Avinu Malkenu

Avinou Malkeinou

O Rashi (O Rabbi Chlomo Itzhak 4800-4865 depois da Criação) nos conta que a reza “Avinu Malkeinu” no formato atual é uma extensão da reza original mais curta, que foi composta pelo Rabbi Akkiba sobre a qual o Talmud ensina o seguinte:

Durante uma época de seca, o Rabbi Eliezer estava diante dos membros da comunidade e recitou vinte e quatro rezas para chover, mas sem sucesso. Depois, o Rabbi Akkiba avançou e disse a reza “Avinu Malkeinu” que D´us atendeu imediatamente. Quando os Sábios perceberam que a reza “Avinu Malkeinu” era eficiente, eles a completaram e decretaram que ela seria inteiramente parte integrante do ofício dos Dias de Arrependimento.

O Levush (Rabbi Moredekhai Yaffeh, talmudista e Kabalista, nascido em Praga em 5290, e morto em Poznan em 5372) ensina que as partes acrescentadas à reza original se seguem na ordem dos Berakhoth do Chmoneh-Esreh (comida), e é por este motivo que nós dizemos a reza “Avinu Malkeinu” logo depois de Chmoneh-Esreh.

Sabendo que o “Avinu Malkeinu” se parece com Chmoneh-Esreh, nós a recitamos com uma atenção especial, sempre de pé. Pelo mesmo motivo, ela não é dita quando Rosh Hashana cai num Shabat, como é o caso para o Chmoneh-Esre, que nós dizemos nos dias úteis da semana. Um outro motivo pelo qual nós a retiramos das rezas do Shabat é que “Avinu Malkeinu” contém trechos relativos a nossos interesses pessoais que não devem ser recitados no Shabat. (nem durante o ofício de Mincha, no final do Shabat).

Nossos sábios dão a seguinte explicação no que diz respeito aos termos “Avinu Malkeinu” que significam “nosso Pai, nosso Rei”: Um príncipe foi retirado ainda jovem e levado para um país distante. Portanto ele pôde voltar para sua pátria sem vergonha, apesar de sua ausência prolongada, pois ele estava voltando para sua própria herança. Do mesmo modo um judeu pode sempre voltar para a Tora, mesmo se ele ficou afastado durante muitos anos, pois a Tora é sua herança. É por isso que nós rezamos “Faça-nos voltar para Sua Tora”, pois D´us nos fará sempre voltar, se nós quisermos voltar para Ele.

Avinu Malkeinu: nosso Pai, e nosso Rei. Enquanto Pai, Ele nunca nos recusou seu Amor e enquanto Rei, Ele pede nossa obediência e controla nosso destino. Durante os dez dias de Penitência, suas reflexões deveriam fazer com que nós voltássemos para D´us. Nós deveríamos nos colocar aos Seus joelhos, enquanto seus filhos e seus servidores, confessando: “Nós pecamos diante de Ti” e implorando ao mesmo tempo “Tenha piedade de nós”.

O Rabbi Ta´hifa nos ensina: “Tudo o que o homem deve ganhar durante o ano novo é decidido antes, entre Rosh Hashana e Iom Kipur, com exceção das despesas do Shabat e das festas, assim como os gastos necessários com o ensino da Tora para as crianças. Na verdade, essas despesas não são determinadas com antecedência, e quanto mais uma pessoa gasta para essas coisas mais ela recebe, menos ela gasta, menos ela recebe” (T.B. Betzah, 16-a)

O insulto

Contam que um judeu fez um dia a seguinte pergunta a um grande e santo Rabino: “Caro Rabino, por que você tem a aparência de um doente? Você não se sente bem?

“Ah, não”, respondeu o Rabino, “não é este o motivo, e sim porque uma pessoa me deixou muito envergonhado”.

“Como é que isso foi possível? Diga-me quem ousou fazer uma coisa dessas. Diga-me então quem é!”

O Rabino me respondeu que ele não poderia dizer o nome. Mas o judeu insistiu e perguntou;

“Diga-me, caro Rabino, o que você fez com essa pessoa para ela te desagradar?”

- Eu a abracei, essa foi a resposta surpreendente.

O judeu não pôde se conter e perguntou mais uma vez qual era o nome da pessoa que o Rabino tinha abraçado em recompensa de seu insulto.

- Era o Rabbi Eliahou Haconen, autor do livro “Cheveth-Mussar”. Foi ele quem me deixou envergonhado. Eu me interessei muito por seu livro e durante seu estudo eu percebi que eu não tinha nem mesmo começado a servir D´us direito e que eu não era digno de ser o descendente de Abraão, Isaac e Jacob. Eu fiquei confuso e tive vergonha.”

“Eu estudei o preciso livro e entendi a verdade de tudo o que ele tinha escrito, e por reconhecimento e gratidão por ter feito com que eu visse a verdade, eu peguei o livro e o abracei.”