1. Chemot


B’SD

Kol Hamoshiach

PARASHAT CHEMOT

Conteúdo da Parashá:

Þ  Porque o exílio egípcio acabou em escravidão?

Þ  O primeiro decreto do faraó: a escravidão.

Þ  O heroísmo das mulheres judias.

Þ  O segundo decreto do faraó: o infanticídio através das parteiras Judias.

Þ  O terceiro decreto do Faraó: jogar os recém nascidos macho no Nilo

Þ  O nascimento de Moshé.

Þ  Moshé é adotado por Batia.

Þ  Moshé criança no palácio do Faraó.

Þ  Moshé comparte a pena dos seus irmãos.

Þ  Moshé no país de Cush.

Þ  Moshé em Midian.

Þ  Hashem se revela a Moshé na sarça ardente.

Þ  Moshé é repreendido por não ter feito a circuncisão do seu filho.

Þ  Moshé e Aarão no palácio de Faraó.

Þ  Faraó intensifica a escravidão.

EDUCAÇÃO

O decreto do Faraó “toda criança que nasça vocês a jogaram no rio” existe espiritualmente em cada época e em todo lugar. Quando uma criança Judia vem ao mundo, a tradição de Israel quer que lhe seja oferecida de repente a melhor educação. Mas o Faraó, as idéias do meio ambiente, começam a surgir. Quando chegue o momento, esta criança deverá casar, atender as necessidades de uma família. É preciso então, desde a mais tenra idade, lhe dar uma instrução. É preciso jogá-la no “rio” do sucesso social. Mas o que vai acontecer então com a Torá e as Mitsvot? O Faraó vai então responder: Domingo, quando as lojas e os bancos estejam fechados! E na véspera, de noite se levará a criança ao cinema ou a outros lugares afastados do Judaísmo. No Domingo de manhã os pais dormirão até mais tarde. Não terá nenhuma importância para eles se a criança durante este período, freqüente um Talmud Torá. Lá ele aprenderá o Chumash, hebraico, músicas e danças, que importância tem isso? Com tal que tudo isto não impeça o sono material e o torpor espiritual... Depois, a partir de uma da tarde, a criança estará de novo frente à televisão ou no cinema ou com o baseball.

É assim que, ao querer ajudar a criança a fazer uma carreira, se arruina a sua vida espiritual. Esquece-se que a opulência material provém de uma ligação indefectível com D’us. Porque “Aquele que da a vida, isto é D’us, outorgará a subsistência”.

Aquela que assume o combate espiritual e educativo contra o Faraó é essencialmente a mãe judia. Ela suporta os ataques “amistosos” das suas “boas” vizinhas, que só procuram o bem dos seus filhos e que lhe dizem: “Como você pode mandar teu filho ao Cheder e à Ieshivá? Ali ele só vai estudar a Torá, que foi dada há três mil e quinhentos anos, num país desértico. Naquela época não tinha radio, telefone, nem um jornal pela manhã que se pode ler logo depois de falar o “Modé Ani”. As pessoas eram então fanáticas e clericais. Educavam então seus filhos do mesmo modo. Nós, vivemos no século vinte, num mundo moderno, temos o progresso técnico e a alta cultura. É preciso abandonar o arcaísmo!”

Às vezes o Faraó se revestirá de santidade e virá ver a mãe, com uma roupa de seda. Ele explicará: “Você não quer que teu filho seja rico e faça grandes donativos para Tsedacá, ajude Ieshivot? Para isso ele precisa ser educado, como John ou Mike”. Concretamente, crianças assim reservam suas subvenções ao próprio Faraó e se as mães enviam seus filhos para a escola pública e para o Talmud Torá de domingo pela manhã, as Ieshivot serão construídas para os anjos!

