7. Trumá

B’SD

Kol Hamoshiach

PARASHAT TRUMÁ

Conteúdo da Parashá:

Þ  A Torá: a melhor das mercadorias

Þ  A mitsvá de construir um Mishcan (Santuário)

Þ  Se pede aos Judeus (Bnei Israel) para contribuírem trazendo materiais para a construção

Þ  O significado simbólico do Santuário (Mishcan)

Þ  O Aron / a Arca contendo as Tábuas da lei, símbolo da coroa da Torá

Þ  O Shulchan / A Mesa, símbolo da realeza

Þ  A Menorá / o Candelabro

Þ  Os Crashim / As tábuas que formam as paredes do Santuário (Mishcan)

Þ  O recinto do Santuário (Mishcan) e do pátio (Chatser) / O Adro

Þ  Ieriot HaMishcan / O revestimento superior do Santuário

Þ  Mizbeach Haolá / O Altar de bronze destinado aos sacrifícios

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A CONSTRUÇÃO DO SANTUÁRIO (MISHCAN),

UMA OBRIGAÇÃO PARA CADA UM DE NÓS

Resumo: A sidra desta semana, Trumá, relata com muitos detalhes a maneira pela qual o Povo Judeu recebeu a ordem de construir o Santuário (Mishcan) para que D’us pudesse “residir entre eles”. Ela também nos conta como os Judeus cumpriram este Mandamento, oferecendo objetos vários, necessários para a construção do Santuário (Mishcan). Nossos Sábios dão três opiniões com respeito ao momento preciso em que isto ocorreu.

A Parashá das oferendas suscitou, em todos os tempos, inúmeros comentários. Os Hebreus no deserto deviam trazer seu ouro, sua prata e outros metais mais comuns, tais como o cobre para o santuário. Os Mestres fizeram o seguinte comentário sobre isso:

Aquele que, na plena força da sua juventude, faz uma doação para D’us ou para os pobres, o que, aliás, é idêntico, é considerado como se tivesse oferecido ouro ao Templo de Jerusalém (Beit Hamicdash).

Aquele que se contenta em fazer doações porque, D’us não queira, ele tem um problema de saúde, só pode ser comparado àquele que traz prata.

Aquele que se contenta em legar sua fortuna após a morte é considerado como tendo trazido apenas cobre.

A Tsedaca, a doação aos pobres ou às Instituições, é considerada, sob certo aspecto, como o mandamento mais importante da Torá.

Um provérbio afirma: “quanto mais o rico da ao pobre, é o pobre que da mais ao rico”.

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Síntese:

D’us da uma ordem para Moshé preparar a Arca Santa que continha as Tábuas da Lei (o Aron Hacodesh), o Candelabro com os sete ramos (a Menorá) e o Santuário (o Mishcan), que serviu de Templo no deserto.

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Na nossa Parashá, D’us pede: “Façam um Santuário para Mim e Eu residirei em vocês”. Isso quer dizer que os Judeus devem construir um Santuário (Mishcan) para D’us e que, deste modo, Ele residirá no interior de cada um.

Para construir o Santuário (Mishcan), os Judeus utilizaram três metais: o ouro, a prata e o cobre.

Todo mundo sabe que o ouro é o mais precioso, aliás, por isso ele é também o mais caro. Para construir a “casa” de D’us deveria ter sido utilizado o ouro por ser o mais bonito! Por que razão utilizou-se também a prata, e até o cobre, metais muito mais ordinários?

Na verdade, estes diferentes metais representam três tipos de Judeus. D’us queria que todo o nosso povo participasse da construção do Santuário (Mishcan); é por essa razão que se utilizaram, juntos, os três metais: o ouro, a prata e o cobre.

-  A prata: representa os Justos (Tsadiquim), que querem sempre se aproximar de D’us e da Torá.

-  O ouro: é mais precioso que a prata e representa aqueles que cometeram erros, que os lamentaram e retornaram a D’us (os Baalei Teshuva). Se diz que no lugar onde estão parados, nem mesmo os Justos, perfeitos, podem ficar.

-  O cobre: representa os Judeus que não respeitaram a vontade de D’us.

O Templo (Beit Hamicdash), não deve ser construído somente pelos justos (Tsadiquim)! Todos os Judeus devem participar da sua construção. É por isso que para a construção do Santuário (Mishcan), não se utilizou só a prata e o ouro mas se usou até o cobre.

