1. Um atraso Incompreensível

Um atraso incompreensível.


A libertação é, na nossa época, de importância capital. Contudo, ela provoca o maior assombro: como, apesar de tudo o que foi realizado, a vinda de Mashiach ainda não se efetivou? Isso é absolutamente incompreensível.


Outro ponto também primordial: Várias dezenas de Judeus se reúnem num momento propício para a libertação. Apesar disso, eles podem não ter o desejo de que a libertação ocorra imediatamente, e imaginar que o Mashiach não virá esta noite, D’us não queira, e que tampouco estará aqui amanhã. Eles podem até pensar que ele não estará aqui depois de amanhã!


É verdade que gritamos “até quando?” Mas, com isso se está apenas cumprindo uma obrigação. Se esse grito fosse sincero, é seguro e certo que Mashiach estaria aqui há muito tempo já.


O que mais posso fazer para que o povo Judeu expresse com sinceridade seu desejo de revelar concretamente Mashiach? Tudo o que realizei até agora não serviu de nada. A prova pode ser tirada pelo fato de nos encontrarmos ainda no exílio e, mais do que isso, para tudo o que se refere ao serviço divino, este exílio é particularmente profundo.


Entretanto, me resta ainda uma coisa a fazer. Posso deixar em vossas mãos esta mensagem: façam tudo o que esteja em seu poder. Revelem as luzes mais intensas permitindo-lhes que se introduzam nos receptáculos do mundo, para que nosso justo Mashiach se revele concretamente, de maneira imediata.


Possa D’us fazer com que dez judeus se obstinem e se comprometam em persuadir o Santo Bendito seja Ele. Seu empreendimento será, sem dúvida alguma, frutífero, já que eles pertencem a “um povo com dura cerviz”, o que pode também se transformar numa qualidade. 

Desse modo, “Tu perdoarás nossos pecados” e a libertação verdadeira e completa poderá ser imediata.


     28 de Nissan de 5751.


Hashem criou o universo e desejou que o mundo se eleve e que se construa uma moradia para Ele aqui em baixo. O processo geral para cumprir esse trabalho é através de Torá e Mitsvot. 


Cada geração, cada época, cada dia, cada comunidade e cada pessoa tem o seu trabalho específico.

Cada geração tem um líder, designado por Hashem, que conduz a geração para realizar o seu trabalho de servir Hashem. Quando esse trabalho for concluído, nada mais faltará para a chegada de Mashiach.


Mas Mashiach também poderá chegar quando todos os judeus fizerem tshuva e cumprirem Torá e Mitsvot, independente da conclusão do trabalho.


Naquele 28 de Nissan, o Rebe voltava do Ohel do Rebe anterior.


Ele comunicou que o trabalho que o líder devia fazer já havia terminado, isto é que o trabalho de elevar o mundo e de construir uma morada para Hashem estava concluído. Portanto só faltava se preparar para a vinda de Mashiach.


O Rebe falou das leis (dinim), e do processo da vinda do Mashiach segundo o Rambam, em Hilchot Melachim. Quando o processo estiver concluído, virá um descendente de David Hamelech, que vai estudar Torá como ele estudou e que vai subjugar o mundo através de sua influência e boa vontade, e o mundo inteiro seguirá o caminho de Torá e Mitsvot. Essa pessoa terá sucesso entre os judeus e entre os goim.


Estas palavras do Rebe foram proferidas depois da guerra do Golfo, que era em si só um sinal messiânico, já que todos os povos estavam contra nós e que finalmente nada ocorreu com o povo de Israel. Também era um sinal o fato da ONU decidir eliminar as armas nucleares. E o que dizer da queda do comunismo e das idéias do ateísmo, como o início da era de Mashiach!


O Rebe disse então que Mashiach já havia sido escolhido, já fora visto, já se falara com ele, e que ele ocupava seu lugar. Sabe-se que cada geração tem um candidato a Mashiach, se o povo estiver pronto para isso. Isto foi verdade no período anterior à conclusão do trabalho de elevação do mundo. Agora, que tudo estava pronto, Mashiach já fora escolhido. E o Rebe começou a chorar...


Sim, tudo está pronto. Só falta cada judeu dizer que quer sair do galut.


A parte do Rebe, o que ele podia ter feito, ele já fizera.


Agora era preciso que o movimento viesse de baixo (o que vem de cima, não exige esforço pessoal e por isso pode não ser permanente).


Conta-se a história de R. Iehuda que encontrou Mashiach e lhe perguntou quando viria. Ele respondeu hoje. Passado o dia, e como ele não viera, foi novamente interpelado. Mashiach respondeu então: Haiom Im Becoló Tishmaú (Hoje, se ouvirem a Voz de D’us) – Este é o despertar de baixo!


Até essa data, o Rebe nunca permitira falar em termos tão claros e tão abertamente sobre a identidade de Mashiach. Esta data foi uma decisiva guinada de 180o, quando ele afirmou que estávamos prontos para a seudá de Leviatan; que se gritasse Iechi Hamelech; e a cada indagação, a cada pergunta, quando ele falava em público, ele incentivava mais e mais os Chassidim nesse sentido.


Mais adiante ele explicou o que Rambam dizia: que Mashiach era de carne e osso, e que era dos vivos ou dos mortos. Depois explicou que poderia haver uma período de interrupção aparente (estaria se referindo ao Guimel Tamuz). A Cabalá explica um período que denomina “Dormitso”. Em Rosh Hashaná cada pessoa recebe a força divina para o ano. Ao terminar o ano, termina essa Chaiut (vitalidade). E ela só volta quando se toca o Shofar. Pergunta-se o que acontece nessas horas, entre o fim do ano e o toque do Shofar? É uma interrupção um período de adormecimento, em que se está “dormido” – é assim que o Rebe explicou essa interrupção.


Sabe-se que depois de ter proferido essas palavras, o Rebe encontrou um Chassid e lhe disse: Sei que isso não tocou quase ninguém. Mas tem alguns que sim.


Antes de Mashiach chegar, as pessoas (judeus e goim) serão como que ‘peneiradas’ – será definido o grau de ligação de cada um e a maneira de se ligar com Hashem.


Bem, nos 11 meses entre esse dia 28 de Nissan e o ataque que o acometeu, ele repetiu essa idéia, focalizou esse aspecto e falou incansavelmente com esse espírito.