O herói

BS’D

IEHUDÁ E TAMAR

Quando os filhos de Iaacov realizaram que seu pai não aceitaria ser consolado pela perda de Iossef, disseram: “Foi inteiramente o erro de Iehudá! Nós respeitamos os seus conselhos, e é por isso que não matamos Iossef quando ele se opôs a esta idéia. Se Iehudá tivesse dito: ‘Não o vendam’, nós não teríamos vendido.” Consequentemente, os irmãos mandaram Iehudá embora e ele seguiu seu próprio caminho.

Iehudá tomou por esposa a filha de um mercador que tinha se instalado na vizinhança. A mulher de Iehudá lhe deu três filhos, Er, Onan e Shela.

Os filhos de Iehudá podiam ter se tornado os ancestrais dos reis, já que Iehudá era da Tribo real, mais decidiram de maneira diferente. O primogênito, Er, casou com a virtuosa Tamar, a filha de Shem, filho de Noach. Ela era tão bela quanto reservada.

Er temia que uma gravidez lhe fizesse perder sua beleza. Pecou deturpando o objetivo do casamento. Hashem o castigou com a morte. Era também uma punição para Iehudá. Hashem disse: “Quando você mostrou a roupa de Iossef suja de sangue ao teu pai, você não tomou em consideração o sofrimento que um pai sente quando perde um filho. Eu juro a você que você perderá tua mulher e enterrará teus filhos e que você vai viver também a tragédia da perda dos filhos!”

Iehudá disse ao seu segundo filho, Onan: “Casa com a mulher do teu finado irmão e cumpre a mitsvá de ibum. Hashem ordenou a Adam não servir ídolos. Ele determinou a Noach que não comesse a carne de um animal vivo. Ele mandou que Avraham se circuncidasse. Ele comandou a Iaacov não consumir guid hanashé. A mim, Ele ordenou a mitsvá de ibum: se um homem morre sem filhos, seu irmão ou seu parente mais próximo deverá se casar com sua viúva. A criança que vai nascer dessa união será chamada de acordo com o falecido.” Onan aceitou casar com Tamar mas pecou como seu irmão desperdiçando sua semente. Ele foi então castigado por Hashem e também morreu.

Iehudá temeu dar seu terceiro filho a Tamar já que a morte dos seus dois primeiros maridos era de mau augúrio. Ele pensou que fosse uma mulher que podia provocar a morte dos seus maridos. Ele adiou o casamento de Shela, dissuadindo Tamar com as seguintes palavras: “Fica em casa até que Shela cresça!”

Mesmo depois que Shela cresceu, Iehudá não o deu a Tamar.

Durante este período, a esposa de Iehudá morreu. Seus irmãos vieram confortá-lo. Quando o período de luto terminou, Iehudá partiu para supervisar a tosquia das ovelhas.

Tamar queria carregar os filhos da santa tribo de Iehudá, porque sabia profeticamente que grandes homens descenderiam de uma união entre ela e Iehudá. Ela era uma tsadequet e agiu com sabedoria. Motivada por intenções que eram lechem chamaim, (em nome de D'us), ele recorreu a um estratagema para enganar Iehudá.

Ela vestiu um véu e sentiu numa encruzilhada perto do local onde habitava Avraham, porque sabia que todos os que passavam se detinham para visitar este local. Tamar levantou os olhos para Hashem e orou: “Tu sabes que estou agindo em Teu Nome. Não me deixe abandonar o tsadic Iehudá de mãos vazias.”

Quando Iehudá chegou na encruzilhada, percebeu uma mulher que parecia ser de vida fácil, mas passou por ali sem se deter, porque era um tsadic de estatura que não podia se rebaixar para casar com uma prostituta.

Contra a vontade de Iehudá, entretanto, um anjo de Hashem o conduziu para ela. Hashem disse: “De que união reis poderão sair se não é dessa? De que outra união nobres poderiam sair?”

Iehudá não reconheceu Tamar, já que ela havia sempre usado um véu no rosto de maneira pudica, em sua casa. É por essa qualidade de pudor que Hashem a escolheu para ser ancestral da família real de Clal Israel (povo judeu).

Iehudá perguntou-lhe: “Você é uma não judia?

-  Não, me tornei judia, respondeu ela.

-  Você é casada?

-  Não.

-  Talvez teu pai tenha destinado você a outro homem?

-  Não, sou órfã.”

Ela lhe perguntou: “O que me darás para vir a mim?

- Eu mandarei a você uma cabra nova do rebanho.”

Iehudá tinha enganado o pai com uma cabra nova quando lhe mostrou a roupa de Iossef molhada de sangue de uma cabra. Hashem disse: “Eu juro que você também será enganado por uma cabra jovem!”

“E até lá, será que você poderia me dar uma garantia?, pediu Tamar.

-  Que garantia poderia dar-te? Interrogou Iehudá.

-  Me da o teu anel, o teu manto e o teu bastão que está na tua mão, Com teu anel, casa comigo como é preciso!”

Iehudá realizou a cerimonia do casamento na presença de duas testemunhas, os dois homens que o acompanhavam.

Todas as palavras de Tamar continham alusões proféticas. Com as palavras “teu anel” ela profetizou que reis e nobres seriam seus descendentes. “Teu manto” continha uma alusão aos membros do  Sanhedrin (Tribunal Supremo) que vestem constantemente taletim e tefilin e que seriam também seus descendentes. “Teu bastão” se refere a Mashiach, que deve nascer da tribo de Iehudá, do qual está dito: (Ichaïa 11:1): “E sairá uma vara do tronco de Ishai.”