Esta é uma grande lição:

-  O Justo (Tsadic) não deve dizer: “eu construirei sozinho um Santuário (Mishcan)! Por que deveria eu me ocupar com um Judeu que ainda não respeita a Torá e os Mandamentos Divinos (Mitsvot)?”

-  O Judeu que não respeita a Torá também não deve dizer: “porque deveria eu interessar-me pelos Mandamentos Divinos (Mitsvot)? Será que pelas minhas ações D’us vai Se revelar neste mundo?”

Aqueles que pensam assim se enganam!

Devemos construir o Santuário (Mishcan) todos juntos! É porque o povo Judeu todo respeita os Mandamentos Divinos (Mitsvot) que mereceremos que D’us resida “dentro de vocês”, em cada Judeu.

O objetivo do Santuário (Mishcan)

Ao pecarem, os Judeus compeliram a Presença Divina (Shechina) a retirar-se para os céus. Mas graças ao Santuário (Mishcan), a Presença Divina (Shechina) poderá retornar para a terra.

Quando Moshé ouviu as palavras de Hashem (D’us): “Que eles façam para Mim um Santuário, e assim Eu residirei no meio deles” (Êxodo - Shemot 25:8), ele ficou chocado.

“Como poderás Tu, Cuja glória preenche o céu e a terra, residir numa humilde morada que nós erigiremos em Tua intenção?” perguntou.

Hashem (D’us) respondeu-lhe: “Eu nem mesmo preciso de todo o Santuário (Mishcan), para estabelecer Minha residência. Na verdade, Eu confinarei Minha Presença Divina (Shechina) no simples espaço de uma amá quadrada, no local situado entre as barras da Arca.” (A Presença Divina/Shechina, repousava na porção mais santa do Santuário/Mishcan, isto é sobre a Arca que continha as Tábuas da Lei/Aron).

O significado simbólico do Santuário (Mishcan)

O Santuário (Mishcan) terrestre é o reflexo do Santuário (Mishcan) Celestial de Hashem (D’us). Cada detalhe do seu plano reflete um aspecto do local de residência de Hashem nos céus.

Por exemplo, Ele ordenou que o Santuário (Mishcan) terrestre contenha colunas de madeira de Shitim, construídas retas. Da mesma maneira, a Torá descreve os anjos (Serafim) como estando de pé. E também os anjos (Queruvim) da Arca que continha as Tábuas Sagradas (Aron), exibindo suas asas abertas; desta maneira os anjos do céu são descritos como possuindo asas (Iechaiahu 6:2). O Santo dos Santos, o lugar mais sagrado (Codesh Hacodashim), onde repousava a Presença Divina (Shechina), se parecia com o próprio Trono da Glória (Quissé Hacavod).

O Santuário (Mishcan) e seus utensílios eram um microcosmo do universo, o que implica que a grandeza do Santuário (Mishcan) se igualava com a do universo inteiro, e que sua construção representava uma realização tão monumental quanto a própria Criação.

Eis alguns exemplos dos paralelos que podem ser estabelecidos entre o Santuário (Mishcan) e o universo:

ú  As cortinas superiores e inferiores representam o céu e a terra.

ú  A água da Pia (Quior) corresponde à água sobre a terra.

ú  O altar sobre o qual os animais eram oferecidos em sacrifício (Mizbeach Haolá) representa os animais do mundo.

ú  O altar do incenso (Mizbeach Haquetoret) simboliza todas as especiarias.

ú  O candelabro (Menorá) representa o sol e a lua.

ú  As sete luzes do Candelabro (Menorá) correspondem às constelações das sete estrelas que representam o curso natural dos acontecimentos no seio do universo (shiva cochvei lechet).

A própria estrutura do Santuário (Mishcan) sugere também o corpo humano, e seus utensílios correspondem aos diferentes órgãos e partes do corpo.

§  A Arca Sagrada que contém as Tábuas da Lei (Aron) corresponde ao coração. Da mesma maneira que a vida de uma pessoa depende da vitalidade do seu coração, a importância da Arca (Aron) na qual as Tábuas da Lei (Luchot) estavam encerradas, impregna o Santuário (Mishcan) todo.

§  Os Anjos Queruvim, que estendiam suas asas acima da Arca Sagrada que contém as Tábuas da Lei (Aron) correspondem aos pulmões protegendo o coração.

