4. Vayera, Hashem apareceu


PARASHAT VAIERÁ

Resumo da Parashá:

D’us manda três anjos para anunciarem a Avraham o nascimento do seu filho, Itschac, bem como para destruírem a cidade de Sodoma e aquelas que a rodeavam, já que seus habitantes se comportavam de forma muito ruim. Mais tarde, D’us ordena a Avraham que sacrifique Itschac. Avraham aceita, mas isso não passava de uma prova; D’us segura o seu braço no último momento e é um carneiro que vai ser sacrificado. Itschac será o segundo pai do povo judeu.

O SACRIFÍCIO DE ITSCHAC: UM ATO INTELIGENTE ??

Na nossa Parashá D’us pede a Avraham: “toma, por favor, o teu filho ..... e sacrifica-o”.

Sabemos que Avraham teve que passar por dez testes; este é o décimo.

Nossos Sábios nos ensinam que, se D’us se dirigiu a Avraham pedindo-lhe que obedeça - “toma, por favor...” - é porque havia uma razão bem precisa. Ele queria dizer: “Eu impus a você numerosos testes e você os venceu; passe também por este para que não digam que os primeiros não valiam nada”. Isto significa que D’us pede a Avraham para aceitar o teste do sacrifício de Itschac e para vencê-lo para que não pensem que os precedentes não tinham nenhum valor.

Impõe-se uma pergunta. Mesmo se Avraham não tivesse vencido esta última prova, que era a mais difícil, porque isso teria significado que as precedentes, mais fáceis, não valiam nada? Apesar de tudo ele as havia vencido!

Por outro lado, o primeiro teste que Avraham enfrentou foi ter sido jogado no fogo por ter quebrado os ídolos do seu pai, Terach. Esta prova não teria sido tão grande quanto o sacrifício de Itschac?

Eis a resposta. Quando vemos um judeu prestes a sacrificar sua vida para D’us, podemos pensar que ele não o faz somente porque D’us o pede mas porque ele mesmo entende que é obrigado a fazê-lo.

Por exemplo, com respeito ao teste em que Avraham é atirado no fogo, poderíamos dizer que se ele está disposto a sacrificar sua vida é porque ele compreendia que precisava fazer saber a todos que D’us existe. Quer dizer que a inteligência de Avraham o obrigava a agir deste modo!

Não podemos, entretanto, dizer o mesmo para no teste do sacrifício de Itschac. No teste do sacrifício de Itschac ninguém estava presente exceto Avraham e Itschac. Além disso, Avraham queria ter um filho que continuasse o seu trabalho de fazer com que todos conhecessem D’us. E apesar disso, ele tinha que sacrificá-lo, ele próprio. Estranho paradoxo. Avraham adotou uma atitude contrária à sua natureza, fundamentalmente boa; ele agiu contra sua natureza de Chessed, bondade, para fazer o sacrifício do seu filho único, o mais amado, Itschac. Este sacrifício, que era um ato fisicamente cruel (um ato de guevurá = severidade), ele o fez só porque Hashem pediu, sem procurar compreender. Quem continuaria, então, o seu trabalho? E Hashem não prometera fazer dele uma grande nação? e agora lhe pedia para sacrificar seu descendente? Isso demonstra que Avraham estava pronto para se sacrificar, mesmo quando sua inteligência lhe dizia para fazer o contrário.

É por isso que, ao vencer esta última prova, ele mostrou que as precedentes também tinham valor. Avraham não as havia aceito porque sua inteligência lhe dizia para fazê-lo mas sim por amor a D’us.

Este é um ensinamento para cada um de nós, descendentes de Avraham: devemos servir D’us e submeter nosso Ietser Hará, nossa inclinação para o mal. Avraham nos deu a força para isso ao abrir-nos o caminho.

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UM PALÁCIO NO DESERTO OU O PRAZER DE DAR

Nossa Parashá nós mostra a grandeza de Avraham, o primeiro judeu que existiu. Avraham fez com que todos conhecessem D’us, ele deu a todos a fé. Assim a Parashá nos conta: “ele plantou um ‘Eshel’ em Beer Sheva e ali invocou o nome de D’us”. A Torá parece estar dizendo que plantar um ‘Eshel” foi uma coisa extraordinária.

Mas o que quer dizer esta palavra? O Midrash nós explica. Nos diz que não era uma simples árvore a que Avraham plantou, para que se possa aproveitar da sombra que fazia, mas sim um albergue. Em Beer Sheva, em pleno deserto, Avraham instalou um albergue!

Para que? Para todos os viajantes cansados da longa caminhada, do sol, esfomeados, sedentos. Avraham pensou neles. Ele não os conhecia, não sabia quem viria ali e apesar disso instalou seu albergue para eles.

O que lhes deu neste albergue? Tudo! Avraham não se contentou em lhes proporcionar pão e água. Ele lhes ofereceu tudo que podia encontrar de melhor: vinho, carne, frutas, doces. Ele os convidou a ficarem para dormir em sua casa.

