10. VaiaKhel

B’SD

Kol Hamoshiah

PARASHAT VAIAKHEL-PEKUDEI

Conteúdo da Parashá:

VAIAQUHEL

Þ  Moshé reúne o povo Judeu para ensinar-lhe as leis de Shabat.

Þ  Porque a Torá faz relatos longos e repetidos da construção do Santuário (Mishcan).

Þ  Começa a construção do Santuário (Mishcan).

Þ  A construção do Santuário (Mishcan).revela o verdadeiro caráter da beleza espiritual do povo judeu.

Þ  O erro dos Nessiim com respeito às doações para o Santuário (Mishcan).

Þ  A Pia (Quior) é feita com os espelhos de cobre das mulheres.

PECUDEI

Þ  As contas do Santuário (Mishcan).

Þ  A Presença Divina (Shechiná) retorna sobre a terra.

Þ  A grandeza do Santuário (Mishcan).

Þ  Ashré haam shecachá lo, ashré haam she Hashem Elocav.

Vaiaquhel

Moshé junta o povo judeu para comunicar-lhe o mandamento da construção do Santuário (Mishcan). Para isso ele solicita que cada um faça a doação de metais preciosos, tecidos, tintas, madeira, especiarias, óleo ou pedras preciosas, bem como a contribuição dos artesãos de grande competência dentre o povo judeu.

Em dois dias o povo Judeu respondeu tão bem ao chamado, que Moshé teve que pedir para que parassem as doações.

Entre os artesãos que participaram da construção do Santuário (Mishcan), se destacaram Betsalel da tribo de Iehuda e Aholiav, da tribo de Dan.

O Ensinamento da semana:

O ponto essencial da Parasha Vaiaquhel é o trabalho de elevação do povo Judeu em direção a Hashem.

Só então Hashem Quer Residir entre nós; quer dizer que nossa vontade se confunde com Sua Vontade e que, por assim dizer, nossas ações se confundem com Suas ações.

O BEZERRO DE OURO

Moshé sobe no Monte Sinai para receber as duas Tábuas da Lei sobre as quais D’us mesmo havia escrito os dez mandamentos. Ali ficou quarenta dias e quarenta noites.

Como Moshé demorava para voltar, o povo de Israel pensou que ele havia morrido e se assustaram. Pensaram que estavam perdidos no deserto e esqueceram tudo o que D’us havia feito para eles.

Eles foram falar com Aarão e lhe pediram que fabricasse uma estátua. Para ganhar tempo, Aarão pediu que eles trouxessem as jóias das suas esposas, já que ele pensava que Moshé voltaria no mesmo dia. Mas o povo se apressou para lhe trazer as jóias. Aarão as jogou no fogo e saiu do molde um bezerro de ouro. Os judeus começaram a dançar em volta do ídolo e organizaram uma grande festa.

Enquanto isso, Moshé estava descendo do Sinai com as Tábuas da Lei. Quando ele viu o bezerro de ouro e as danças do povo, ele deixou cair as tábuas de pedra que se quebraram. Ele arrancou o ídolo de ouro do seu pedestal e o reduziu a pó. Ele dissolveu este pó em água e fez com que os culpados a bebessem. Somente a Tribo de Levi tinha se mantido fiel a D’us, e D’us os consagrou ao Seu serviço.

Moshé implorou a D’us o perdão para seu povo. Ele subiu uma segunda vez ao Sinai por quarenta dias, até o momento em que D’us perdoou o povo e lhe entregou outras Tábuas da Lei.

Moshé trouxe de volta o perdão de D’us ao povo no dia 10 de Tishrei, que se tornou para nós Iom Quipur (o Dia do Perdão). Pedimos a D’us neste dia que nossos pecados sejam perdoados; com nossas orações e nosso jejum, mostramos a D’us que queremos melhorar.

Resumo:

Na ausência de Moshé os judeus adoraram o bezerro de ouro. Moshé, irritado, quebrou as tábuas da Lei que acabava de trazer do Monte Sinai. Após ter obtido o perdão de D’us para o povo, Moshé sobe outra vez na montanha de onde traz as segundas Tábuas da Lei.

O dia 10 de Tishrei (Iom Quipur) ficou sendo o dia do perdão.