§  A Mesa (Shulchan) representa o estômago.

§  O Candelabro (Menorá) representa o espírito humano.

§  O Incenso (Quetoret) encontra seu paralelo no sentido do cheiro.

§  A pia ou cuba para abluções (Quior) sugere o elemento líquido dentro do corpo.

§  As cortinas de pele de cabra correspondem à pele do ser humano.

§  As colunas simbolizam as costelas.

O Santuário (Mishcan) esta construído à imagem do corpo humano para ensinar-nos que qualquer Judeu, ao se santificar ele mesmo, se torna um Santuário (Mishcan) (local de residência) para a Presença Divina (Shechina).

O Midrash explica posteriormente que a Arca com as Tábuas da Lei (Aron), a Mesa (Shulchan) e o Altar (Mizbeach) representam as três posições de escolha que Hashem (D’us) doou ao povo Judeu (Clal Israel). A Arca com as Tábuas da Lei (Aron) simboliza a coroa do estudo da Torá, a Mesa (Shulchan) representa a coroa da realeza e o Altar (Mizbeach) simboliza a coroa dos Sacerdotes (Quehuná).

Um grupo de homens de negócios e um erudito da Torá estavam viajando num navio.

“Qual é o tipo de mercadoria que você tem?” Perguntaram os comerciantes.

“Eu não posso mostrá-la” respondeu ele. Com essas palavras zombaram dele. Durante a viagem se divertiram às custas do Talmid Chacham que não podia mostrar nenhuma mercadoria comparável em valor à que eles possuíam. Quando o navio finalmente chegou no destino, as autoridades prtuárias confiscaram o conjunto das mercadorias que estavam a bordo. Todos os vendedores, sem os seus produtos, viram de repente que estavam sem um tostão. Aqueles entre eles que eram judeus procuraram saber onde residia a comunidade judia mais próxima e se dirigiram ao Beit Hamidrash local. Ao entrarem, encontrarm um grupo de homens discutindo animadamente o talmud. Debatiam uma passagem complexa da Guemara e se faziam várias perguntas. Quanto o estudante de Tora os viu, juntou-se logo a eles. Ele foi capaz de esclarecer todas as dificuldades e seus vastos conhecimentos foram reconhecidos por toda a comunidade. Ele foi albo de muitas honras e lhe trouxeram comida e bebida e até lhe ofereceram uma posição importante na comunidade. Logo depois os negociantes que o haviam acompanhado foram falar com ele e lhe perguntaram: “Por favor, pede a estes judeus que nos alimentem também; merecemos a ajuda deles já que vaijamos no mesmo navio que você!”

De repente eles devem ter se conscientizado que na verdade a Torá é a melhor mercadoria.

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Um príncipe tinha vindo de um país longínquo para se casar com a filha única d rei. Quando ele quis partir com ela, o rei lhe disse: “Não posso me separar dela; ela é meu único filho. Mas ela é também a tua esposa e eu não tenho o direito de segurá-la. Eu vou então pedir um fabor. Constrói para mim um quarto no lugar onde vocês morarem para que eu possa habitar junto de vocês!”

Da mesma maneira, depois que Hashem deu a Torá, Sua filha bem amada, ao Clal Israel, Ele lhe pediu para construir o Mishcan onde Sua Shechiná poderia residir de maneira permanente sobre esta terra.

Ao pecarem, os Judeus compeliram a Presença Divina (Shechina) a retirar-se para os céus. Mas graças ao Santuário (Mishcan), a Presença Divina (Shechina) poderá retornar para a terra.

Quando Moshé ouviu as palavras de Hashem (D’us): “Que eles façam para Mim um Santuário, e assim Eu residirei no meio deles” (Êxodo - Shemot 25:8), ele ficou chocado.

“Como poderás Tu, Cuja glória preenche o céu e a terra, residir numa humilde morada que nós erigiremos em Tua intenção?” perguntou.

Hashem (D’us) respondeu-lhe: “Eu nem mesmo preciso de todo o Santuário (Mishcan), para estabelecer Minha residência. Na verdade, Eu confinarei Minha Presença Divina (Shechina) no simples espaço de uma amá quadrada, no local situado entre as barras da Arca.” (A Presença Divina/Shechina, repousava na porção mais santa do Santuário/Mishcan, isto é sobre a Arca que continha as Tábuas da Lei/Aron).