Concepções desta espécie emanam da má inclinação, que quer fazer desaparecer qualquer traço de Judaísmo. É com esta finalidade que se desejará dar à criança de cinco anos o desejo de seguir uma carreira. Para resistir a estes argumentos, a mãe deve meditar sobre o fato que D’us rege o mundo e se encontra no mesmo de forma efetiva, e atende ao seu marido e aos seus filhos. A partir disso, ela não será vítima das suas vizinhas, e mais do que isso, é ela que vai influenciá-las para que salvem seus filhos do Faraó. Deste modo serão criados milhares de crianças que irão muito em breve ao encontro de Mashiach. A maior parte do dia, o pai não está em casa e ele não tem, com freqüência, o tempo necessário para ocupar-se da educação das suas crianças. Portanto é à mãe que compete o papel de educar, de lutar contra o Faraó, de responder aos argumentos das vizinhas bem intencionadas. Sua fé e sua confiança lhe permitirão cumprir sua missão”. (Sicha do Rebe Shlita, 10 de Shvat de 5718).

EM MÉRITO A ESTAS ATITUDES, HASHEM REDIMIU OS JUDEUS DO EGITO E A ESCRAVIDÃO EGÍPCIA TERMINOU COM A REDENÇÃO DIVINA

Os judeus se distinguiram dos egípcios em quatro áreas:

·  Nenhuma criança recebeu um nome não judeu.

·  Além do mais, os judeus não adotaram a língua do país, continuando a falar no lashon hacodesh (idioma sagrado).

·  Eles não se vestiam da maneira egípcia.*

·  Eles agiam com bondade entre eles e não denunciavam judeus aos egípcios.

* É evidente que os judeus no Egito estavam bem menos assimilados que nós, hoje em dia. Conscientes da sua superioridade espiritual, consideravam degradante usar roupa cujo estilo era determinado por não judeus ou dar a uma criança um nome não judeu. Nossos sábios chamaram a atenção sobre essas quatro qualidades, dignas de louvor, que os judeus adotaram no Egito para que nos sirvam de guia no nosso modo de vida no exílio.

A filha do imperador foi banida e enviada a um país estrangeiro, onde casou com um camponês. Como ela estava triste, seu jovem esposo, que possuía um bom coração, decidiu por todos os meios agradá-la. Enquanto ela se preparava para entrar pela primeira vez no seu novo lar, ele organizou tudo cuidadosamente com antecedência. Mobiliou a casa com gosto; encheu os armários e placares com vestidos, sedas e quinquilharias em sua intenção. Mandou também preparar uma refeição a base de salsichas, salada de batata e cerveja. Ele até pagou o músico da cidade para tocar um órgão primitivo sob a sua janela.

O homem fez com que sua mulher entrasse em casa e sentaram para comer. O homem mastigava sua comida com satisfação enquanto escutava a música do órgão. Nadando de felicidade, ele não se deu conta logo que sua mulher não partilhava da sua alegria. Pelo contrário, ela parecia profundamente melancólica. Consternado, seu marido perguntou-lhe: “O que está acontecendo, minha querida esposa? Será que a salsicha não está suficientemente condimentada ou você não gosta de cerveja? Você acaso não aprecia esta música celestial?”

Com estas palavras, a princesa quase caiu em prantos mas recusou-se a responder. Ela não dividiu com ele seus pensamentos, incapaz de transmitir as imagens que desfilavam na sua mente. Como poderia ele entender as delícias da sua juventude, ele que nunca conhecera o estilo de vida da nobreza, que nunca havia visto nem dado uma olhadela sequer no interior do palácio real? Como poderia imaginar os banquetes diários do palácio do seu pai, com os pratos mais delicados e mais sofisticados, as frutas mais raras e mais exóticas? Comparada com isso, até a melhor comida deste rude camponês era repugnante. Que sabia ele de vestidos elegantes, de aposentos do palácio cobertos de espelhos ou de tapetes? Sabia ele que com o mínimo gesto da sua mão, um servidor se apressava para cumprir a vontade da princesa? No seus ouvidos ressoava ainda a música que a orquestra real oferecia nas grandes ocasiões, esta harmônica sinfonia que só podiam produzir pianistas e violinistas hábeis e inspirados. O som destoante do órgão da aldeia era um insulto aos seus ouvidos exercitados!

