Porque não eu

PORQUE NÃO EU?

Quem nunca sonhou em poder recomeçar, poder reviver um tempo passado, e recuperar, voltando atrás sobre um ato que deixou de fazer? Quem nunca desejou, um dia ou outro da sua vida, ter a possibilidade de cumprir o que não pôde quando a ocasião se deu?

No ano seguinte da saída do Egito, D'us ordenou ao Povo Judeu celebrar Pessach (a Páscoa judia) no deserto. A festa de Pessach se caracterizava pela oferenda de um sacrifício do qual aqueles que estavam ritualmente impuros não podiam participar. Entretanto houve alguns que se queixaram por terem se tornado ritualmente impuros, não estando assim aptos para se purificarem a tempo e para oferecerem o seu sacrifício Pascal. Em vez de renunciar a esta cerimonia, perdendo assim a ligação com D'us, imploraram a Moshé: "PORQUE DEVERÍAMOS SER PRIVADOS de oferecer o sacrifício de Pessach?" Obtiveram ganho de causa: D'us aceitou o pedido e ordenou a Moshé que se prescrevesse um segundo Pessach, no mês seguinte, para aqueles que tinham faltado ao encontro e perdido a oportunidade de se ligar com o Eterno. D'us disse a Moshé que eles teriam uma SEGUNDA CHANCE de oferecer seu sacrifício (um mês após o dia 14 de Nissan, dia em que o sacrifício Pascal é normalmente trazido).

Esta resposta merece que nós detenhamos nela. Vemos que NADA NUNCA ESTÁ PERDIDO. D'us nos da sempre uma outra chance. É claro que a época em que vivemos está bem distante daqueles tempos e que nossas preocupações cotidianas são bem diferentes daquelas dos nossos ancestrais. Este ano o segundo Pessach retornou (30/04/99); e evidentemente não foi acompanhado de nenhuma oferenda de sacrifício, embora alguns ainda têm o costume de celebrar o dia comendo Matsá. Mas esse segundo Pessach marca o encontro com essa grande idéia: HÁ SEMPRE UMA SEGUNDA CHANCE. E devemos desde já agarrá-la. É um pouco o nosso destino que atua assim. Sendo homens livres, sabemos fazer as escolhas necessárias.