Quando Iehudá voltou para casa, mandou a cabra que tinha prometido à mulher mas ela não foi encontrada em lugar algum.

Três meses depois, foi anunciado a Iehudá: “Tua nora está grávida por prostituição. E mais do que isso, ele está orgulhosa disso e está se gabando: “Estou carregando reis! Estou levando salvadores!”

Iehudá convocou um Beit din (tribunal rabínico) para julgar e punir seu ato. Os juizes eram Itschac, Iaacov e Iehudá e eles decidiram que Tamar devia ser queimada.

Ela esta condenada a morrer pelo fogo por era a filha de um cohen (sacerdote), que, de acordo com a lei da Torá, está condenada a ser queimada por imoralidade. (Vaicrá 21:9) Seu ato constituía um ato imoral equivalente a um cometido por uma mulher casada, já que ela estava destinada por ibum a um outro homem.

Tamar poderia ter tornado público o fato de estar grávida de Iehudá, mas se conteve de agir assim, dizendo: “prefiro enfrentar a morte que envergonhá-lo em público.”

É melhor deixar-se jogar numa fornalha que envergonhar alguém em público.

Quando ela foi trazida para ser queimada, ela quis mandar a Iehudá um mensageiro com os objetos que ele tinha lhe dado como garantia. Mas quando procurou o anel, o bastão e o manto não pode encontrá-los.

O anjo Samael os havia escondido para impedir o nascimento de Davi (descendente de Tamar) que ia golpear Edom.

Tamar levantou os olhos para o Céu e exclamou: “Eu Te suplico, tenha piedade de mim, Hashem! Responde-me neste momento de aflição e aclara meus olhos para que eu possa reencontrar os objetos da garantia!”

Hashem ordenou ao anjo Michael que procurasse o penhor e Tamar o descobriu. Ela entregou tudo a um mensageiro e lhe ordenou que dissesse aos juizes: “Estou grávida do homem a quem isso pertence. Não divulgarei o seu nome, mesmo se me queimarem, Por favor, reconheçam a quem pertencem!”

A súplica por trás dessas palavras se dirigia a Iehudá. “Eu rogo que mostres o teu reconhecimento ao Criador e não nos destrua, a mim e às crianças que levo na barriga!”

A mesma expressão que ele havia utilizado com respeito ao seu pai foi assim devolvida a Iehudá. Agora Tamar lhe dizia: “Reconheça a quem isso pertence!”

Quando Iehudá viu o penhor, ficou envergonhado e foi tentado a negar que era dele. Mas ele ganhou a batalha com seu ietser hará (instinto do mal), e pensou: “prefiro ter vergonha neste mundo que ter vergonha diante dos meus ancestrais virtuosos no olam haba!(mundo vindouro)”

Ele então admitiu: “Ela tem razão. Eu sou culpado por não tê-la deixado casar com Shela. É de mim que ela está grávida.” Saiu uma voz celestial que proclamou: “É por Mim que estes acontecimentos foram assim dirigidos. Ela será ancestral de reis e profetas! Eu juro, Iehudá, que da mesma maneira que você salvou do fogo a Tamar e às duas crianças que ela está carregando no ventre, assim também Eu salvarei três dos teus descendentes, Chanania, Michael e Azaria, da fornalha!”

O nome de Iehudá contem todas as letras do nome de Hashem (Iud-qué-vav-qué), porque Iehudá cumpriu um quidush hashem (santificação de D’us) ao proclamar a verdade em público.

Tamar teve gêmeos. No momento de nascer, um deles estendeu sua mão e a parteira colocou imediatamente um fio vermelho brilhante no punho para identificá-lo como sendo o primogênito. Mas ele retirou sua mão e o segundo menino saiu primeiro. Ela o chamou Perets, que quer dizer: “aquele que surgiu”. O irmão que nasceu depois dele foi denominado Zerach por causa do fio vermelho brilhante atado no seu punho.

Vemos que a Torá interrompeu o relato da história de Iossef para inserir o episódio referente a Iehudá e Tamar.

Porque, no meio do relato da vida de Iossef, nos falam do casamento de Iehudá e de Tamar?

Várias respostas permitem esclarecer este problema.

Ao inserir este episódio, a Torá nos da um apanhado da maravilhosa maneira pela qual Hashem guia a história. As pessoas têm a tendência de se ocupar com os próprios problemas, e pensam que estão dirigindo o curso dos acontecimentos humanos. Na realidade é Hashem que guia a história, lá de Cima, dirigindo o desenrolar de todos os acontecimentos com as finalidades que Ele deseja.

-  As tribos estavam ocupadas vendendo Iossef

-  Iossef estava mergulhado em sombrios pensamentos com respeito à separação do seu pai

-  Reuven estava comprometido no arrependimento, por causa do seu erro

-  Iaacov chorava Iossef

-  Iehudá se casava

-  E, enquanto todos esses fatos ocorriam, Hashem estava preparando a LUZ DE MASHIACH!

Foi a venda de Iossef que precipitou finalmente o exílio egípcio. Antes desse primeiro exílio, Hashem queria já fincar o marco da redenção final, trazendo à vida o ancestral de Mashiach. D’us provocou a união de Iehudá e Tamar para que nasça Peretz, ancestral da dinastia de Davi, e finalmente de Mashiach.