O Patriarca Avraham

O pedido de Avraham a D´us: ficar velho.

Avraham já estava com idade avançada. Pleno de Torá, tendo dominado completamente seus maus pendentes, seu Yetzer Hara, gozando de todas as Bênçãos que pode receber um homem neste mundo.

Apesar de sua idade, parecia ainda jovem. Em sua época, os Homens não ostentavam sinal algum de sua velhice, e conservavam até o dia de sua morte, sua juventude. Yitzhak (Isaque) se assemelhava profundamente com seu pai Avraham; também, não se era possível distinguir um do outro. Avraham implorou então para Hashem:

“Mestre do universo! Quando entramos juntos, Yitzhake e eu, as pessoas não sabem quem honrar. Se tu quisesses modificar a aparência exterior do ancião, as pessoas saberiam quem honrar”.

- Fizeste bem, respondeu Hashem, de perguntar-me isto.”

Foi assim que os sinais da velhice apareceram em Avraham.

Existem em um homem, quatro causas de envelhecimento.

1-  O medo,

2-  Preocupações causadas por crianças,

3-  uma má mulher,

4-  a guerra.

Exemplos nos são fornecidos pela Torá.

1º O rei David fica velho por causa do medo, como está dito:Ele teve medo da espada do anjo de Hashem (Diverei Hayamim 21,30 )e, logo após, David estava velho (ibid. 23,1).

2º Eli era muito velho, e ouvia falar do comportamento de seus filhos em relação a toda Israel. (Shmouel 2,22). Tornou-se velho por causa das preocupações que lhe davam seus filhos.

3º Esta escrito que o Rei Chlomo, envelhecido, viu que suas mulheres puseram-se a adorar ídolos e que ele não protestou (Melakhim – Reis 11,4). São estas mulheres idólatras que provocaram sua velhice.

4º Logo após ter precisado que Yehoshoua fez a guerra contra trinta e um reis (Yehoshoua 12,24), o texto especifica que tornou-se velho. (ibid 13,1).

O texto da Torá indica que Avraham ficou velho. No entanto, nenhuma das causas aqui mencionadas pode ser aplicada a ele. Sua esposa Sarah, manteve a estima que tinha por ele, seus filhos seguiram a via que tinha traçado, e ele aproveitou numerosos bens deste mundo. O envelhecimento de Avraham foi, para ele, uma coroa de glória e uma honra.

Um pedido estranho:

Avraham pede  velhice.

Itzhak pede sofrimento.

Yaacov pede doença antes da morte.

Antes de Avraham, todas as pessoas tinham um ar jovem até sua morte. Avraham pediu a Hashem sinais físicos de velhice, e argumentou:

“Se um pai e um filho têm a mesma aparência, como saberão as pessoas qual está para ser honrado, se chegarem juntos em um lugar qualquer?”

“Dê ao homem sinais de velhice, tais os cabelos brancos e as rugas, e as pessoas saberão quem está para ser honrado.”

Respondeu-lhe Hashem: “Pediste boa cousa. Começarei por ti.” Avraham começou então a ter um ar de velho, e toda a humanidade, recebeu depois dele sinais de velhice.

Antes de Yitzhak, ninguém conhecia a dor. Yitzhak veio e pediu o sofrimento. Disse a Hashem: “se alguém morrer sem ter experimentado o sofrimento, toda a severidade do Julgamento divino será aplicado contra ele. O sofrimento neste mundo lhe poupará o Guehinam (Inferno, castigo no mundo vindouro)”.

Hashem lhe respondeu: “Pediste boa cousa: Juro, e Começarei por ti”. Logo em seguida, Yitzhak tornou-se cego.

Yaacov pediu doença antes da morte, e sustentou perante D´us: “Se um homem morrer subitamente, não poderá ter dado a seus filhos as instruções necessárias ou pôr em ordem suas coisas. Deixe um período de doença antes da morte, e ele terá o tempo de tomar todas as suas disposições.

Disse Hashem: “Pediste boa cousa: Juro, e Começarei por ti”. Yaacov tornou-se assim o primeiro homem a ser acometido por doença antes de morrer.

