A regra de ouro

A Regra de Ouro

Você nunca tentou definir seu caráter? Em caso positivo,

você acha que tem um temperamento muito furioso ou muito calmo, um caráter ruim ou muito extravagante, uma natureza muito alegre ou muito triste, enfim, você encontrou na análise do seu caráter alguma coisa de “muito”?

Estas são algumas reflexões do grande Maimonide sobre o tipo

de caráter que o homem deveria tentar adquirir.

-  O “meio exato” é para nós a melhor via a ser seguida, disse

este grande e célebre mestre, que disse também: Existe entre os homens opiniões tão diferentes e afastadas quanto possíveis umas das outras.

O mesmo acontece com o caráter. Existem os furiosos e aqueles que não se enfurecem nunca, ou quase nunca.

Existem as pessoas orgulhosas, como também pessoas que sofrem de complexo de inferioridade, as pessoas presunçosas e egoístas que só pensam nelas, e aquelas que se esquecem muito de si mesma e não se cuidam.

Encontramos às vezes pessoas ávidas ao ganho, que nunca terão o suficiente para satisfazer seus desejos, enquanto que outras, pelo contrário, não têm tanta ambição, não fazem os esforços necessários para adquirir dinheiro suficiente para garantir suas necessidades.

Uma pessoa mesquinha e avarenta se privará de comer e de beber o maior tempo possível, enquanto que uma pessoa generosa gastará seu dinheiro sem pensar, se ela puder se permitir isso.

Os homens vivem de acordo com as idéias que foram impostas desde seu nascimento ou então de acordo com as idéias que eles receberam durante sua educação, talvez mesmo depois da análise e reflexões, de maneira que eles tenham a convicção de que o modo como eles vivem é justo e bom.

É exatamente aqui que devemos parar e nos perguntar se o caminho que nós seguimos é o certo. Se nós nos encontrarmos num extremo, nós deveremos ir para o outro extremo para chegar no “meio exato”, pois quando somos atraídos de maneira natural para um lado no qual estamos acostumados, nós não estaremos desse jeito no “meio”, onde deveríamos tentar estar.

Você nunca viu um trapezista? Toda vez que ele dá a impressão de se balançar numa direção, ele muda subitamente para a outra, o que lhe permite ficar equilibrado.

Nós devemos agir da mesma maneira com nossos hábitos extremos para atingir o “meio exato”.

Aquelas que se aproximam mais daquilo que elas consideram como sendo seu “ideal”, são pessoas devotas, mas não é difícil conseguir. É por este motivo que aconselhamos seguir “o caminho do meio”, pois dessa maneira, dizem os sábios, nossas ações serão sempre consideradas “sábias”.

Nós somos chamados “para andar nos Seus caminhos” e os Sábios explicam o que isso quer dizer:

-  Ser bom e procurar fazer o bem para os outros, pois o Todo Poderoso é bom.

-  Praticar a  misericórdia, pois D´us é misericordioso.

-  Santificar-nos, pois D´us é santo.

Também, quando nossos profetas descrevem D´us como lento para se irritar, cheio de amor, correto, justo e perfeito, eles nos ensinam ao mesmo tempo que nós devemos nos esforçar para seguir Suas virtudes e “para andar nas Suas vias”.

“Sim, diria você, é fácil dizer, mas difícil realizar.”

Naturalmente, não é fácil, mas não é a facilidade que nos coloca necessariamente na boa via. Pode ser que no início você ache difícil fazer o que é certo, mas uma vez que você entendeu o que são as boas ações e que você tentou executa-las, uma vez, duas vezes, três vezes... você perceberá que essa tarefa se torna cada vez menos difícil depois de cada nova tentativa, até o dia que ela parecerá fácil e se tornará um bom hábito.

D´us diz a respeito de nosso patriarca Abraão (Gênesis 18,19)

“Foi ele quem escolhi para que ele mande seus filhos e sua casa, depois dele, seguirem a via do Eterno, fazendo o que é justo e correto, e que assim o Eterno cumpra, em favor de Abraão, as promessas que Ele lhe fez.”

Nós, os filhos de Abraão, devemos tentar “seguir a via de D´us” para merecer Suas bênçãos.