O ELOGIO DE UM GRANDE SÁBIO JUDEU

Um dos membros mais jovens da Grande Assembléia se chamava Simão o Justo. Há muita incerteza com respeito à época em que ele viveu. De acordo com a tradição judaica, só teve um curto intervalo, de cerca de quarenta anos, entre o retorno do cativeiro da babilônia e a destruição do império persa por Alexandre o Grande; a história profana relata, entretanto, que passaram cem anos entre estes dois fatos. Se diz no Talmud (Ioma, 69-a) que o Sumo Sacerdote Simão, o Justo, teria chefiado o grupo de sacerdotes que se dirigiu a cavalo, na frente do conquistador macedonio, e que ele teria causado uma impressão tão profunda em Alexandre que este, de inimigo dos Judeus, se tornou seu protetor. De qualquer maneira, a importância que reveste a personalidade de Simão o Justo aos olhos do seu povo nos é assim descrita por um antigo poeta judeu, Iehoshua, filho de Sira (Sirakh), que compara Simão aos grandes homens de Israel, de Avraham a Nehemia (Sira, cap. 50):

“Mestre de seus irmãos e coroa do seu povo foi Simão, filho de Onias o Sumo Sacerdote. Em sua época a Casa foi concluída, o Templo solidamente reforçado e o muro elevado. A galeria, ela também foi consolidada. Ele restabeleceu a fonte e salvou o povo, arrancando-o das mãos dos seus inimigos. Como era esplêndido e majestoso quando aparecia, saindo do Santo dos Santos, tal como brilhava a estrela da manhã entre as nuvens, tal a lua durante as noites de primavera, tal o sol quando ilumina as altas montanhas, tal o arco-íris multicolor no céu escuro, tal o campo de espigas em flor, tal o lírio de Sharon na beira da fonte e tais as árvores do Líbano na época da colheita. Como o perfume do incenso no santo incensário, como maçãs de ouro numa taça de prata. Como uma oliveira majestosa carregada de frutos saborosos, como o cipreste elevando ao céu seus ramos”.

“Quando ele veste as roupas santas e se envolve nos seus esplêndidos ornamentos. Quando ele entra no Santuário para cumprir ali o seu serviço. Quando ele recebe o sangue do sacrifício das mãos dos seus irmãos, os sacerdotes, os descendentes de Aarão, todos revestidos de ornamentos magníficos. E com suas mãos eles oferecem o sacrifício diante de todos os filhos de Israel. Até que ele tenha acabado o serviço do Altar com uma santa majestade. Ele estende, então, a mão para o recipiente destinado à libação, toma do vinho novo e do vinho velho e o derrama sobre o altar enquanto se eleva o cheiro delicioso. Então os filhos de Aarão sopram as trombetas diante de todo o povo de Israel e suas vozes se elevam para abençoá-lo. E então o povo inteiro cai com a face contra a terra, jubilando e se prosternando diante de D’us. E todos elevam suas vozes, dando graça com seu canto: “Glorifiquem-No com hinos e com a oração. Glorifiquem-no, todos vocês, habitantes do universo, Aquele que cumpre milagres na terra, que cria o homem no colo da sua mãe e o conduz de acordo com Sua graça e enche o seu coração de sabedoria e de conhecimentos. Ó, condescenda fazer reinar a paz em nosso país e conserva Teu amor por Simão o Justo e pelos seus descendentes, enquanto durem os céus!”


A VIDA COMUNITÁRIA

Um exemplo para Todos os Tempos

O grande Sábio Hilel, na Mishná (Avot 2:4), afirma: “Não te separes da comunidade”.

O efeito de se afastar dos seus, recusando compartilhar a sua sorte e tentando fugir dos males que atingem uma comunidade, pode ser funesto.

Este era o pensamento de Mordechai ao advertir Ester: a tentativa de Haman não pouparia ninguém, nem mesmo a esposa do rei!

No ato, a rainha Ester foi penetrada por um sentimento de solidariedade, que é próprio do povo de D’us, e de devoção recíproca, que é o dever de todas as crianças da nossa raça; e ela fez um pedido: “Jejuem e orem por mim, enquanto minhas filhas e eu também jejuaremos e oraremos.” E D’us viu o jejum e atendeu a oração fazendo com que a ligação sublime entre a rainha e o seu povo oprimido se tornasse um exemplo brilhante para os tempos vindouros.