O judeu que se sente à vontade no exílio se parece ao camponês da fábula. Sua idéia de grandeza é a de um fazendeiro que pensa que a vida não tem alegria maior a oferecer que uma salada de batata com cerveja.

Como pode um judeu desejar verdadeiramente a Redenção se ele não tem consciência da glória e da grandeza que nosso povo gozou e que perdeu depois? É só por meio do estudo da Torá que podemos nos fazer uma idéia do grau de esplendor e nobreza do nosso passado.

O Beit Hamicdash (Templo Sagrado) foi chamado “messos col haarets”, a alegria de toda a terra. Quando nossa nação residia com toda segurança em Erets Israel (a terra de Israel), governada pela lei da Torá e guiada por um rei que temia a D’us e aos Sábios da Torá, o país vivia em paz e com segurança material e espiritual. Sabendo que Hashem (D’us) estava entre eles, o povo vivia uma vida de elevação espiritual e de alegria. Comparada a isso, nossa existência de hoje é, citando o livro do “Cuzari”, a de “ossos ressecados e sem vida”.

Hoje em dia costumamos organizar cerimônias de bar mitsva ou de casamento no Cotel, o Muro Ocidental em Jerusalém. É um lugar onde se reúnem grupos para cantar e dançar.

Quando o Gaon e Tsadic Rabi Iehoshua Leib Diskin (falecido em 1898) foi ao Cotel pela primeira vez, ele desmaiou. Nunca mais voltou a visitar o lugar sagrado, incapaz de suportar os pensamentos e a emoção que uma peregrinação dessas evocava.

Quem não se sente exaltado ao visitar o Empire State Building, em Nova Iorque, a Torre Eifel em Paris ou o Palácio de Buckingham em Londres, monumentos que expressam os valores e a força dos seus respectivos países? O paitan/poeta, expressa, entretanto, os sentimentos do judeu verdadeiramente fiel à Torá e chora ao ver esse espetáculo:

Ezquera Eloquim veehemiá

Bir’otí col ir al tila benuiá

Ve’ir haEloquim muchfelet ad sheol tachtía

Recordo o Todo-Poderoso e choro

Ao ver cada uma das cidades estabelecidas sobre sua colina

Enquanto a Cidade de D’us é rebaixada

Ao mais profundo dos abismos.*

* Este grito é tão válido hoje quanto no passado, embora Ierushalaim (Jerusalém) esteja hoje construída e repovoada. Apesar do aumento da construção, a cidade continua sendo uma ruína espiritual, um corpo sem alma, porque ela ainda não viveu o retorno da Shechina (a presença Divina).

Apenas o judeu para o qual o passado está vivo e que compreende como se ali estivesse, as alturas que nosso povo outrora alcançou, pode dividir estes sentimentos. Um judeu que não estuda a Torá não pode reencontrar mentalmente o nosso passado e não pode, portanto, ter consciência do modo de ser ideal último do Povo Judeu.

Infelizmente, pelo menos a metade do nosso povo ignora completamente nossa herança e se perdeu por meio de casamentos mistos. Do restante, uma grande porcentagem tira sua informação sobre o judaísmo dos jornais e pensa que o ponto culminante do judaísmo se alcança passando os domingos numa pizzaria (casher). O próprio fato de tolerar o exílio com um sentimento de satisfação e de suficiência é em si o que atrasa a Redenção.

Só existe uma maneira de se elevar acima da concepção de felicidade do camponês: estudar a Torá nas suas fontes originais. Quando consideramos a triste situação do nosso povo é impossível congratular-nos do que somos e deixar-nos cair numa poltrona. Para dar fim ao nosso exílio é preciso que todos desejemos ardentemente que ele acabe, guiando nossos filhos para que eles alcancem todo seu potencial no estudo da Torá.