A melhor educação para seu filho

Uma regra de ouro da educação


Educar a criança segundo sua via

“A educação das crianças pequenas na escola acontece da seguinte maneira: o pai leva seu filho para a escola. Ele deseja que seu filho se acostume a ir para que depois ele comece a ir por iniciativa própria. Ele dará presentes então que seu filho goste, nozes ou dinheiro, demonstrará afeto e proximidade, muito mais do que o normal. È assim que a criança se acostumará a ir para a escola. O pai deverá agir assim durante alguns dias. Depois, a criança irá para a escola sozinha, sem presentes, sem demonstração especial de afeto. É o sentido do versículo: “eduque a criança segundo sua via...” (ou seja, conforme a natureza, as capacidades, o caráter e o temperamento da criança). Na verdade, a criança é muito pequena para compreender a importância do estudo da Torá. Os presentes reforçam essa importância e permitem que ela continue estudando. Sem presentes, ela não conseguiria”. (Admur Haemtsahi, Shaarei Ora).


Uma educação personalizada

Os pais devem se esforçar para conhecer bem seus filhos e suas características específicas. Cada criança é única.

Se os pais não têm consciência e acham que seu filho tem capacidades que ele na verdade não possui, todos os esforços para educá-lo serão inúteis porque não eram adequados à criança.

“Eduque a criança conforme sua natureza, mesmo quando ela crescer ela não se desviará”  (Provérbios 22,6)

Para educar uma criança, devemos analisar a natureza específica dessa criança e suas predisposições naturais, e não tentar modificá-las.

Uma plantação de bananeiras não exige o mesmo tipo de cuidados que um pomar. Se plantarmos uma bananeira e uma macieira e cuidarmos da mesma maneira, uma das duas (pelo menos) não se desenvolverá bem, e de repente até as duas. O mesmo acontece com as crianças.

O Gaon de Vilna comenta o versículo dos Provérbios nos seguintes termos:

“Eduque a criança de acordo com sua natureza, enquanto ela ainda for uma criança, pois assim, mesmo quando ela crescer ela não se desviará. A verdade é que o homem não pode quebrar sua natureza, ou seja, seu inato”

O Gaon de Vilna explica que existem nas pessoas traços de caráter impossíveis de serem mudados. Em seguida, o Gaon de Vilna cita um trecho da Guemara (Shabat 156, a) e continua seu comentário assim: “O livre arbítrio é concedido ao homem no sentido que ele pode orientar sua natureza segundo sua vontade e escolher ser um homem justo, um homem “intermediário” ou então um ímpio (mau). Como está escrito no tratado de Shabat, a respeito de um homem que tem tendência a derramar sangue, segundo Rav Achi, ele se tornará “sanguinolento” (fará sangrias), ou bandido, ou Shohet (abatedor ritual) ou Mohel (aquele que pratica as circuncisões). O Gaon explica em seguida que os exemplos citados aqui não são fortuitos. Se ele é um Tsadik (se é um justo), ele explorará sua atração pelo sangue sendo Mohel, para cumprir a vontade de D’us (as Mitsvot). Se ele é um Beinoni, “intermediário”, ele será Shochet (abatedor ritual), é uma profissão também que derrama sangue, certamente não é uma Mitsva como a Brit Mila (circuncisão), mas é também útil para quem quer comer carne. É a característica “Mida  do Beinoni”, o nível do homem “intermediário”. Mas se ele for Rasha, ímpio, D´us nos livre, ele usará sua atração pelo sangue para cometer assassinatos.

Assim, um homem que nasceu com uma atração marcada por sangue pode usar essa tendência em cada uma das áreas citadas, sua escolha dependerá de seu nível espiritual! Mas nós não podemos transformar um homem sanguinolento numa pessoa totalmente dedicada aos estudos!

Por exemplo: se uma criança pequena tem uma tendência natural a se agitar constantemente e não consegue ficar parada, não podemos fazer ela ficar sentada estudando doze horas por dia. E se tentarmos forçá-la para isso, estaremos prejudicando-a, e ela corre o risco de ficar perdida para sempre.

A criança acabará fazendo o que ela quiser e se afastará completamente das esperanças que seus pais tinham alimentado para ela.

E o Gaon de Vilna disse ainda as seguintes palavras:

“Está escrito a respeito do rei David que ele era “Admoni” (ruivo) e tinha belos olhos”, ele viu que ele tinha nascido num sinal astral sanguinolento mas que ele tinha belos olhos. D´us lhe explicou então que ele derramaria sangue, claro, somente com a autorização da Corte Jurídica em Jerusalém ( Sanhedrin).

É isso que entendemos por “eduque a criança de acordo com sua natureza”, de acordo com sua predisposição natural. Assim, ela será educada para cumprir as Mitsvot (Mandamentos Divinos), e quando crescer, ela não se desviará.

Mas, se contrariarmos suas predisposições naturais, a criança nos obedecer naquele momento por medo. Mas depois, logo que relaxarmos a pressão, ela se desviará pois é impossível ir contra sua natureza.

Isso significa que se forçarmos uma criança a tomar um caminho que não é compatível com suas predisposições naturais, mesmo que ela nos obedeça durante um certo tempo e sob pressão, quando ela crescer ela não nos temerá mais, ela vai parar de nos obedecer.

Isso é uma regra de ouro da educação.

Determinados pais cometem graves erros a respeito  e isso pode resultar em catástrofes. A educação deve construir um comportamento e um caráter permitindo que a criança tenha a possibilidade de se desenvolver de acordo com sua natureza. Se nós não deixarmos a criança se desenvolver assim, ela se tornará um robô. Se deixarmos ela crescer sozinha sem tentar construir traços de caráter positivos no momento certo, é uma planta selvagem que está crescendo.