Até o tempo do rei Hiskiahu, se contraísse uma doença grave, a morte era certeira. Rezou Hiskiahu para Hashem: “se um homem gozar de boa saúde até morrer, estará negligenciando a possibilidade de fazer Techuvá. (Arrepender-se, aspirar a D´us, retornar a D´us)”. Mas se alguém estiver gravemente doente, fará Techuvá com a esperança de curar-se. Disse Hashem “Pediste boa cousa: Juro, e Começarei por ti”. Hiskiahu foi então acometido de uma grave doença, da qual se restabeleceu mais tarde.

Este Midrash é um guia extraordinário para nossa época. Se precisássemos formular um voto para Hashem, o que pediríamos. Desejaríamos provavelmente a juventude eterna, a saúde, a felicidade e etc. O Midrash nos diz que nossos patriarcas pediram exatamente o inverso! Pediram que possuíssem um ar velho, e a receber sofrimentos e doenças.

Por que reagiram diversamente? A resposta é a seguinte: atribuímos importância demais ao bem estar neste mundo. Nossos ancestrais estavam sempre conscientes do fato que a função da existência é o mundo vindouro (Holam Haba). Pediram portanto tudo aquilo que pudesse promover o bem estar espiritual, e rejeitaram tudo o que pudesse ser nocivo a saúde da alma (Neshamá). Bereshit Raba 65,4.

A vida passa como uma sombra, mas não como a sombra de um muro sólido, ou árvore firmemente enraizada.

Passa como a sombra de um pássaro em vôo, indo e vindo.

Sabemos todos que não viveremos eternamente. Reconhecemos verbalmente que somos todos mortais, e que morreremos um dia, mas agimos como se a morte não fosse nos atingir.

Nossos antepassados estavam sempre conscientes que só estavam de passagem por este mundo, até setenta anos. Passavam a vida a prepara o mundo vindouro, pois que viviam com a realidade da morte. afirmaram claramente que terminariam um dia por morrer.

- Disse Avraham: “Não tenho filhos, e aquele que nasceu em minha casa herdará de mim” (Bereshit 15,3)

- Disse Yitzhak a Essav: “Que minha alma te abençoe antes que eu mereça” (Ibid 27,4)

- Disse Yaacov: “Repousarei com meus pais” (Ibid 42,30)

Honrem os anciãos, e os sábios em Torá. (Talmidei Harhamim)

Devemos nos levantar afim de honrar todo Judeu setuagenário pois a Torá nos ordena (Vaicra 19,32): “Te levantarás frente a um Seva”

O termo “Seva”, homem velho, se aplica a um Judeu idoso de setenta anos ou mais. Mesmo que não seja sábio em Torá, enquanto observa as Mitzvot (Mandamentos Divinos), merece tal honraria pois, vivendo até uma idade avançada, fez a experiência da grandeza de Hashem, e de Suas ações maravilhosas.

Mais ainda, a Torá nos ordena honrar os eruditos em Torá, qualquer que seja sua idade. Seu conhecimento em Torá lhes dá direito a nosso respeito, mesmo se forem jovens.

Isto vem implicitamente na segunda metade do versículo “Honrarás o rosto do Zaken” (Vaicra 19,32).

“Zaken”, neste contexto, se refere àquele que adquiriu a sabedoria da Torá. Eis a honra devida ao erudito em Torá:

- Devemos nos levantar em sua presença.

- Devemos endereçar-lhe a palavra com respeito.

Tal honra é devida a todo erudito em Torá mesmo se não for nosso mestre. (Kidushin 32b).

Uma das razões pelas quais foi destruída Jerusalém, foi a falta de honrar testemunhada para com os eruditos em Torá.

A Torá insiste em que testemunhemos marcas de distinção para com os eruditos em Torá, pois demonstramos assim que nosso ideal na existência é o estudo da Torá. Nos ordenando honrar um judeu conhecedor da Torá, ensina-se nos que um sábio em torá é alguém digno de admiração, dando-nos uma apreciação das honras verdadeiras. (Sefer Harhinurh 255).

Aquele que agir com reverência para com um erudito em Torá será recompensado pelo temor do Todo Poderoso (Bamidbar Rabba 15,13)