Mas Avraham também pensou no espiritual. Ele instalou um tribunal em que estavam sediados Sábios que poderiam responder a todas as suas perguntas, a todos os seus problemas. Era a maneira que Avraham tinha de fazer a Tsedacá.

Esta qualidade se encontra também em cada judeu. Ela é uma herança que vem do nosso pai, Avraham, e nossa Parashá nos ensina também como se deve agir.

Dar àquele que precisa exatamente o mínimo não basta. É preciso dar ao pobre mais do que isso, que ele sinta prazer. É claro que deve se trazer o auxílio material necessário mas precisa também ajudá-lo a resolver seus problemas, sustentá-lo moralmente. Tudo isso, é preciso dá-lo a todos, mesmo àqueles que não conhecemos; esta é a verdadeira Tsedacá!

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Apesar ...

As pessoas são incoerentes, ilógicas e egocêntricas.

Ame-as apesar disso!

Se você faz o bem, vão acusá-lo de ter motivos egoístas ocultos.

Faça o bem apesar de tudo!

ANOITECER

Se você é bem sucedido, vai ganhar falsos amigos e verdadeiros inimigos.

Seja bem sucedido apesar de tudo!

O bem que você faz hoje será esquecido amanhã.

Apesar de tudo, faça o bem!

A honestidade o torna vulnerável.

Seja honesto apesar de tudo.

O que você passou anos construindo pode ser destruído do dia para a noite.

Construa apesar de tudo.

As pessoas podem atacá-lo se você as ajuda.

Ajude as pessoas apesar de tudo.

Dê ao mundo o melhor de você e vai receber em troca um soco no queixo.

Dê ao mundo o melhor de você apesar de tudo.

Qual é a fórmula mágica que você usa para recompor o rumo quando seu navio se desvia do seu curso? Será que você lê um texto especialmente significativo, ou você ouve uma peça musical enaltecedora, ou fala com um amigo inspirador?

Quem sabe você também pode usar o poema “mágico” do Rebe.

O INSTIGADOR MÁGICO DO REBE

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O QUE É MAIOR ?

O que é maior, receber a Revelação Divina ou receber um visitante, oferecendo-lhe hospitalidade?

Se você respondeu que receber a Revelação Divina é maior, está redondamente enganado, como diz o Talmud, com referência à Parashá desta semana. Quando D’us Se Revelou a Avraham Avinu, de repente, no meio, o patriarca Avraham percebeu um visitante e Avraham Avinu pediu a D’us para esperar um pouco até que ele, Avraham, acolhesse os visitantes com hospitalidade. Quer dizer que a atitude de Avraham Avinu foi dar prioridade à hospitalidade e somente depois dar atenção à Revelação Divina.

O que nos ensina o Talmud através desta conduta de Avraham Avinu? Aprendemos que fazer hospitalidade é maior que obter a Revelação Divina. E também que hospitalidade é maior que “Shalom Bait” (paz em casa) e que quando tem Revelação Divina, tem “Shalom Bait”.

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Foi num 20 de Mar-Cheshvan que o Rebe Rashab nasceu. Todo ano, no seu aniversário, ele ia ver o avó, o Tsémach Tsédec, para pedir a sua benção.

Quando tinha 4 ou 5 anos, no dia 20 de Mar-Cheshvan ele foi ver o seu avó; lá chegando, caiu em prantos:

“Porque choras?” perguntou-lhe o Tsémach Tsédec.

“Estudei no Chumash”, respondeu-lhe, “na Parashá Vaierá, que D’us se revelou a Avraham. É por isso que estou chorando: porque D’us não se revela também para mim?”

O Tsémach Tsédec respondeu-lhe: “quando um judeu, um Tsadic, com a idade de 99 anos, decide se circuncidar, ele merece que D’us se revele para ele”.

A criança aceitou a resposta e parou de chorar.

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Esta história aconteceu com uma criança mas sabemos que tudo que contam nossos Rabinos se aplica também a nós e contém um ensinamento válido para cada um.

Neste caso, devemos destacar duas coisas:

1) uma criança chorou por que D’us não se revelou para ela como o havia feito para Avraham.

2) Avraham mereceu esta revelação por que fez a sua circuncisão com 99 anos.

Qualquer judeu, mesmo aquele que só sabe poucas coisas e que nem estuda, mesmo aquele cujos conhecimentos e ações se comparam às de uma criança, pode reclamar com D’us porque Ele não se revelou a ele, como o Rebe Rashab que, bem novo, ficou chorando e reclamou com todas as suas forças para receber esta revelação.

De fato ele não se limitou a chorar. Ele quis mesmo que D’us se revelasse para ele, do mesmo modo como Ele aparecera para Avraham quando este havia alcançado um nível muito elevado após a sua circuncisão.

Por outro lado, é preciso se preparar bem para isso. Qualquer judeu pode pedir a revelação de D’us mas para obtê-la é preciso ter feito um esforço. Avraham, ele próprio, só mereceu que D’us lhe apareça após a sua circuncisão, após retirar tudo que não estava indo.

Do mesmo modo, um judeu deve retirar todo o mal dele. Deste modo ele poderá conseguir que D’us se revele para ele.