Qualquer homem que não se solidariza com as preocupações da comunidade, que não é tocado em seu coração pela miséria, não será salvo e não terá sua parte na alegria da salvação, como foi dito: “Só se regozijarão da ressurreição de Jerusalém aqueles que choraram a destruição da cidade santa.” (Isaias, 66:10). Quem só se conhece a si mesmo e não participa das penas e das alegrias dos seus semelhantes é pobre e merece piedade. Mas aquele que sofre com os que sofrem e se esforça para adoçar sua pena, este se regozijará com os afortunados. Para ele florescerão as mais belas e as mais puras alegrias nesta vida e na vida futura.

Tudo o que acabamos de dizer sobre o princípio de “Não te separe da comunidade” só vale quando não somos levados pela comunidade a cometer uma má ação. O mal não pode nunca tornar-se um bem, mesmo se o número de pessoas que o fazem é considerável. Quando Israel, ao pé do Monte Sinai, fez um ídolo para si e o adorou, os filhos da tribo de Levi adquiriram um grande mérito separando-se da comunidade e recusando-se a lisonjear a estátua; foi por isso que D’us os elevou acima dos outros Filhos de Israel, para consagrá-los ao Seu serviço até o final dos tempos. Na época do profeta Eliahu, só sobravam no estado de Israel sete mil pessoas que nunca adoraram Baal; só eles subsistiram, enquanto centenas e milhares de idólatras foram aniquilados.

A Vida Judaica em primeiro lugar

A comunidade judaica, da qual fazemos parte e com a qual devemos nos solidarizar, deve alcançar o seu objetivo, que é permitir a cada um servir D’us da maneira prescrita por nossa sagrada Torá. A Sinagoga, a Escola, a Shechitá, o Micve, o Cemitério e as outras instituições comunitárias devem estar de acordo com as prescrições da Lei Divina. Pode acontecer que a maioria dos membros da comunidade decida mudar o ofício da Sinagoga, fazendo no mesmo todo tipo de acréscimos e de omissões, contratando um rabino não praticante, que negligencia a Shechita, contaminando a educação da juventude e provocando a degradação progressiva de todas as instituições religiosas. Neste caso, é o dever dos fiéis dignos deste nome não se solidarizarem com uma tal comunidade, formando outra, reunindo todas as pessoas que têm a mesma opinião, preservando desta maneira as instituições necessárias.

E aquele que não tiver a chance de ver sua convicção compartida por outros, este não terá ‘menos’ obrigação de não se solidarizar com uma comunidade que se ergue com o princípio da infração aos preceitos da nossa sagrada religião. O rei Davi disse, ele também, o seguinte (Salmos, 26:5): “Odeio a sociedade dos malfeitores.” Quando apenas um homem comete um ato repreensível, geralmente ele é julgado com bom senso por todo mundo. Mas quando o que está mal e é injusto se torna um verdadeiro modo de vida, quando um grande número de pessoas acham bom fazer disso um verdadeiro princípio, suas entidades perdem o caráter de criticáveis aos olhos do público. É por isso que Davi se atribui um mérito por odiar o mal, mesmo quando ele é feito por uma sociedade inteira. Vemos também o profeta Irmiyahu (9:1) desejar estar longe do povo depravado e preferir a maior solidão a uma sociedade de malfeitores: “Ó, que me dêem um refúgio no deserto, gostaria de abandonar o meu povo, me afastar dele, porque seus membros são adúlteros, são bandos de infiéis!”

A sentença de Hilel não tem aplicação quando se trata de uma sociedade que quer transformar e desnaturar as prescrições que foram recomendadas ao nosso povo, do simples fato que uma sociedade assim não merece mais o nome de comunidade.

A comunidade propriamente dita é a de todo Israel e só fazem parte dela aqueles que se esforçam para servir D’us, observar Seus mandamentos e criar seus filhos neste espírito. Para aqueles que renegam D’us, que profanam o Shabat, que se contaminam ingerindo alimentos proibidos, que violam as leis maritais, as da castidade, a purificação, estes se separaram da comunidade de Israel, e somos nós que devemos nos afastar deles, mantendo-nos fiéis a Ele, se não podemos persuadi-los a voltarem ao bom caminho.