem dois Anjos Destruidores, Af e Chéma, para destruírem o mundo (por cauda dos pecados dos homens). Mas sua ação fica limitada, porque eles encontram talmidei chachamim que se dedicam ao estudo da Tora e crianças judias que proclamam: ‘Shema Israel’ (Otiot dé Rabi Aquiva)

Além da proteção que o estudo da Torá traz à humanidade contra os julgamentos de destruição, é ele que mantém a existência do universo.

Hashem diz: “Se não houvesse o estudo constante da Torá, Eu não manteria as leis naturais do universo.”(Pessachim 88b)

Texto Número 3

Ao estudar a Torá, um judeu responde às esperanças que Hashem havia depositado na criação. Graças ao seu estudo, Hashem pode contemplar o mundo com uma satisfação semelhante à que Ele sentiu quando fez a criação (Nefesh HáChaim).

A partir de então, Ele considera que o universo merece continuar existindo e recebendo Suas bençãos.

De acordo com as palavras dos nossos Sábios, percebe-se de maneira clara que os talmidei chachamim são os benfeitores da humanidade. Seu estudo da Torá protege os homens e assegura a sobrevivência e a prosperidade do mundo.

Cada judeu deve reconhecer em si mesmo que céu e terra foram criados com uma única finalidade: o estudo e o cumprimento da Torá. Tomar consciência disso deveria levá-lo a estudar a Torá.

Mais do que isso, cada um deve entender que o único ganho verdadeiro da existência é o estudo da Torá e a prática das mitsvot.

Uma definição da natureza das mitsvot

Os livros de Bereshit e de Shemot são essencialmente compostos de relatos.

Pelo contrário, o livro de Vaicrá contém um grande número de mitsvot e de halachot.

Embora esse volume faça referência a diferentes razões para as mitsvot, é preciso saber que nenhuma delas revela o significado pleno de uma mitsvá. Nossa observância das mitsvot não se fundamenta na compreensão que podemos ter delas e sim sobre nossa confiança implícita que Hashem, que as ditou, teve boas razões para fazê-lo.

É por isso que Davi proclama: “Todas Tuas mitsvot são emuná/confiança.” (Tehilim, Salmo, 119:86)

O Malbim explica: “O fundamento da prática das mitsvot é a fé nos mandamentos de Hashem e não nas teorias com respeito às suas razões de ser ou à sua justificativa.”

Todas as mitsvot são benéficas para nós.

Isso está implícito nas palavras “asher quideshanu bemitsvotav/ que nos santificou por Suas mitsvot.” Ao cumprir os mandamentos de Hashem, alcançamos a Quedushá, a santidade (Alshich).

Para que o cumprimento de uma mitsvá seja perfeito, várias condições devem ser preenchidas:

a) devemos cumpri-la leshem shamaim, por amor ao Céu

b) devemos respeitar cada detalhe da maneira como o prescreve a halachá

c) devemos realizá-la com alegria.

Se estivéssemos realmente convencidos da grandeza de cada mitsvá, a cumpriríamos com entusiasmo.

Cada mitsvá que fazemos é inscrita num Livro no Céu. Eliahu e Mashiach a inscrevem e Hashem assina embaixo. (Vaicrá Raba 34:9)