Avinou Malkeinou

O Rashi (O Rabbi Chlomo Itzhak 4800-4865 depois da Criação) nos conta que a reza “Avinu Malkeinu” no formato atual é uma extensão da reza original mais curta, que foi composta pelo Rabbi Akkiba sobre a qual o Talmud ensina o seguinte:

Durante uma época de seca, o Rabbi Eliezer estava diante dos membros da comunidade e recitou vinte e quatro rezas para chover, mas sem sucesso. Depois, o Rabbi Akkiba avançou e disse a reza “Avinu Malkeinu” que D´us atendeu imediatamente. Quando os Sábios perceberam que a reza “Avinu Malkeinu” era eficiente, eles a completaram e decretaram que ela seria inteiramente parte integrante do ofício dos Dias de Arrependimento.

O Levush (Rabbi Moredekhai Yaffeh, talmudista e Kabalista, nascido em Praga em 5290, e morto em Poznan em 5372) ensina que as partes acrescentadas à reza original se seguem na ordem dos Berakhoth do Chmoneh-Esreh (comida), e é por este motivo que nós dizemos a reza “Avinu Malkeinu” logo depois de Chmoneh-Esreh.

Sabendo que o “Avinu Malkeinu” se parece com Chmoneh-Esreh, nós a recitamos com uma atenção especial, sempre de pé. Pelo mesmo motivo, ela não é dita quando Rosh Hashana cai num Shabat, como é o caso para o Chmoneh-Esre, que nós dizemos nos dias úteis da semana. Um outro motivo pelo qual nós a retiramos das rezas do Shabat é que “Avinu Malkeinu” contém trechos relativos a nossos interesses pessoais que não devem ser recitados no Shabat. (nem durante o ofício de Mincha, no final do Shabat).

Nossos sábios dão a seguinte explicação no que diz respeito aos termos “Avinu Malkeinu” que significam “nosso Pai, nosso Rei”: Um príncipe foi retirado ainda jovem e levado para um país distante. Portanto ele pôde voltar para sua pátria sem vergonha, apesar de sua ausência prolongada, pois ele estava voltando para sua própria herança. Do mesmo modo um judeu pode sempre voltar para a Tora, mesmo se ele ficou afastado durante muitos anos, pois a Tora é sua herança. É por isso que nós rezamos “Faça-nos voltar para Sua Tora”, pois D´us nos fará sempre voltar, se nós quisermos voltar para Ele.

Avinu Malkeinu: nosso Pai, e nosso Rei. Enquanto Pai, Ele nunca nos recusou seu Amor e enquanto Rei, Ele pede nossa obediência e controla nosso destino. Durante os dez dias de Penitência, suas reflexões deveriam fazer com que nós voltássemos para D´us. Nós deveríamos nos colocar aos Seus joelhos, enquanto seus filhos e seus servidores, confessando: “Nós pecamos diante de Ti” e implorando ao mesmo tempo “Tenha piedade de nós”.

O Rabbi Ta´hifa nos ensina: “Tudo o que o homem deve ganhar durante o ano novo é decidido antes, entre Rosh Hashana e Iom Kipur, com exceção das despesas do Shabat e das festas, assim como os gastos necessários com o ensino da Tora para as crianças. Na verdade, essas despesas não são determinadas com antecedência, e quanto mais uma pessoa gasta para essas coisas mais ela recebe, menos ela gasta, menos ela recebe” (T.B. Betzah, 16-a)

O insulto

Contam que um judeu fez um dia a seguinte pergunta a um grande e santo Rabino: “Caro Rabino, por que você tem a aparência de um doente? Você não se sente bem?

“Ah, não”, respondeu o Rabino, “não é este o motivo, e sim porque uma pessoa me deixou muito envergonhado”.

“Como é que isso foi possível? Diga-me quem ousou fazer uma coisa dessas. Diga-me então quem é!”

O Rabino me respondeu que ele não poderia dizer o nome. Mas o judeu insistiu e perguntou;

“Diga-me, caro Rabino, o que você fez com essa pessoa para ela te desagradar?”

- Eu a abracei, essa foi a resposta surpreendente.

O judeu não pôde se conter e perguntou mais uma vez qual era o nome da pessoa que o Rabino tinha abraçado em recompensa de seu insulto.

- Era o Rabbi Eliahou Haconen, autor do livro “Cheveth-Mussar”. Foi ele quem me deixou envergonhado. Eu me interessei muito por seu livro e durante seu estudo eu percebi que eu não tinha nem mesmo começado a servir D´us direito e que eu não era digno de ser o descendente de Abraão, Isaac e Jacob. Eu fiquei confuso e tive vergonha.”

“Eu estudei o preciso livro e entendi a verdade de tudo o que ele tinha escrito, e por reconhecimento e gratidão por ter feito com que eu visse a verdade, eu peguei o livro e o abracei.”